Arquivo | agosto, 2010

Morte – apenas mais uma partida?

30 ago

Ontem assisti um filme incrível! Está entre os mais belos e puros que já vi: chama-se A Partida (Departures), produção japonesa que ganhou o Oscar de melhor filme estrangeiro (mais do que merecido) em 2009. O filme (na minha singela opinião) aborda morte, vida e relacionamento. Temas universais e sempre delicados… e é com muita delicadeza que o filme os trata. O personagem principal trabalha como uma espécie de coveiro, realizando a cerimônia que prepara (lavando, vestindo e maquiando) o corpo da pessoa que morreu para ser colocado no caixão. Macabro? Nem um pouco! A sutileza com a qual ele realiza o procedimento, e o roteiro se desenrola (humor e trilha sonora excelentes), torna o lidar com a morte muito mais suave do que imaginamos.

      E como você encara a morte? Para mim, segue sendo um grande desafio… Eu acredito em reencarnação e que a morte é apenas mais um processo da roda da vida, chamada de Samsara (palavra que serve de título para outro maravilhoso filme que recomendo) por budistas. A morte é uma libertação – como muitos orientais acreditam – é o momento em que nossa alma se desprende do corpo que utilizou nessa encarnação para voltar ao absoluto, a pura potencialidade, ao céu, ou algo parecido que eu não tenho como definir (esse é o maior de todos os mistérios)!!

      Acredito, com todas as minhas células, na reencarnação, no entanto, ainda não consigo imaginar minha vida sem a presença da minha família (principalmente) e dos meus amigos. Dói o peito só de pensar! O que prova que eu ainda tenho muito o que trabalhar para aceitar essa passagem ou partida – aceitar a morte! A situação mais triste que já vivi foi a perda de um tio muito querido que nos deixou cedo demais (na nossa opinião), mas já tinha realizado sua obra aqui… Já faz mais de dez anos e, apesar de não viver no passado relembrando, parece que foi ontem… 

      O filme ajuda mostrando as diferentes maneiras como cada família enfrenta a morte do ente querido. Aí no Brasil ou lá do outro lado do mundo, no Japão, a dor é a mesma, as reações são semelhantes e acabam mostrando como somos todos iguais… somos todos um, por mais diferentes que sejam as culturas. O personagem principal trata seus “clientes” com muita ternura, os prepara com carinho e dignidade. Você percebe como ele está totalmente presente, dedicado à função e como isso também traz paz e dignidade para a família que acompanha e participa do procedimento.

      Desta forma, o processo de despedida desencadeado pela morte torna-se também uma cerimônia da jornada da vida, parecida (atenção, parecida… não igual) com batizado, formatura, casamento… Ritual que marca uma etapa da vida. Fica mais fácil aceitar, entender… Fica claro que muito além de uma perda, a morte é realmente uma partida… Talvez a morte nos choque tanto porque é quando percebemos o quanto deixamos de viver ou de falar o que importava para a pessoa que se foi. Eu passei alguns bons anos pensando o quanto deveria ter passado mais tempo com meu tio e lhe dito o quanto ele era especial para mim, o quanto ele me ensinou por apenas ser ele mesmo! Faz algum tempo, em uma noite muito especial, falei com ele usando meu coração e sei que fui ouvida.

      Sugiro então que você, caro leitor, comece a trabalhar seus dotes comunicativos para realmente falar e fazer aquilo que importa para e com as pessoas que você ama! Use o momento presente para se conectar e falar as palavras que vem do coração! Com a alma tranquila, sem arrependimentos, sem expectativas frustradas, sem ressentimentos, fica bem mais fácil encarar a partida… É uma das coisas que tenho sempre tentado fazer! Apesar disso, lidar com a morte da melhor maneira possível ainda é um dos meus grandes desafios. Fica a dica do filme e a pergunta: E você? Conte-me sua opinião sobre a morte! Divida suas dicas… Beijo no coração e Namastê!

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Only

27 ago

(to Nata, my dear friend who asked me to post something in english so that she could understand!)

If you could only see my soul
Maybe you would understand the beauty of bird’s singing
The purity of leafs falling from the three and the magic dance that they make leaded by the win

If you could only see my soul
You would understand why I am the moon’s daughter
Why I never felt the snow on my tongue but I already miss it

Why flowers whisper secrets in my ears

If you could only feel my soul
You would breathe the bright night as for the first time
You would dance under the stars like a little boy

If you could only feel my soul
You would not find a name to call me
You would not find words to describe me

If you could only…

Rapte me camaleoa

26 ago

Essa semana, quando vi Caetano e Maria Gadu cantando essa música juntos no Prêmio Multishow, me apaixonei. Aliás a versão com os dois juntos é melhor do que só o Caetano, mas enfim. A letra é linda !  Hoje um amigo postou esse clipe no facebook , com Sampa de locação e não resisti, copiei!

Sem tempo para escrever mais esses dias…

Enjoy!

“Adapte-me ao seu ne me quitte te pas” – morri!

!

A dor e a delícia de ser o que é…

24 ago

 

 Ego. Eu tremia só de ouvir… Temido por alguns, amado por outros e absolutamente ignorado (conscientemente falando) por muitos, ele é a parte “dentro de você” que, muitas vezes, faz com que você aja de maneira não tão positiva e/ou encare a vida de forma muito mais complicada do que ela realmente é. Para o bem ou para o mal (sim, existe o lado positivo dele existir) ego todo mundo tem, logo é melhor aprender a lidar com ele de uma vez por todas! Ein? Você não tem ego não? Pois é o seu ego que está te convencendo de que você não o tem pra seguir te comandando sem você saber! Estribeiras nele meu amigo!

Existem dezenas de definições para o ego. No Michaelis by UOL temos: Experiência que o indivíduo possui de si mesmo, ou concepção que faz de sua personalidade; em psicanálise, apenas a parte da pessoa em contato direto com a realidade, e cujas funções são a comprovação e a aceitação dessa realidade. Freud (explicando mega superficialmente) diria que o ego é meio que o gerente da sua mente. Ele lida com a realidade e controla sua personalidade. Eu não gosto muito dessa definição porque coloca o ego positivamente como comandante da consciência, o que está mais do que claro que não o é, já que muitas vezes ignoramos totalmente nossa consciência e agimos de maneira errada ou ridícula por conta do ego. A consciência, meus caros, tem muito mais inteligência que o ego.

Então quem é esse tal de ego? Bem, de acordo com as filosofias orientais, ele é a parte de você que se identifica com algo, que seja sua profissão, seu corpo, sua posição na família, trabalho e sociedade ou mesmo o que você possui. Logo, meu ego me diria que eu sou uma jornalista, professora de Yoga, meditação e Ayurveda, 30 anos de idade, filha, irmã, ex-mulher, 1,72 metros, 59 quilos (talvez 60, ui! Olha o meu ego surtando com meu peso!), estudante de mestrado, etc. Ele se identifica totalmente com esses títulos e faz de tudo para mantê-los. Foi ele, por exemplo, que se estressou porque eu larguei um emprego estável no Brasil. Eu mesma, ou seja, minha alma (ou minha consciência), estava super relax e feliz com a mudança!

O ego precisa de segurança. O que é uma grande cilada, já que nada nessa vida é seguro. Exemplos? Dois aviões entraram de bico nas duas torres gêmeas no país que se considerava o mais seguro do mundo. Um Tsunami surgiu do nada e infelizmente levou a vida de muitos, esse ano foi um terremoto que devastou o Haiti. Exemplos mais rotineiros: divórcio, morte, demissão, pé na bunda, assalto, gravidez, novas amizades, novo amor, nova carreira profissional… Quando aceitamos o paradoxo da vida e como “tudo muda o tempo todo no mundo” (segunda vez que cito Lulu, logo ele vai me cobrar) deixamos de escutar as reclamações e inseguranças do ego e levar a vida de uma maneira mais leve.

Comece a enxergar seus títulos e posses como algo passageiro. No começo vai dar medo, mas se você insistir será libertador!! Pois se você os “perder” não sofrerá! Um dos meus grandes professores, Dr. David Simon, diz que ele não possui nada, ele simplesmente está “momentaneamente tendo posse e cuidando” de algo ou até mesmo de seus filhos e esposa. Acho fantástico. Encare todos os seus títulos como personagens que você carrega dentro de você. Por exemplo (desculpa falar tanto de mim, mas é mais fácil para explicar), agora estou no papel de escritora de blog. Mais cedo estava no papel de irmã, quando fiz um favor para o meu irmão (fofo, te amo!). E hoje ainda devo interpretar o papel de professora (devo dar uma aula às 18h) e depois serei aluna (participando de uma aula de Yoga). Não é fantástico?!

Quando mudamos a percepção sobre quem somos realmente e o que fazemos, tiramos o peso das costas, pois se o papel de professora falhar eu ainda tenho muitos outros onde sou boa e muitos tantos que ainda terei e nem sei. Todos já fomos bebês, analfabetos, adolescentes… É uma constante criação e morte de personagens… como tudo na vida. Então, tente não se identificar tanto. Tente não se levar tão a sério. Se o seu ego se ferir porque te criticaram, mande ele a m… e saiba que onde existe crítica existe espaço para melhorar e criar. Ego ferido por conta de um fora? A fila anda meus amigos, de comprometido (a) você passou a solteiro (a), aproveite o novo papel! E por aí vai…

E quando o ego funciona positivamente? Bem, em raros casos quando estamos deprimidos e sem auto-estima e precisamos então, emergencialmente, nos identificar com as vitórias e fatores positivos do passado para nos reerguer e seguir em frente! Se esse não é o seu caso (e eu torço para que não seja) comece a observar seus pensamentos, atitudes e reações. Quem está os determinando? Seu coração ou seu ego? Pense nisso e, se quiser discordar comigo e achar esse texto uma bobagem: perfeito!!! Eu não levo meu ego a sério não!! Beijo grande e Namastê!

Como esquecer?

22 ago

                                                                                             Fabiana Marques

– Um.

– Dois.

– Três. Tchau!

Despediram-se assim, contando até três. A despedida não trazia nenhuma surpresa. Era a crônica de uma morte anunciada, já que a relação começou com data certa para terminar. Portanto, tiveram tempo suficiente para controlar a situação e se programar para não sofrer tanto naquele momento. Mas sentimentos não são lá muito fáceis de controlar, eles têm vida e vontade própria.

Assim sendo, ela perdeu o controle. E o nó na garganta, que a tomou de assalto nos últimos segundos de conversa, explodiu em soluços e lágrimas. Foram alguns minutos de uma tristeza inesperada, como se uma cratera se abrisse bem no meio do seu peito. Sobrava apenas um vazio devastador.

Há anos não se apaixonava e, conseqüentemente, não sentia a dor de uma separação. Tinha se esquecido de como era dolorido dizer adeus. E só então se deu conta do quanto seria difícil transformar aquele que havia sido seu melhor amigo e companheiro em apenas uma boa recordação. “Como esquecer”?

Tinha esse grave defeito. Quando um relacionamento ia chegando ao fim, não sabia a hora de parar. Prolongava, resistia. Colocava reticências ao invés de ponto final. Combinava coisas que não conseguia cumprir, voltava atrás, se arrependia e voltava atrás de novo. Esse comportamento desesperado acabava por obrigar o outro agir de forma estúpida ou então com uma frieza polar. Era um mecanismo inconsciente para facilitar a ingrata tarefa de desencanar de alguém. A última lembrança tinha que ser ruim, sabe como é? Porque um idiota é muito mais fácil de ser esquecido.

Mas ela não queria rebaixá-lo ao nível de todos os outros. Ele não merecia ser transformado num idiota só para que ela o pudesse esquecer. Dessa vez era diferente. Com ele, ela queria cumprir o combinado e não voltar atrás. Realmente queria que ele  se tornasse uma boa lembrança. Queria ter orgulho de como lidaram com tudo de forma tão madura. Ambos mereciam que fosse assim.

Já era tarde, se arrastou até o quarto e deitou na cama, que naquela noite lhe pareceu maior e mais fria. De novo sentiu aquele aperto na garganta. Respirou fundo e expirou devagar, tentando expulsar junto com o ar a tristeza que tomava conta. Tentou se lembrar do último beijo, mas não conseguiu e ficou mais melancólica: “Eu devia ter abraçado ele naquela hora e dado mais um beijo. Devia ter falado o quanto ele era especial. Não, isso eu acho que falei… Mas devia ter falado mais vezes. E devia tê-lo encontrado uma última vez”. 

Três horas da manhã. Estava exausta, mas o sono não vinha.  Começou a repassar mentalmente cada olhar trocado, cada beijo, cada lambida, cada respiração. As mãos dele puxando com força o seu quadril, a língua molhada nos seus seios, o peso dele sobre ela, o gozo de dentro para fora, o gosto de cada parte de seu corpo. Cada detalhe era como espetar uma agulha. Uma dor fina surgia. Os sintomas de saudade tinham começado a se manifestar. Bateu um desespero. “Não faz nem uma hora que me despedi dele e já estou desse jeito. Tô ferrada. Como vai ser amanhã”?

Olhou para o relógio, quatro horas da manhã. Mudou de posição e abraçou o travesseiro, tentando aplacar a necessidade que sentia de ser abraçada. Passou a lembrar das análises profundas que, juntos, fizeram de sua situação. Da franqueza com que admitiam seus sentimentos um para o outro. Doeu pensar que não teriam esse tipo de conversa nunca mais. O nunca mais doía. “Não pira. Deixa de ser dramática. Foi melhor assim e você sabe. Pensa no lado bom, vai”. Fez força para pensar positivo. Então se lembrou de várias outras conversas, das conclusões e dos conselhos. Do quanto conseguiam ser ao mesmo tempo românticos incorrigíveis e irritantemente racionais. Lembrou-se do jeito anti-herói e atrapalhado. Das histórias engraçadas e dos contratempos. De como ele a fazia rir, da vida e de si mesma.  E das coisas que aprendeu com ele, mesmo sem ele saber.

Sem perceber, já estava rindo alto, sozinha. E ficou rindo assim mais um tempo, quase feliz, até adormecer.

Animais de estimação, tô fora!

20 ago

Gael feliz da vida no dia em que ganhou os periquitos

Eu tive poucos animais de estimação na infância. Minha mãe nunca curtiu muito e não cedia aos meus apelos por um cachorro ou um gato. Acho que no fundo ela sabia que sobraria para ela mesmo, pois nunca tive jeito com os bichos. Embora até tentasse.

 Certa vez, depois de muita insistência consegui um pintinho, que vendia no Mercadão da cidade. Vinha dentro de uma caxinha de papelão cheia de furinhos. Enquanto ele ficou lá dentro, fui a criança mais feliz do mundo. Mas quando chegamos ao quintal e ele foi solto, teve início meu tormento. Eu morria de medo dele! Quanto mais ele crescia, maior meu pânico. Até que um dia, já pinto feito, ele desapareceu. Segundo relatos da época, foi vendido ao dono da banca de jornais. Coincidentemente, neste mesmo dia o almoço foi frango ensopado.

 
Me lembro também de ter tido um casal de peixinhos. Coisa mais linda. Comprei aquário, comida, enfeite. Jurei ser a melhor cuidadora de peixes do mundo. Morria de medo deles passarem fome, então a cada cinco minutos jogava uma comidinha lá, para garantir. Duraram dois dias. Morreram por excesso de alimentação e tiveram direito a funeral e enterro. Foi triste.
 
Ah, teve a tartaruga ( na verdade um jaboti, mas só aprendi a diferença há uns dois anos) que ganhei para me curar da bronquite e funcionou.  Logo nos primeiros dias dela em casa, choveu e a protegi com uma caixa de sapato, mas esqueci de resgatá-la ao final da chuva. Lembrei só no dia seguinte, mas a bichinha era forte e saiu dessa. Ficou com a gente até eu fazer uns 12 anos. Naquela vidinha sem-graça. Depois minha mãe deu para o pedreiro que fazia uma reforma lá em casa. Acho que foi melhor pra ela, a vida na minha casa era uma chatice, coitada.
 
No meu aniversário de 18 anos minhas amigas me deram um poodle toy. Minha mãe ficou super feliz, imaginem.  Cuidei bem dele, dei todas as vacinas, aguentei o choro noturno do baby dog. Foi um mês intenso de amor. Daí chegaram as férias, passei na faculdade e precisei comemorar em Maresias. “E o cachorro?”, perguntou minha mãe. “Ah, ele aguenta uma semana sem mim”, respondi. Bom, quando cheguei minha mãe já tinha passado o Pip’s pra frente. Deu pra minha tia. Eu nem pude reclamar, pois estava arrumando as malas pra mudar pra São Paulo e não tinha mesmo condição de levá-lo comigo.
 
Dez anos depois, morando sozinha eu decidi investir novamente no mundo aquático e comprei um peixe beta. Ou melhor, três, num espaço de dois meses. Morreram todos sem que eu descobrisse a causa. Mas eu estava realmente a fim de me dedicar ao mundo animal. Era um espécie de desafio, antes de casar e ter filhos, sabem? Meu marido ( então namorado) comprou um casal de hamsters para nós. Aquelas bolinhas de pelo eram tão fofinhas. Na primeira semana, um deles teve uma doença no sistema nervoso e pirou. Passei uma noite com ele agonizando, sem dormir e chorando. Dia seguinte levei ao veterinário, que o internou, à espera da morte. Morreu antes do anoitecer. Triste demais. O companheiro ficou traumatizado com a morte prematura e se transformou num rebelde. Mordia quem chegasse perto. Resultado: peguei pânico dele e depois de mais uns meses insistindo, doei o bicho. Nunca mais sequer perguntei se estava vivo. Era o fim das minhas tentativas frustradas de ter um bicho de estimação. Ou não…
 
Um dia a escolinha do meu filho resolveu presentear os aluninhos com um peixinho, daqueles minusculos. Claro que ele adorou. Lá vai a mama comprar comida de peixe, providenciar aquário. Já estava começando a me afeiçoar ao peixinho quando ele surgiu morto no meio da minha cozinha. Saltou do aquário e deu um fim a sua vidinha medícocre. Dessa vez preferimos nem contar ao Gael, que sinceramente nem deu a falta do amigo.

Quando achei que tinha superado minhas tragédias com o reino animal, lá vou eu envolvida com os bichos novamente. Gael ganhou um casal de periquitos. Por um tempo só almoçava se  aves estivessem junto, quase matava os dois de infarto de tanto bater na gaiola. Uma alegria só. E a gente tendo que limpar gaiola, colocar comida, proteger do frio. Agora sim eu entendi o que minha mãe queria dizer… Mas enfim, por ele vale tudo. Até que inesperadamente um dos periquitos apareceu morto na gaiola. Assim, de uma hora para outra. Morreu mesmo feito um passarinho. Lá vamos nós explicar o sentido da vida e da morte para Gael. Ele não entendeu muito, mas ao menos ainda sobravava um periquito.

O tempo passou. Estava conosco há 5 meses, era parte da família. Eu já pensava até em dar um upgrade na gaiolinha dele. De repente, não mais que de repente, a gaiola amanheceu vazia e torta. Esqueci o passarinho para fora durante uma noite e ele foi brutalmente assassinado por um gato. Sobraram penas e um rastro de sangue. Ainda não sei o que dizer ao Gael. Só tenho certeza de uma coisa: bicho de estimação NUNCA MAIS!

Paradoxos e personagens: quais são os seus?

19 ago

Ontem assisti Comer, Rezar e Amar no cinema. Não sei se vocês leram o livro (que indico, pois é muito bem escrito em inglês – não sei como ficou a tradução para o português) que tem leitura leve, cheia de boas informações, boas frases e insights… Foi  interessante observar como as partes que eu “julguei” estarem ausentes na telona representarem exatamente as partes em que eu me identifiquei mais ao ler o livro. É assim com a vida, não é mesmo? Gostamos de um livro, um filme, uma música, porque, de alguma forma, eles tem algo de semelhante com a gente… Eles trazem características com as quais nos identificamos.

      Acredito que a maioria das mulheres se identifica com a Liz (protagonista): estamos sempre nos transformando, apaixonando… nos perdendo e encontrando… Também estamos (agora homens e mulheres) sempre em busca do amor, mas ao mesmo tempo temos medo de nos entregar. Esse é um dos grandes paradoxos da vida: o que mais buscamos é amor, no entanto temos medo dele, não nos julgamos dignos dele… Queremos escutar palavras doces, mas preferimos falar as duras, com medo de dizer o que realmente importa e parecermos tolos ou não correspondidos… Procuramos a felicidade, entretanto nos deixamos aborrecer com todas as coisas insignificantes que acontecem… Paradoxo, paradoxo, paradoxo!!

      Grandes mestres orientais e ocidentais dizem que um dos caminhos para a felicidade está em compreender e aceitar que a vida é feita de paradoxos. O filme mostra muito isso. A protagonista primeiro viaja para a Itália, onde passa por uma orgia gastronômica de restaurante em restaurante, entregando-se totalmente aos prazeres do vinho e das massas. Em seguida, segue para a Índia, onde se enclausura em uma espécie de retiro, onde segue dieta vegetariana e medita todos os dias. Por fim, vai parar em Bali, onde é melhor eu não dar detalhes caso você não tenha lido o livro… Enfim, ela prova que é ok mudar de opinião, amigos, dieta, roupa…, pois nossa essência sempre permanece lá e porque é assim que crescemos.

      Inspirada no filme deixo aqui duas sugestões: tente passar um dia sem julgar as pessoas porque elas agiram de forma oposta ao que afirmaram ou prometeram. Será libertador não gastar sua energia julgando e apontando os paradoxos alheios (até porque você também está cheio deles). A segunda dica é começar a observar que tipo de livros e filmes você gosta de ler/ver. O que você procura neles? Ação, romance, suspense? Personagens felizes, deprimidos, corajosos, otimistas, dramáticos? Eles dizem muito de você… Apenas observe, sem julgamentos!  Divirta-se e Namaste!

 Sobre o filme: Julia Roberts é fenomenal! Vale o salário que ganha. A trilha sonora poderia ter sido menos clichê. Javier Bardem tenta, mas não convence (não darei mais detalhes para não estragar), entretanto está desculpado porque ele é um charme só. O roteiro poderia ter sido bem melhor, idem para a direção. As locações são fantásticas. A vontade é de sair do cinema, fazer as malas e partir… Ai Ai…

Walk away

18 ago

 

Há dias que ninguém melhor que o Ben Harper para falar por nós.

Não achei o videoclipe oficial, esse video é bem fraquinho, mas a música Walk Away é linda de doer. E dói.

Enjoy!

 

La Despedida

16 ago

Não sou boa em decretar o fim de coisas. E também não sou muito chegada em despedidas. Dramática e exagerada como boa sagitariana, sofro, choro, fico triste. Penso que vou sentir falta de tudo, de cada pequeno detalhe.  Tenho fobia da expressão nunca mais.  Prefiro substituí-la sempre que possível pela expressão por enquanto.

A tal arte do desapego,  tão em voga desde que os ensinamentos do Dalai Lama caíram no gosto de Hollywood e do mundo ocidental, me pareceu sempre muito difícil de aplicar. Acho lindo na teoria, mas impraticável em determinados momentos. Pelo menos para mim. E quando falo de apego, é no sentido sentimental mesmo, não no material. Sou  extremamente apegada às coisas que me despertam amor.

Estou de mudança novamente. Dessa vez uma mudança não só geográfica, mas de vida. É um processo muito mais interno do que externo, difícil de explicar. Então peguei emprestado esse espaço “público” para me despedir.  Estou dando adeus a uma versão   “dark and twisty” de mim,  à minha cidade que embora não seja natal, é como se fosse, ao convívio diário com meus pais e minhas amigas de infância, ao sonho de tocar a empresa da família, à nossa linda e espaçosa casa tão pertinho da natureza e à pessoas que foram essenciais nessa jornada espinhosa!

Eu sei que estou fazendo a coisa certa e pensar em  TODAS as coisas que vou ganhar me deixa bem feliz. Mas como cada escolha é sinônimo de uma renúncia, estou triste pelo que terei de renunciar. Eu sinto que as pessoas em geral não nos permitem (nem se permitem) sentir tristeza. Como se fosse alguma doença contagiosa da qual devemos fugir que nem diabo foge da cruz! Será tão errado assim lamentar o fim?

Para mim, viver a tristeza dá sabor especial à felicidade quando ela vem. Como se depois de experimentar o ruim, o bom ficasse ainda melhor.  Faz a gente dar valor, mais valor pelo menos.  Mas quem sou eu para dar conselhos a alguém?

Para acompanhar o clima melodramático, lembrei dessa  canção do músico francês Manu Chao, La Despedida, que tem um título bem apropriado, além disso a letra é linda, umas das mais belas canções de amor! Enjoy! 

Tchau Rio Preto!

Oi Ribeirão!

Doar é multiplicar

13 ago

     Trabalho Voluntário. Muito mais do que doação monetária, doar o seu tempo e a sua atenção a uma causa, organização ou mesmo uma pessoa que precise é absurdamente recompensador! Uma das principais leis da natureza é a lei do dar e receber. Ela diz que quanto mais oferecemos e doamos, mais recebemos – mas, atenção, quando a doação é feita de coração aberto e não como moeda de troca ou cheia de expectativas. Usando uma frase linda do Mahatma Gandhi, “Seja a mudança que você quer ver no mundo”. Logo, doe aquilo que você quer ter na sua vida!! Comece a mudança por você e logo veja que o mundo ao seu redor mudou também!

      A lei do dar e receber é bem simples: quanto mais doamos mais energia temos para seguir ofertando e o Universo se encarrega de nos trazer de volta aquilo que estamos precisando no momento! Se você procura amor na sua vida, comece sendo uma pessoa totalmente amável! Passe a tratar todos, ressaltando, TODOS, com amor e logo você verá como você vai receber muito mais carinho de gente que você nem imaginava. Se você quer ter paz na sua vida e rotina, seja uma pessoa pacífica. Páre de reclamar de tudo ou de encrencar com todo mundo por pouca coisa… Escolha pensamentos, atitudes e ações pacíficas (principalmente com você mesmo (a)). A energia de passividade entrará na sua vida sutilmente e logo você vai ver que seus dias estão bem mais leves e você em paz.

      O mesmo funciona para dinheiro (dinheiro é energia e energia estagnada não flui e não volta para você), alegria (esteja sempre alegre e contente), emprego novo (ajude alguém a encontrar um novo emprego ou a conseguir mais clientes)… Ofereça aos outros aquilo que você quer multiplicar na sua vida e você receberá de volta na medida certa! Doar é porta de entrada para abundância na vida! Não tem erro! É fácil começar o processo? Não muito… Demanda força de vontade e coração aberto para você ser amorosa (o) com quem te trata mal ou para ser alegre em um emprego que você não gosta. Mas, como tudo na vida, disciplina é a dica e o que pode ser difícil no princípio logo se torna muito fácil (se feito de coração). Tente por três dias e depois me conta como foi!

      Trabalho voluntário se encaixa perfeitamente no dar e receber, porque é quando realmente doamos sem esperar nada em troca! Eu adoro ajudar! É da minha natureza. Nessas férias sou voluntária em um abrigo aqui em Miami e passei mais de um mês ajudando a entreter crianças entre 5 e 7 anos no Summer Camp do abrigo. Foi uma experiência mágica! Conversar com eles, escutar frases super inteligentes e outras um cado tristes… Mas tudo faz parte né?! Sempre penso que posso ser uma potencializadora de paz e amor (assim como você e qualquer ser humano que tenha esse desejo) e foi isso que fiz com as crianças. Na segunda semana todos já me abraçavam quando eu chegava na sala de aula e para mim não tem retribuição maior do que essa!

      E não adianta alegar falta de tempo para ajudar não viu! Todo mundo consegue arrumar uma hora por semana, ao menos, para ler histórias para crianças ou idosos, para ajudar a pintar parede, ajudar a cozinhar ou distribuir sopas, enfim, muitas atividades podem ser feitas. Elas são importantes também para você ver a vida abençoada e farta que tem e para parar de reclamar porque não pôde comprar aquela bolsa ou relógio super caros esse mês. Ver a realidade fora da sua “cerca” te dá perspectiva e te faz acordar para mesquinharias e materialismos vazios que todos nós temos e não nos acrescentam nada…    

      Muitas vezes quem está ao nosso lado, bem pertinho, também pode ser o beneficiado (a). Que tal ir almoçar com sua avó e escutar pacientemente as histórias dela mais uma vez? Ou brincar com seus filhos por duas horas sem celular, computador ou TV ligados? E cozinhar um jantar supimpa para o seu maridão (ou mulherão) e depois oferecer uma massagem relaxante (nesse caso o receber em troca virá bem mais rápido!!)? Se você reclama que ninguém te escuta ou dá atenção, comece você a estar 100% presente na presença dos outros… Lembre-se, doe de coração aberto aquilo que você quer ter em abundância na sua vida. É mágico e funciona! Eu estou doando muito amor, paz, alegria, criatividade e abundância para você caro leitor!! Beijo grande e Namastê!

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