São Paulo e eu: uma história de amor

3 ago

Meu lugar favorito de São Paulo : avenida Paulista

Eu nasci em São Paulo e fui criada em Rio Preto. Voltei a morar lá aos 18, para fazer faculdade. A relação começou difícil. A cidade feiosa e cinza demorou a me conquistar. De início eu fugia sempre que podia. Até que um dia, de forma meio sorrateira, me vi apaixonada. E o amor foi recíproco. A gente se entendia, ela me acolhia. Suas ruas, mesmo sujas, me traziam sensação de “lar doce lar”. Eu fui descobrindo seus segredos, seus cantinhos privilegiados. Seu mau humor expresso em forma de congestionamentos e violência não me afetavam. Eu não tinha carro nem medo. 

Então criamos uma relação sólida, duradoura. Aquilo seria amor eterno. Eu aceitava seus defeitos, ela aceitava os meus. Ela me oferecia tanta coisa, o mundo ao meu alcance ( e praias a 100km) e não pedia nada em troca ( talvez um pouco de respeito e cidadania). E me deixava livre para ser quem eu quisesse ser. Era um casamento perfeito. 

Mas eu sou volúvel. Acabei me apaixonando por outra. Fiquei enloquecida e quis mudar para lá. De repente o cinza ficou too much for me. Eu queria todas as cores, especialmente o azul esverdeado do mar de Ipanema. E pra lá me fui. Seduzida pela malandragem e malemolência cariocas. Obviamente era uma relação fadada a não vingar. Paixão fulminante, mas pra durar só um verão. Fiz minhas malas e voltei, com o rabinho entre as pernas. 

São Paulo me recebeu de braços abertos. Consciente de suas limitações, aceitava essas escapadelas sem grandes traumas. No entanto a insatisfação se instalou de forma crônica dentro de mim. Pensava em formar um família e morar num lugar cheio de verde, sem trânsito, viver um comercial de margarina todos os dias. Eu não tinha forças para abandoná-la sozinha, mas encontrei um louco que me ajudou a fugir. E novamente fui embora, quase sete anos atrás. 

Que separação difícil! Tanto tempo depois ainda me dói cada despedida, me alegra cada reencontro. Parece que foi ontem. A imensidão de prédios e concreto é o único lugar em que eu me sinto perfeitamente inserida. E que me inspira a correr atrás de todos aqueles sonhos impossíveis. Lá não sou mais nem menos. Sou mais uma e sou única. Sou eu!

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3 Respostas to “São Paulo e eu: uma história de amor”

  1. Livia 3 de agosto de 2010 às 6:17 pm #

    Ammeeeeei!!! Amiga, sinto a mesma coisa!!! São Paulo abraça tudo e a todos e adoro isso!! Ao mesmo tempo lamento a brutalidade que existe e a robotização das pessoas… Mas, enfim, é a vida né!!! ADorei share São Paulo com vc!! Lembra dos nossos cinemas, cafés, compras (você sempre me largando sozinha da 25!! hahahaha), almoços (vegetariano yumi), baladas!! Delícia!!! Amei o texto! Super inspirador! bjos

  2. Lívia Komar 3 de agosto de 2010 às 11:52 pm #

    Nossa, que definição LINDA!
    São Paulo é uma cidade difícil, mas quem já viveu lá, só sabe enaltecer suas qualidades…
    Sou de Ribeirão, vou muito pra SP e AMO essas visitas esporádicas; mas não me imagino vivendo rodeada por tanta urbanidade paulistana…

    • Fabiana Marques 4 de agosto de 2010 às 12:04 am #

      É aquele amor meio de mulher de malandro sabe? Que apanha mas não aguenta ficar longe… rs

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