Arquivo | julho, 2010

Quem tem medo de auto-ajuda?

29 jul

56587270, Bruno Budrovic /Stock Illustration RF

     Há alguns anos eu reconheceria, secretamente: “eu tenho”!! Durante muito tempo tive aversão aos livros de auto-ajuda e tudo relacionado ao tema. Corria deles como o diabo corre da cruz. Julgava-os enganadores, superficiais e ineficazes. Tinha pena de quem gastava dinheiro com eles. Hoje, reavaliando, consigo ver claramente que, na verdade, eu tinha medo dos livros de auto-ajuda (e afins) porque eles fariam com que eu enfrentasse meus maiores medos: minhas falhas, defeitos e características nada agradáveis. E você? Tem medo de auto-ajuda?

     Trabalhar-se internamente é sofrido, mas extremamente recompensador. Durante meu casamento e divórcio passei por momentos muito complicados e não enxerguei outra alternativa a não ser me observar, analisar e trabalhar. Acredito que o fim de um relacionamento é de responsabilidade do casal, nunca de uma pessoa só, logo, resolvi buscar em mim o que eu precisava mudar e melhorar. Decidi fazer a minha parte e essa foi a melhor decisão que já tomei na minha vida!

     Se você está passando por uma situação desafiadora (não gosto da palavra problema), esteja certo (a): ela existe para que você aprenda algo e cresça! Então, antes de começar a se fazer de vítima ou a esbravejar aos quatro cantos, páre, avalie em que sentido você é responsável por ela e… mude! Se puder fazer terapia, faça! Workshops e palestras: também! Se a grana estiver curta os livros são uma ótima opção! O importante é iniciar o processo de auto-conhecimento. Te garanto que a situação se resolverá de forma bem mais rápida.

     No meu momento desafiador busquei o apoio de todo o tipo de auto-ajuda que podia: terapia tradicional, Yoga, terapias alternativas (reiki, massagem, florais, regressão, mapa astral), workshops e muita leitura. Parece exagero, mas valeu a pena! Foi um mergulho profundo no processo de auto-cura. Um momento riquíssimo de descobertas intensas, graças ao apoio de professores, terapeutas e livros maravilhosos. Sai dele outra e sou muito grata ao meu casamento e divórcio, pois graças a eles me tornei uma pessoa melhor (e com muita coisa pra melhorar ainda, claro)!

     Por meio desse mergulho interno fui de encontro a muitos dos meus medos, ansiedades, angústias, mesquinharias, inseguranças, falhas, etc. Pude acessar de onde eles vinham e porque eu os mantinha comigo. No exato momento em que descobrimos de onde vem um padrão negativo interno, encontramos a solução para mudá-lo, pois nos tornamos consciente do processo. É o famoso insight de Freud. No entanto, o importante é não parar no insight e sim mudar seu jeito de ser usando as informações adquiridas. O argumento “faz parte da minha personalidade” é papo para boi dormir e bloqueia totalmente sua evolução! Sua personalidade está em transformação sempre!

     Muita calma! Nem tudo é sofrimento no processo de auto-ajuda: descobri muitas das minhas qualidades e encontrei dentro de mim força e integridade que eu não sabia que tinha. Acima de tudo, aprendi a me amar, a aceitar que não tenho de ser perfeita (muito menos os outros) e a reconhecer que sou um ser em evolução, mudando a cada minuto. Essa conclusão me deixa livre para buscar ser uma pessoa melhor e reconhecer, de forma não egocêntrica, minhas qualidades.  

     Acredito tanto no poder da auto-ajuda e auto-cura de todas as terapias que escolhi para me ajudar que hoje me considero uma terapeuta/professora! Estudo profundamente meditação, Yoga, Ayurveda, florais de Bach e psicoterapia para poder ter todas essas ferramentas ao dispor dos meus alunos/clientes. Hoje já me sinto 100% preparada para ajudar, mas quero evoluir mais e sigo diariamente meus estudos. Minha principal fonte são os livros! Eles me oferecem sempre uma nova maneira de enxergar a realidade, oferecem exercícios mentais ótimos e muitas dicas e testemunhos que ajudam a expandir minha consciência. Eles ampliam minha criatividade e me mostram o que eu ainda preciso trabalhar internamente.  

     Deixo claro que cada cabeça é uma sentença e talvez o que funcione para mim não funcione para você! Também lembro que todos esses processos (terapia, livros) funcionam como ferramentas para ajudá-lo (a) a encontrar suas próprias respostas. Se você está preparado (a) para enfrentar seus fantasmas, sugiro alguns livros que me ajudaram profundamente. Se você tem boa fluência em inglês, recomendo que compre os livros de autores americanos em inglês (sempre melhor que a tradução):

Renovando atitudes – Francisco do Espírito Santo Neto

Você pode curar sua vida – Louise L. Hay

Um Novo Mundo – O despertar de uma nova consciência – Eckhart Tolle

Amor, Liberdade e Solitude – Uma nova visão sobre os relacionamentos – Osho

As Sete Leis Espirituais do Sucesso – Deepak Chopra

Se tiver alguma dica boa de livro, por favor deixe seu comentário!! Boa leitura e Namastê!

Vinícius e amigos

28 jul

Vinícius cercado de amigos

Neste final de semana finalmente arrumei um tempo para ver o documentário sobre a vida de Vinícius de Moraes, filme de Miguel Faria Junior. Como era de imaginar, o documentário – que mistura depoimentos, imagens de arquivo, interpretações de canções e narração de Camila Morgado e Ricardo Blat – é uma delícia. Daqueles que valem a pena ter em casa para rever quantas vezes tiver vontade.

Autor da frase mais genial sobre amizades : “Você não faz amigos, os reconhece”, Vinícius era um aglutinador de pessoas, estar cercado de gente era condição inerente a seu ser. Colecionou amizades ao longo de sua existência e sem elas não vivia, não era inteiro. Suas casas chegaram a ser chamadas “casas abertas”. Olha que coisa mais linda! E seu parceiros de trabalho eram amigos de uma vida. Os relatos de Chico Buarque, Edu Lobo, Maria Bethânia, Tonia Carrero, Toquinho ( e outros) transbordam emoção e saudade. Bonito de ver.

Isso corroborou a minha tese de que nada na vida é mais importante do que ter bons amigos. Deixem- me explicar: Família é sim essencial para mim. Meu filho é a coisa que mais amo no planeta sem sombra de dúvidas e não imagino mais a minha vida sem ele, idem para meu marido. Mas tem muita gente por aí feliz da vida solteiro e sem filho. É uma opção de vida válida. Agora não conheço ninguém, mas ninguém mesmo, que exista sem ter ao menos um bom amigo. Os amores vão e vem. Os filhos são do mundo. Os bons amigos são para sempre.

Eu não faço amizades com facilidade, mas as que tenho tendem a durar o resto da vida. E também não tenho amizades recentes, acho que a última é de pelo menos 10 anos. Tenho um número bom, suficiente, e um cardápio variado que torna minha vida mais interessante, mais rica e mais fácil de viver.

Amigas de infância, que conheceram seu avô que morreu há trocentos anos, toda sua história e portanto vão lembrar quando você disser que encontrou o Fulaninho que era o maior gato na época da escola e agora virou um gordo careca. Não tem preço você dispensar apresentações, pois a pessoa sabe exatamente o que você está querendo dizer. Dessas eu tenho um punhado e não abro mão jamais.

Tem amigas que sabem o que você está pensando até de costas. Ou por duas linhas que escreveu no msn. Há aquelas que você encontra raramente, mas quando acontece é como se não houvesse passado nem um dia. São amigas de todos os tipos, para todas as ocasiões. Tem uma que é a melhor companhia na balada, topa tudo, animada. Sair com ela é garantia de diversão, mesmo que seja para dar a volta no quarteirão. Tem outra que é ideal para ficar louca com você, beber todas, quebrar tudo. Quando vocês extravasam juntas, não tem pra mais ninguém. Tem aquelas que coincidentemente estão sempre passando pelo mesmo momento de vida, então são horas e horas de desabafos mútuos e risadas de alívio diante da constatação de não sermos únicas.

Há também uma amiga que é perfeita para os assuntos do coração. Com ela você fala todas as bobagens que lhe vem a cabeça sem medo dela usar isso contra você no futuro, quando você mudar de ideia. Tem as amigas que te inspiram a ser uma pessoa melhor. Essas você tem que manter a todo custo, elas são essenciais para a sua evolução como ser humano.

Amigas, esse post é dedicado a todas vocês, que me suportam, me colocam pra cima, me ensinam, me dão bronca e fazem parte de mim! Amo vocês!

Soneto do amigo

Vinícius de Moraes

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica…

Vinícius e seu parceiro e amigo mais conhecido, Tom Jobim

Entre a cruz e a espada

26 jul

     Razão ou emoção? Quem fala mais alto na hora de você tomar decisões importantes? Sua mente ou seu coração? A batalha entre ser racional ou emocional é eterna e ainda não sabemos a quem dar a vitória. Crescemos em uma sociedade que promove a razão acima de tudo, o que comprovadamente não funciona sempre, já que vivemos em um mundo cheio de guerras e disputas (de todos os tipos possíveis), lixo, crises econômicas, dramas e infelicidade.

       Usar a razão, conselho dado por muitos, é uma forma inteligente de convencer alguém a seguir as regras pré-determinadas pela sociedade, religião, governo, família, etc. Quando usamos a razão para decidir o que fazer/dizer estamos, na verdade, seguindo o que é mais “correto” de acordo com as normas vigentes. Adorei algumas das definições que encontrei para a palavra razão no dicionário Michaelis do UOL: “4 A faculdade que refere todos os nossos pensamentos e ações a certas regras consideradas imutáveis” ou “b) conhecimento natural que não foi revelado por Deus”.  Logo: usar a razão é seguir regras pré-concebidas por pessoas que não são você (nem te conhecem) e que passaram por experiências completamente diferentes da sua, mas mesmo assim você está deixado elas darem pitaco na sua vida… Bizarro.

      Já a emoção, ao meu ver (e sinta-se à vontade para discordar), é algo que vem de dentro e diz respeito somente a você. Adoro a primeira definição que o Michaelis me deu para emoção “1 Ato de mover (psiqui­camente)”. Genial! Significa que quando sentimos emoção estamos nos movendo psiquicamente em alguma direção e, certamente, essa mudança diz algo sobre que rumo tomar. O problema surge quando nos identificamos totalmente com a emoção e tomamos ela não apenas como uma rumo para onde seguir, mas também como nossa personalidade.

     Não entendeu? Exemplifico: você se emociona ao terminar um relacionamento e sente um grande vazio pelo fim de uma experiência compartilhada. Essa emoção está deixando claro que o momento é de sentir o vazio, de chorar, de se despedir do que foi, para criar espaço para o novo. No entanto, se você se identifica totalmente com esse vazio, a depressão encontra solo fértil para se instalar e crescer raízes na sua psique, fazendo com que você enxergue esse vazio como condição eterna na sua realidade e siga tendo as mesmas emoções depressivas repetidamente.

      Então como não cair na rede da identificação com as emoções? Primeiro vivendo elas intensamente. Deu vontade de chorar? Chora minha filha (o)! Deu vontade de gritar? Banheiros e lugares isolados (dentro do seu carro também vale) são perfeitos para gritar sem medo! Deu raiva? Saia para uma caminhada ou corrida, dance loucamente, faça uma aula de boxe, faça aquela faxina na sua casa! Emoção é energia e energia tem de ser movimentada. Independente da maneira que você escolheu para viver e liberar a emoção, viva ela intensamente no momento do ritual e depois deixe ela ir embora. Viva e se desapegue. Não torne uma emoção sua personalidade. Esse é o maior erro.  

      E como usar a emoção a seu favor? Observando o que ela tem para te dizer e mostrar, comunicando ao outro porque ela surgiu em você, e confiando que ela é uma boa dica de para onde sua vida deve caminhar. E como usar a razão a seu favor? Bem, se você optar pela razão, esteja totalmente consciente de que tomou para você uma verdade que pertence à uma organização (governo, sociedade, etc) que pode não representar sua crença/sentimento individual. Dessa forma você sabe que é sua a responsabilidade por usar a razão na hora de agir. De qualquer forma, agir com consciência é a resposta final e mais adequada sempre.

      Finalmente, comece a observar se suas atitudes e palavras são decididas pela razão ou pela emoção. E qual delas funciona melhor para você. Quanto mais nos auto-observarmos (sem julgamento, mas com discernimento) mais vamos optar por decisões que nos trarão contentamento!! Eu, com muita emoção, agradeço mais uma vez sua presença no blog. Namastê!

For Precious Girls Everywhere

23 jul

Você anda reclamando da vida? Acha que tem muitas dificuldades? Está cansado (a) de tudo? Então me faça um favor, aliás faça um favor a si mesmo e assista Preciosa : Uma história de esperança.

O filme que concorreu a seis Oscar esse ano e levou dois ( melhor roteiro adaptado e melhor atriz coadjuvante) é o equivalente a um soco na cara e um chute bem na boca do estômago. Um chacoalhão poderoso. Terminei o filme aos prantos. E confesso que até agora, se parar para lembrar de algumas coisas, ainda tenho vontade chorar. E não é um dramalhão, mas sim, como diz o nome, uma história de esperança.

Uma história pesada, densa. Não é entretenimento, é vida, luta, lição. Pelo menos para mim foi assim. O filme narra a vida de Precious (Gabourey Sidibe) uma adolescente negra, obesa, pobre que é expulsa da escola por estar grávida do segundo filho. Coisas que não facilitam a vida de ninguém.  Mas ainda tem mais: ela engravidou após anos de abuso sexual por parte do seu pai e  a mãe, ou melhor o monstro, ao invés de protegê-la, abusa verbal e fisicamente todos os dias. Papel brilhantemente interpretado pela vencedora do Oscar de atriz coadjuvante,  Mo’Nique. Para vocês terem ideia do quanto ela está bem, se eu a encontrasse na rua hoje acho que seria obrigada a espancá-la. De ódio. A estreante Gabourey Sidibe também está excelente  e confortável como a personagem título ( concorreu ao Oscar, mas perdeu para a Sandra Bullock), mas ainda não sei dizer se é por talento ou se ela simplesmente está interpretando a si mesma.  E o mais intrigante é que ela, Preciosa, não se vitimiza em momento algum.

As cenas da cruel realidade da protagonista são filmadas com uma câmera na mão, o que nos aproxima das personagens. Isso só muda quando Preciosa ativa seu único recurso para sobreviver: fantasiar. Então as cenas são filmadas de modo convencional. O recurso traz um resultado muito interessante, na minha humilde e leiga opinião. Ao longo do filme, junto com o nó no estômago ( há cenas quer despertam mesmo um embrulho/nojo) cresceu em mim um sentimento de negação.  Do tipo ” É ficção, me recuso a acreditar que exista isso na vida real. Me recuso a crer em tamanho desamor”.  Mas a real é que casos assim EXISTEM. Puxando pela memória em dois segundos já me lembro daquele monstro austríaco que trancafiou a filha e seus filhos-netos sei lá quantos anos num porão. E semo precisar ir tão longe, tem o lavrador maranhense que “deu” sete filhos a sua filha. Oi? Esse é o mundo que vivemos? Então para tudo que eu PRECISO descer.

Voltando ao filme: a trilha sonora é bem legal. Ainda não tive tempo de ver os créditos, mas me chamou a atenção. E tem duas participações especiais bem inusitadas:  Mariah Carey interpreta a assistente social que atende Precious ( coisa que fez bem, acreditem!) e o gato do Lenny Kravitz aparece como o enfermeiro – e  gato-  Jonh Jonh. É um alento em meio a tanto sofrimento!

Então quando digo: “Vá assistir ao filme””  não estou sugerindo, estou mandando! Vai logo! Agora!  E depois me conta!

A nossa Preciosa

Tesão: muito além da carne

22 jul

     Sexo. Todo mundo faz, mas pouco fala-se a respeito do que realmente importa sobre sexo. Eliminamos o que é essencial no ato sexual e acabamos resumindo um momento que poderia ser mágico, cheio de criatividade, força e poder, em uma “boa trepada”. A idéia desse texto surgiu após uma conversa com uma amiga-irmã que me contava sobre uma pessoa que ela conhece que é super recatada sexualmente. Eu disse pra ela que tenho certeza que essa pessoa, essa mulher, está cheia de fantasias eróticas, cheia de tesão reprimido. Assim como todos nós! Criatividade sexual é inerente ao ser humano, logo fantasiamos e pensamos sim em sexo. E, se você não tem sentido tesão ultimamente – alerta vermelho!

      Explico. No ano passado fiz um curso de Tantra, filosofia e modo de vida que prega o prazer em cada pequeno detalhe da vida e o usa como ferramenta para o desenvolvimento da consciência. Ao contrário do Budismo, que nos manda ignorar os prazeres ilusórios que temos com nossos cinco sentidos, o Tantra nos aconselha a encontrar prazer em cada momento, ação e pensamento (explicando de forma bem superficial). Tantra significa libertação e o que mais podemos querer da vida? Eu gosto das duas filosofias e acho perfeitamente possível combiná-las: podemos viver prazerosamente, curtindo cada pequeno e grande acontecimento, mas não nos apegar ao prazer que sentimos, assim estaremos contentes  com ou sem ele.

      Uma das melhores lições que aprendi no curso foi a da importância de se sentir tesão todos os dias. Sim, tesão! Mas não só (mas também!) tesão sexual no sentido carnal e sim tesão pela vida, que nos enche de força e garra, que dá aquele gás de lutar pelo o que queremos. “Esteja 24 horas por dia excitado” disse meu corajoso professor. Assino embaixo! Faça do seu dia uma orgia de energia sexual (atenção, mais uma vez, não se limite ao fator carnal – ou vão me acusar de incentivar orgias sexuais e afins).

      O que nos esquecemos é que sexo é berço de criação, de troca de energias e de amor. É você e seu parceiro (a) se dedicando 100% (espero eu) ao outro, vivendo plenamente no momento presente. É um exercício meditativo quando feito com consciência. Quem enxerga o sexo como algo simplesmente carnal está saboreando (ou negando, como no caso da pessoa do primeiro parágrafo) apenas a cobertura do bolo. Para se chegar ao recheio temos de nos conhecer melhor e nos entregar a sutileza e a beleza da troca de energia no espaço silencioso do ato sexual (mesmo que você esteja embalado (a) por uma boa trilha sonora). É bem mais sutil e poderoso!

      Sexo é sinônimo de criatividade, pois ela é necessária para se criar tudo nessa vida, desde bebê até slogan de propaganda de remédio. Ao mesmo tempo, observe para quem você está entregando sua criatividade sexual. Para alguém especial? Que vai te respeitar, aceitar e dividir com você boas energias? Ou para um (uma) qualquer que vê em você um bom pedaço de fraldinha (apesar de não comer carne atualmente, sou mais fraldinha que filé mignon) mal passada? Conserve sua energia sexual e a entregue para alguém que a mereça! E quando entregar, faça-o de coração aberto, sem tabus ou idéias preconceituosas que nem suas são… provavelmente são da sua família, sociedade, religião…

      Em homenagem a minha amiga e a essa pessoa que ela conhece estou não só escrevendo esse texto, como também publicando um “poema” que escrevi há tempos. Publico ele aqui pra encorajar minha amiga que está com vergonha de dividir alguns dos pensamentos criativos (se é que você me entende) dela. O poema também é um bom exemplo de como o tesão pode ser redirecionado para vários aspectos (como a poesia) além do sexual. Por fim, publico ele para encorajar você, leitor, a deixar de lado as amarras do ego e fazer o que você tem vontade de fazer ou admitir o que tem medo de admitir. Somos todos seres em evolução e não existe certo ou errado (lembra do meu texto da semana passada?). Então, “se joga” e Namastê!

Run

Corro
Suo o tesão acumulado
Suo a cama vazia
Corro
Suo a língua imóvel
Suo a lingerie em desuso
Corro
Suo o corpo parado, encolhido
Suo o gozo solitário
Corro
Suo o que está por vir.

Novo Norte ( ou Éramos Três )

21 jul

Confirmando o que sempre digo: não temos controle sobre nada e “TUDO muda o tempo todo no mundo”, já dizia Lulu. Quando bolamos esse blog, eu, Fabi e Flavia (que nós chamamos carinhosamente de Pin) estávamos super animadas e felizes com a perspectiva de escrever sobre Três diferentes Nortes para os leitores.

 Mas a realidade se mostrou diferente dos nossos planos e a Flavia, nossa querida Pin, se despede do Blog, pois está em um momento de transformação, onde não sobra muito tempo e espaço para se dedicar como ela gostaria ao blog.

 Ficamos então eu e Fabi, com dois nortes, comunicando e dividindo o que de melhor temos/sabemos com você!! E o terceiro norte, quem é? É você caro leitor! Pois comunicação eficiente necessita de, no mínimo, duas vias, e queremos saber o que você pensa, faz e sabe! Sinta-se à vontade para fazer desse blog também o seu espaço! Pin fica de visita e quando quiser pode dar a honra de publicar alguns de seus ótimos textos como convidada especial! Vamos adorar! Deusa, te desejamos muita sorte, luz e te amamos muito!!!

 E vamos que vamos! Namastê!

Entregue-se ao Incerto

20 jul

56502374, James Endicott /Stock Illustration Source

     Incerteza. Sua espinha gelou? Relaxe, você faz parte de, provavelmente, 98% da população mundial que tenta a todo custo manter o controle sobre sua vida e, muitas vezes, também sobre a vida dos outros. Agora, me responde honestamente: você consegue obter 100%, ou ao menos 60%, de sucesso na sua batalha? Se a resposta for sim, parabéns! E, por favor, publique sua resposta contando para nós, réles mortais, como você consegue essa proeza. Se a resposta for não, seja bem-vindo ao clube e saiba que você pode fazer da incerteza sua aliada, ao invés de sua inimiga.

      Deepak Chopra, médico indiano, autor internacional e um dos meus principais professores, afirma que todo medo, do mais trivial possível ao mais complexo, sempre tem sua origem no medo de morrer. Exemplos? Você teme perder o emprego porque tem medo de não ter dinheiro, perder seus bens e morrer de fome ou sem abrigo. Você tem medo de altura (ou avião) porque teme cair e morrer. Você tem medo de ficar sozinha (o) e morrer na solidão. Você tem medo de cobra porque ela pode te picar e adeus vida… Para mim faz muito sentido! E te convido a começar a analisar seus medos. E se questionar se eles são mesmo reais (ou seja, se você vai mesmo morrer por conta deles). E o que medo tem a ver com incerteza? Tudo! Incerteza está tão agarrada ao medo quanto carrapato em cavalo mal cuidado.

      E como usar a incerteza ao seu favor? Bem, vamos analisar a natureza: você acha que a árvore se estressa por não saber se vai chover quando percebe que a época da seca está chegando? Você acha que os pássaros tem pressão alta quando o inverno chega e não existe mais comida para eles? Ou acha que as flores tem um ataque de nervos quando percebem que vão murchar e morrer logo mais?

      Não meus amigos! Eles se adaptam à realidade. A árvore liberta todas as suas folhas (estocando nutrientes para sobreviver até a próxima estação) e sabe que ficará feinha por alguns meses para depois florescer ainda mais bela. Os passáros migram para áreas mais quentes e prósperas em alimento, fazendo da mudança de casa uma grande aventura e um lindo processo de companheirismo. As flores sabem que sua função é espalhar o pólen pela terra e criar novas plantas ou então dar lugar ao fruto, ao alimento, e se entregam passivamente à morte. Não é maravilhoso? Eles não lutam contra, eles trabalham em conjunto com as incertezas e adversidades que aparecem.

      Sempre que encontrar um situação incerta em sua vida, tente encará-la como uma oportunidade de aprender e fazer algo de maneira diferente. Toda incerteza é uma oportunidade de criação. Criar algo novo, que pode florir e dar frutos; que pode te fazer perder “folhas”, mas logo voltar a florescer; ou que pode te fazer migrar para um lugar muito mais prazeroso. É só uma questão de mudança de perspectiva! Lembre-se que somos parte da natureza e que, se aprendemos a fluir dentro dos nossos ciclos internos, tudo acontece de maneira mais fácil e suave. Transforme a energia do medo em coragem para seguir em frente e encarar o novo com postividade.

      Eu sempre fui uma control-freak. Tentava controlar não só a minha vidinha, mas a das pessoas que amava, trabalhava ou convivia. Sempre lançando críticas ao norte e sul e vomitando conselhos e regras ao leste e oeste. Era o medo de me entregrar ao incerto. E quem era a mais prejudicada com isso tudo? Eu mesminha!! Quanta energia desperdicei à toa! Graças a Deus passei por situações desafiadoras que me levaram a buscar me aprimorar, me transformar e ser mais flexível e compreensível comigo mesma e com os outros. E com isso veio muito contentamento e paz.

      Entre as lições que aprendi está a de abraçar a incerteza e me entregar a ela principalmente quando quero muito alguma coisa. Garanto que já tive e sigo tendo resultados milagrosos! Já recebi de presente muitas coisas que desejava porque acreditei que elas chegariam até mim na hora certa! E sigo acreditando. Então meu conselho é: faça sua parte da melhor maneira possível (não adianta só desejar e ficar deitada (o) no sofá), e entregue o resultado ao Universo. Se desapegue do controle. Se algo totalmente diferente chegar até você, abrace essa incerteza e saiba que ela é um presente para você aprender e crescer! Faça do limão não uma limonada, mas um delicioso e refrescante mousse de limão!

      Um terapeuta muito querido costumava me dizer que podemos aprender pelo amor ou pela dor. Eu aprendi muito pela dor, mas divido com você meus aprendizados na esperança de que você aprenderá com minha experiência (que segue evoluindo, não sou perfeita e nem tenho a pretensão de ser) e não precisará passar pela dor… Esse é meu desejo, mas entrego o resultado ao Universo! Beijo no coração e Namastê.

Minha nova família: Braverman

19 jul

 

Lauren Grahan agora é Sarah Braverman. Adeus Lorelai!

It’s official! Agora tenho mais uma série para acompanhar. 

Quando morei nos Estados Unidos, há 15 anos, me apaixonei pelo mundo das séries. A primeira delas, My So Called Life, foi um vício pra toda vida e desde então jamais passei uma temporada sem ter ao menos uma série na qual sou viciada.  De lá pra cá muita coisa mudou. Naquela época o vício se resumia a ver os episódios conforme eles passavam na tevê. Havia reprises que a gente nunca sabia quando iam ser,  se a série teria outra temporada ou não era sempre um suspense. 

Hoje com a internet bombando, sites especializados em séries e programas especiais para baixar os episódios no mesmo dia em que são exibidos nos EUA, o vício adquiriu proporções muito mais divertidas!!! Para mim, o auge foi ver o Season Finale de Lost ao vivo, enquanto era transmitido nos EUA. Viva a tecnologia! 

Essa introdução toda foi só para contar que durante o  mid season, com fim de Lost, Gossip Girl  e Grey’s Anatomy em férias, encontrei uma série nova para amar! Parenthood. 

Estrelado por Lauren Graham (a Lorelai de Gilmore Girls),  Peter Krause (Nate Fisher de Six Feet Under),  Erika Christensen (Traffic, Swimfan) e Craig T. Nelson ( Poltergeist)  entre outros,  Parenthood é uma  série sobre família, que como sugere o nome,  fala sobre as dificuldades de ser pai, educar crianças e adolescentes, com todos os seus clichês.  A relação de intimidade e cumplicidade entre os quatro irmãos Braverman é coisa linda de se ver. Dá vontade voltar no tempo e criar uma intimidade com meu irmão que nunca tive.  E os diálogos são brilhantes! 

 Lauren Graham está ótima como Sarah, mãe separada de dois adolescentes que volta a morar com os pais porque não tem dinheiro. E se sente meio incapaz e decadente. Bem diferente de sua personagem de GG, mas  ainda com um quê de Lorelai ( Miss you Lorelai!). 

Peter Krause  também está ótimo no papel de Adam, pai de uma  adolescente que arruma o primeiro namorado e de um garoto de oito anos diagnosticado com Asperger, um tipo de autismo.  Até agora a cena mais emocionante que vi foi da mãe explicando para filha porque Adam, o pai, se comportava de maneira tão irracional ao descobrir que ela estava namorando. 

Filha: Ele está muito bravo? 

Mãe: Ele está mais é com medo do que qualquer outra coisa. 

Filha: Mas medo do que? 

Mãe:  De te perder… 

E corta pra ele na porta do quarto ouvindo tudo com o coração apertado. Confesso que lagriminhas saíram dos meus olhos. Mas eu não sou parâmetro porque choro com extrema facilidade. 

Parenthood não vai mudar sua vida, mas é uma daquelas séries gostosas de ver. Que te emocionam e divertem ao mesmo tempo.  No Brasil a segunda temporada passa no canal LIV, se não me engano às quintas-feiras. Mas, com acesso a internet e paciência,  você pode ver o dia que quiser!  Eu recomendo!

The Braverman, minha nova família da televisão!

Friday I’m in love

16 jul

Essa semana passei  madrugadas em claro. Trabalhei muito, pensei demais e pra completar bebi como uma adolescente em festa de 15 anos. Enfim, vivi! Portanto não consegui postar nada decente. Enquanto um novo post não vem, sugestão clássica de trilha sonora para as sextas-feiras:  The Cure – Friday I’m in Love.

Enjoy!

Amanhecer é uma lição

15 jul

56504147, Jude Maceren /Stock Illustration Source

     Como você começa o seu dia? Você acorda sorrindo ou de cara fechada? Quais são seus primeiros pensamentos? Quais são suas primeiras atividades ao sair da cama? Esse longo post  vale a pena ser lido pois está cheio de dicas para você começar o dia com muita tranquilidade e contentamento. E com corpo e alma limpinhos limpinhos. Sugiro que você comece incluindo uma técnica por vez na sua rotina matinal, observe o resultado e me conte, claro!

      Primeiro é importante dizer que sempre fui uma mal-humorada-matinal-crônica. De acordo com minha mãe, desde quando éramos bebês, eu acordava chorando e meu irmão acordava sorrindo. Eu me lembro perfeitamente de querer, literalmente, enforcar o pobre para fazer ele parar de cantar alegramente na mesa de café-da-manhã. A felicidade dele era um insulto pra mim. Mas as pessoas mudam minha gente! E hoje minha mãe e meu irmão agradecem minhas mudanças!

      Para dar uma contextualizada, na Índia muitas pessoas acordam antes mesmo do sol nascer e iniciam uma rotina que as ajudará a manter o equilibrio e a sintonia com o dia. Elas acreditam que, ao acordar antes do sol, elas tem o poder de criar e transformar seu dia no que quer que elas queiram. Genial, não?! Geralmente a rotina inclui exercícios respiratórios, posições de yoga, meditação, pujas (rezas para suas divindades preferidas), abhyanga (auto-massagem ayurvédica com óleo), kriyas (ações de purificação do corpo) e um café da manhã bem natural. Parece muito, mas se você estiver em pé às 6 da matina, às 7:30 você já estará tinindo para o resto do dia! E não só pronto como totalmente equilibrado e calmo. Quer coisa melhor que isso?

      Eu acordo geralmente às 7 da manhã. A primeira coisa que faço é sorrir e cumprimentar o dia! Sim, parece ridículo, mas eu não ligo! Falo “Bom dia dia”, agradeço por mais um dia que começa e já me coloco no “Polyana mode”! Tomo um copo bem grande de água. Se você tem intestino preso eu indico um copo com água morna… pode aquecer uns 30 ou 40 segundos no microondas e tomar. Gente é uma maravilha para regular o intestino e ajudar na eliminação! Não indico limão na água, pois, de estômago vazio, o limão é ácido demais e pode até causar azia ou queimação. Fique com a águinha morna que já é eficiente.  

      Na sequência, vou escovar os dentes e limpo minha língua com um limpador de língua que você deve encontrar em farmácias ou lojas de produtos naturais. Com ele você dá leves raspadas na superfície da língua. Uma massinha branca bem nojenta vai sair da sua língua. Desencana! Ela se chama Ama, em Sânscrito, e se refere às impurezas (das comidas) que seu organismo não conseguiu digerir e que ficaram já alí na língua. Então, deixa de nojo e tira as impurezas fora. Você vai sentir a boca bem mais limpa e refrescante depois. E seu hálito (namorado, marido, amigos e afins) agradece!

      Na sequência eu faço a técnica de limpeza kriya Neti. O Neti é um potinho tipo a lâmpada de Aladim que você coloca água e metade de uma colher de café de sal marinho e você limpa suas narinas com essa mistura. O bico do Neti vai entrar em uma das suas duas narinas e você vai virar a cabeça de lado de modo que a água escorre pela outra narina. Faça o procedimento nas duas narinas. Sim, parece bizarro, mas é a melhor solução para desintupir nariz e eliminar de vez gripes e sinusite da sua vida. Faz mais de um ano que não tenho mais nada afetando minhas vias respiratórias. Não é das organizações Tabajara não, mas eu garanto que funciona! Pode fazer todo dia que sua sinusite e gripes vão sumir. Após usar o Neti só lembre de colocar uma gota de óleo de amêndoa dentro das narinas, porque a água com sal resseca a pele do nariz. (Vídeo com instruções de uso do Neti: http://www.youtube.com/watch?v=j8sDIbRAXlg)

      Seguindo em frente: meditação! Sento por 30 minutos e pratico minha meditação tradicional. E a meditação, ao meu ver, é a técnica mais importante da rotina. Ao final da meditação sempre falo (mentalmente) minhas intenções para o Universo. Tudo aquilo que quero realizar, tudo o que quero para minha vida e para esse planeta em que vivemos. Depois faço algumas afirmações, ou seja, repito frases que vão gerar uma mudança no meu padrão de pensamento e me fazer pensar e agir de acordo com minhas intenções. Por fim, agradeço tudo o que tenho e desfruto, agradeço por mais um dia e peço proteção e orientação divina pra seguir o dia de acordo com o que tenho de aprender e viver. Ah, e entoo o mantra OM para finalizar a prática.

      Após a meditação eu faço a kriya Nauli, que me ajuda a desintoxicar o estômago e os intestinos, ajudando muito na eliminação. Recomendo para todos e, principalmente, para quem tem intestino preso. Demora um cadinho para dominar a técnica, mas comece dobrando levemente os joelhos, curve sua coluna para baixo, mãos nos joelhos. Expire todo o ar pra fora do corpo e então comece a contrair o máximo que puder o abdomen e soltar em seguida. Faça isso ao menos 10 vezes. Inspire novamente, expire todo o ar e repita mais 2 vezes as 10 contrações. Essa técnica massageia todo o sistema digestivo. É um santo remédio, como diria minha avó. (Vídeo com instruções de Nauli muito boas: http://www.youtube.com/watch#!v=ewhkG4lluDE&feature=related)

     Depois disso tudo (que leva aproximadamente uma hora) estou pronta para o que der e vier! Estou aberta para os desafios e as boas surpresas do dia. Me sinto calma e conectada com o Universo. Aí tomo um banho gostoso e faço a abhyanga com hidratante corporal mesmo. Em seguida tomo um café da manhã (sempre agradecendo cada alimento que como) escutando uma música relaxante. Nada de TV ou notícia da desgraça alheia logo de manhã. Por fim, vou realizar as atividades do dia com muita tranquilidade e contentamento. Espero que as dicas ajudem. Como disse antes, não tente começar tudo junto! Tudo o que é radical dura pouco… Vá incluindo aos poucos. Boa sorte e Bom dia! Namastê!  

      E para terminar, o pedacinho de uma das minhas músicas preferidas, “Raízes”, do Renato Teixeira:

 “Amanhecer é uma lição do universo.
Que nos ensina que é preciso renascer.
O novo amanhece”!!!!!

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