Silêncio: do medo à criação

8 jul

Silêncio. Essa simples palavra pode significar paz para alguns e angústia para muitos outros. Angústia, você pergunta? Sim, angústia, pois causa medo. Medo do silêncio. Você já reparou que sempre estamos agindo de forma a eliminar o silêncio do nosso cotidiano? Ou estamos conversando com alguém pessoalmente, ou ao telefone, ou temos o som ligado ou a televisão. E, não raramente, estamos em um ambiente onde todos esses elementos estão concorrendo juntos. É uma festa para os cinco sentidos.

Mas, por que temos medo do silêncio? Muitas podem ser as respostas e eu sugiro que você busque a sua (e me conte depois, claro). Para muitos, estar em silêncio significa não estar fazendo nada e o não fazer nada significa ser inútil e a idéia de não ser útil (mesmo que por algumas horas ou minutos) traz uma enorme sensação de vazio. Podemos dizer que a famosa frase do pensador Descartes “Penso, logo existo” foi atualmente modificada para “Faço, logo existo”. As pessoas agem freneticamente na tentativa de provar que existem e que tem valor. Aqui nos Estados Unidos esse “way of life” é gritante. Eu brinco que estamos nos robotizando…  

Outro motivo de se evitar o silêncio é a necessidade que temos de provar que estamos sempre certos. Não permitimos que uma pessoa termine uma frase… Temos de complementar algo, dizer que sabemos mais do que acabou de ser dito, provar nossa erudição. Lamento dizer, mas essa atitude é um desrespeito e, com isso, muitas vezes fazemos o outro pensar ou sentir (mesmo que inconscientemente) que o achamos burro. Consequentemente, cada vez mais as pessoas nos procurarão menos para conversar sobre o que realmente importa. Estaremos limitados aos diálogos vazios, banalidades, atualidades.

O médico David Simon, co-fundador do Chopra Center na Califórnia e autor mundialmente conhecido, costuma brincar que ele “prefere estar bem do que estar certo”. O que significa que quanto mais escutamos, silenciamos e aceitamos o que o outro nos fala, mais estaremos o respeitando e nos conectando em um nível mais profundo. De que adianta “estar certo”, mas em desarmonia com as pessoas ao nosso redor? Além de agir muito, estamos em um estado de reação constante, ou seja, mesmo que não estejamos correndo perigo ou sendo desacreditados, estamos sempre reagindo em nossas conversas e gastando energia desnecessária.

No mestrado em psicologia que faço aqui, uma das primeiras coisas que aprendemos é a importância do silêncio. Aprendemos que o silêncio pode revelar muito sobre o nosso cliente e sobre nós mesmos. Aprendemos a importância de se tolerar e aceitar o silêncio e de encontrar nele respostas muito mais valiosas do que 50 minutos de conversa. Estar em silêncio significa estar confortável consigo mesmo. Aceitar suas idéias, seu modo de viver, sua existência como um todo. Estar em silêncio significa fazer uma pausa para escutar nossa alma, nossa inteligência maior, que muitas vezes fica esquecida em meio ao mundão doido de pensamentos da nossa mente. Pense nisso!

O silêncio também é o berço da criatividade, do inusitado, da potencialidade para criar o que quer que você queira pra sua vida. Por que? Porque é somente por meio dele que conseguimos escapar dos padrões de pensamentos e ações que perpetuamos roboticamente. O silêncio é a semente do novo. Todas as religiões concordam que antes da criação do Universo o que existia era um grande silêncio, um grande potencial. E após o primeiro som (big bang para os não religiosos, a palavra para os católicos, Om para os Indus) é que toda a criação do Universo se desencadeou. Mágico! Então, comece sempre pelo silêncio!

Paro minhas palavras por aqui, afinal, já pensei e falei mais do que devia!!! Te convido a experienciar o silêncio e me contar como foi! Escolha um lugar bem tranquilo, sente-se confortavelmente, feche seus olhos e escute o silêncio ao seu redor. Escute o som do Universo. Coloque toda sua atenção no barulho (ou a ausência dele) ao seu redor. Se quiser também pode focar sua audição nas batidas do seu coração. Mantenha apenas esse sentido funcionando: o da audição! Escutando o silêncio você escuta sua alma. Namastê!

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6 Respostas to “Silêncio: do medo à criação”

  1. Fabiana Marques 9 de julho de 2010 às 2:02 am #

    Eu AMO o silêncio e tiro muito proveito dele.

    mas tenho esse péssimo defeito de completar as frases alheias. Vou prestar mais atenção, pq é feio mesmo! Mas no meu caso, acho, é ansiedade…

  2. Livia 9 de julho de 2010 às 1:28 pm #

    Amada, let´s go deeper? Ansiedade do que? Por que? Quanto mais nos questionamos, mais aprendemos sobre o funcionamento da nossa mente e como podemos melhorar!!!! 🙂 Beijos!

    • sueli 10 de julho de 2010 às 9:31 pm #

      saber falar, o que falar,como falar ,quando calar e ouvir..olhar o outro e enxergar…..caminho de uma sabedoria rara…..bjs!!!

      • Livia 12 de julho de 2010 às 4:00 pm #

        Adorei mãe! Beijos

  3. Beta 12 de julho de 2010 às 10:56 am #

    Oi, minha flor. Muito silêncio vivido esses dias aqui em casa, com o meu amor pequeno. Quando a gente se permite, vai ficando mais fácil… Saudade e um beijo prá você. Beta

    • Livia 12 de julho de 2010 às 4:00 pm #

      Está super certa BEta. Quando nos permitimos vai ficando mais tarde!! Saudade louca!! Muitos beijos para os trÊs!

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