Entre a cruz e a espada

26 jul

     Razão ou emoção? Quem fala mais alto na hora de você tomar decisões importantes? Sua mente ou seu coração? A batalha entre ser racional ou emocional é eterna e ainda não sabemos a quem dar a vitória. Crescemos em uma sociedade que promove a razão acima de tudo, o que comprovadamente não funciona sempre, já que vivemos em um mundo cheio de guerras e disputas (de todos os tipos possíveis), lixo, crises econômicas, dramas e infelicidade.

       Usar a razão, conselho dado por muitos, é uma forma inteligente de convencer alguém a seguir as regras pré-determinadas pela sociedade, religião, governo, família, etc. Quando usamos a razão para decidir o que fazer/dizer estamos, na verdade, seguindo o que é mais “correto” de acordo com as normas vigentes. Adorei algumas das definições que encontrei para a palavra razão no dicionário Michaelis do UOL: “4 A faculdade que refere todos os nossos pensamentos e ações a certas regras consideradas imutáveis” ou “b) conhecimento natural que não foi revelado por Deus”.  Logo: usar a razão é seguir regras pré-concebidas por pessoas que não são você (nem te conhecem) e que passaram por experiências completamente diferentes da sua, mas mesmo assim você está deixado elas darem pitaco na sua vida… Bizarro.

      Já a emoção, ao meu ver (e sinta-se à vontade para discordar), é algo que vem de dentro e diz respeito somente a você. Adoro a primeira definição que o Michaelis me deu para emoção “1 Ato de mover (psiqui­camente)”. Genial! Significa que quando sentimos emoção estamos nos movendo psiquicamente em alguma direção e, certamente, essa mudança diz algo sobre que rumo tomar. O problema surge quando nos identificamos totalmente com a emoção e tomamos ela não apenas como uma rumo para onde seguir, mas também como nossa personalidade.

     Não entendeu? Exemplifico: você se emociona ao terminar um relacionamento e sente um grande vazio pelo fim de uma experiência compartilhada. Essa emoção está deixando claro que o momento é de sentir o vazio, de chorar, de se despedir do que foi, para criar espaço para o novo. No entanto, se você se identifica totalmente com esse vazio, a depressão encontra solo fértil para se instalar e crescer raízes na sua psique, fazendo com que você enxergue esse vazio como condição eterna na sua realidade e siga tendo as mesmas emoções depressivas repetidamente.

      Então como não cair na rede da identificação com as emoções? Primeiro vivendo elas intensamente. Deu vontade de chorar? Chora minha filha (o)! Deu vontade de gritar? Banheiros e lugares isolados (dentro do seu carro também vale) são perfeitos para gritar sem medo! Deu raiva? Saia para uma caminhada ou corrida, dance loucamente, faça uma aula de boxe, faça aquela faxina na sua casa! Emoção é energia e energia tem de ser movimentada. Independente da maneira que você escolheu para viver e liberar a emoção, viva ela intensamente no momento do ritual e depois deixe ela ir embora. Viva e se desapegue. Não torne uma emoção sua personalidade. Esse é o maior erro.  

      E como usar a emoção a seu favor? Observando o que ela tem para te dizer e mostrar, comunicando ao outro porque ela surgiu em você, e confiando que ela é uma boa dica de para onde sua vida deve caminhar. E como usar a razão a seu favor? Bem, se você optar pela razão, esteja totalmente consciente de que tomou para você uma verdade que pertence à uma organização (governo, sociedade, etc) que pode não representar sua crença/sentimento individual. Dessa forma você sabe que é sua a responsabilidade por usar a razão na hora de agir. De qualquer forma, agir com consciência é a resposta final e mais adequada sempre.

      Finalmente, comece a observar se suas atitudes e palavras são decididas pela razão ou pela emoção. E qual delas funciona melhor para você. Quanto mais nos auto-observarmos (sem julgamento, mas com discernimento) mais vamos optar por decisões que nos trarão contentamento!! Eu, com muita emoção, agradeço mais uma vez sua presença no blog. Namastê!

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6 Respostas to “Entre a cruz e a espada”

  1. Fabiana Marques 26 de julho de 2010 às 6:21 pm #

    Eu sou um dos seres mais passionais que conheço! Não acerto sempre tudo, logico, mas raríssimas vezes que usei a emoção me arrependi. O resultado pode não ser o esperado, mas a certeza de se estar fazendo o que deveria no momento, não tem preço!!!

    • Lívia Stábile 27 de julho de 2010 às 4:20 pm #

      I know Lindona!! E admiro você demais pela sua singularidade! bjocas!

  2. Chico Gouveia 26 de julho de 2010 às 10:42 pm #

    Bom estou Decartianamente emocionado (se é possivel)
    Livia voce conhece Gaston Bachelard especificamente
    A Poetica do Devaneio.vale apena dar uma olhada.
    Achei lindo…EMOCIONANTE
    bjs
    Chico

    • Lívia Stábile 27 de julho de 2010 às 4:19 pm #

      Oi Chico! Não conheço não, mas vou pesquisar! Adorei a dica!! Muito obrigada pela presença! Beijos

  3. Beta 27 de julho de 2010 às 1:15 am #

    esse blog que tá cada vez melhor! um beijo muito grande, minha querida.

    • Lívia Stábile 27 de julho de 2010 às 4:19 pm #

      Obrigada querida!! Muitos beijos para os três e muita saudade!

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