Animais de estimação, tô fora!

20 ago

Gael feliz da vida no dia em que ganhou os periquitos

Eu tive poucos animais de estimação na infância. Minha mãe nunca curtiu muito e não cedia aos meus apelos por um cachorro ou um gato. Acho que no fundo ela sabia que sobraria para ela mesmo, pois nunca tive jeito com os bichos. Embora até tentasse.

 Certa vez, depois de muita insistência consegui um pintinho, que vendia no Mercadão da cidade. Vinha dentro de uma caxinha de papelão cheia de furinhos. Enquanto ele ficou lá dentro, fui a criança mais feliz do mundo. Mas quando chegamos ao quintal e ele foi solto, teve início meu tormento. Eu morria de medo dele! Quanto mais ele crescia, maior meu pânico. Até que um dia, já pinto feito, ele desapareceu. Segundo relatos da época, foi vendido ao dono da banca de jornais. Coincidentemente, neste mesmo dia o almoço foi frango ensopado.

 
Me lembro também de ter tido um casal de peixinhos. Coisa mais linda. Comprei aquário, comida, enfeite. Jurei ser a melhor cuidadora de peixes do mundo. Morria de medo deles passarem fome, então a cada cinco minutos jogava uma comidinha lá, para garantir. Duraram dois dias. Morreram por excesso de alimentação e tiveram direito a funeral e enterro. Foi triste.
 
Ah, teve a tartaruga ( na verdade um jaboti, mas só aprendi a diferença há uns dois anos) que ganhei para me curar da bronquite e funcionou.  Logo nos primeiros dias dela em casa, choveu e a protegi com uma caixa de sapato, mas esqueci de resgatá-la ao final da chuva. Lembrei só no dia seguinte, mas a bichinha era forte e saiu dessa. Ficou com a gente até eu fazer uns 12 anos. Naquela vidinha sem-graça. Depois minha mãe deu para o pedreiro que fazia uma reforma lá em casa. Acho que foi melhor pra ela, a vida na minha casa era uma chatice, coitada.
 
No meu aniversário de 18 anos minhas amigas me deram um poodle toy. Minha mãe ficou super feliz, imaginem.  Cuidei bem dele, dei todas as vacinas, aguentei o choro noturno do baby dog. Foi um mês intenso de amor. Daí chegaram as férias, passei na faculdade e precisei comemorar em Maresias. “E o cachorro?”, perguntou minha mãe. “Ah, ele aguenta uma semana sem mim”, respondi. Bom, quando cheguei minha mãe já tinha passado o Pip’s pra frente. Deu pra minha tia. Eu nem pude reclamar, pois estava arrumando as malas pra mudar pra São Paulo e não tinha mesmo condição de levá-lo comigo.
 
Dez anos depois, morando sozinha eu decidi investir novamente no mundo aquático e comprei um peixe beta. Ou melhor, três, num espaço de dois meses. Morreram todos sem que eu descobrisse a causa. Mas eu estava realmente a fim de me dedicar ao mundo animal. Era um espécie de desafio, antes de casar e ter filhos, sabem? Meu marido ( então namorado) comprou um casal de hamsters para nós. Aquelas bolinhas de pelo eram tão fofinhas. Na primeira semana, um deles teve uma doença no sistema nervoso e pirou. Passei uma noite com ele agonizando, sem dormir e chorando. Dia seguinte levei ao veterinário, que o internou, à espera da morte. Morreu antes do anoitecer. Triste demais. O companheiro ficou traumatizado com a morte prematura e se transformou num rebelde. Mordia quem chegasse perto. Resultado: peguei pânico dele e depois de mais uns meses insistindo, doei o bicho. Nunca mais sequer perguntei se estava vivo. Era o fim das minhas tentativas frustradas de ter um bicho de estimação. Ou não…
 
Um dia a escolinha do meu filho resolveu presentear os aluninhos com um peixinho, daqueles minusculos. Claro que ele adorou. Lá vai a mama comprar comida de peixe, providenciar aquário. Já estava começando a me afeiçoar ao peixinho quando ele surgiu morto no meio da minha cozinha. Saltou do aquário e deu um fim a sua vidinha medícocre. Dessa vez preferimos nem contar ao Gael, que sinceramente nem deu a falta do amigo.

Quando achei que tinha superado minhas tragédias com o reino animal, lá vou eu envolvida com os bichos novamente. Gael ganhou um casal de periquitos. Por um tempo só almoçava se  aves estivessem junto, quase matava os dois de infarto de tanto bater na gaiola. Uma alegria só. E a gente tendo que limpar gaiola, colocar comida, proteger do frio. Agora sim eu entendi o que minha mãe queria dizer… Mas enfim, por ele vale tudo. Até que inesperadamente um dos periquitos apareceu morto na gaiola. Assim, de uma hora para outra. Morreu mesmo feito um passarinho. Lá vamos nós explicar o sentido da vida e da morte para Gael. Ele não entendeu muito, mas ao menos ainda sobravava um periquito.

O tempo passou. Estava conosco há 5 meses, era parte da família. Eu já pensava até em dar um upgrade na gaiolinha dele. De repente, não mais que de repente, a gaiola amanheceu vazia e torta. Esqueci o passarinho para fora durante uma noite e ele foi brutalmente assassinado por um gato. Sobraram penas e um rastro de sangue. Ainda não sei o que dizer ao Gael. Só tenho certeza de uma coisa: bicho de estimação NUNCA MAIS!
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2 Respostas to “Animais de estimação, tô fora!”

  1. Patricia 21 de agosto de 2010 às 3:41 pm #

    Que história triste!! Vou relutar bastante para não ter animais de estimação para o meu pequeno depois desta história sua! Tadinho do Gael e principalmente de vc, acho que a gente fica mais triste que os pequenos né?
    E mesmo esta história “triste”, adoro a forma com o vc escreve!

  2. Lívia Stábile 21 de agosto de 2010 às 6:54 pm #

    Puxa amiga… sinto muito! Apesar de admitir que dei boas risadas com o texto… MAs nunca diga nunca ein?!!! Saudade e beijos

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