A dor e a delícia de ser o que é…

24 ago

 

 Ego. Eu tremia só de ouvir… Temido por alguns, amado por outros e absolutamente ignorado (conscientemente falando) por muitos, ele é a parte “dentro de você” que, muitas vezes, faz com que você aja de maneira não tão positiva e/ou encare a vida de forma muito mais complicada do que ela realmente é. Para o bem ou para o mal (sim, existe o lado positivo dele existir) ego todo mundo tem, logo é melhor aprender a lidar com ele de uma vez por todas! Ein? Você não tem ego não? Pois é o seu ego que está te convencendo de que você não o tem pra seguir te comandando sem você saber! Estribeiras nele meu amigo!

Existem dezenas de definições para o ego. No Michaelis by UOL temos: Experiência que o indivíduo possui de si mesmo, ou concepção que faz de sua personalidade; em psicanálise, apenas a parte da pessoa em contato direto com a realidade, e cujas funções são a comprovação e a aceitação dessa realidade. Freud (explicando mega superficialmente) diria que o ego é meio que o gerente da sua mente. Ele lida com a realidade e controla sua personalidade. Eu não gosto muito dessa definição porque coloca o ego positivamente como comandante da consciência, o que está mais do que claro que não o é, já que muitas vezes ignoramos totalmente nossa consciência e agimos de maneira errada ou ridícula por conta do ego. A consciência, meus caros, tem muito mais inteligência que o ego.

Então quem é esse tal de ego? Bem, de acordo com as filosofias orientais, ele é a parte de você que se identifica com algo, que seja sua profissão, seu corpo, sua posição na família, trabalho e sociedade ou mesmo o que você possui. Logo, meu ego me diria que eu sou uma jornalista, professora de Yoga, meditação e Ayurveda, 30 anos de idade, filha, irmã, ex-mulher, 1,72 metros, 59 quilos (talvez 60, ui! Olha o meu ego surtando com meu peso!), estudante de mestrado, etc. Ele se identifica totalmente com esses títulos e faz de tudo para mantê-los. Foi ele, por exemplo, que se estressou porque eu larguei um emprego estável no Brasil. Eu mesma, ou seja, minha alma (ou minha consciência), estava super relax e feliz com a mudança!

O ego precisa de segurança. O que é uma grande cilada, já que nada nessa vida é seguro. Exemplos? Dois aviões entraram de bico nas duas torres gêmeas no país que se considerava o mais seguro do mundo. Um Tsunami surgiu do nada e infelizmente levou a vida de muitos, esse ano foi um terremoto que devastou o Haiti. Exemplos mais rotineiros: divórcio, morte, demissão, pé na bunda, assalto, gravidez, novas amizades, novo amor, nova carreira profissional… Quando aceitamos o paradoxo da vida e como “tudo muda o tempo todo no mundo” (segunda vez que cito Lulu, logo ele vai me cobrar) deixamos de escutar as reclamações e inseguranças do ego e levar a vida de uma maneira mais leve.

Comece a enxergar seus títulos e posses como algo passageiro. No começo vai dar medo, mas se você insistir será libertador!! Pois se você os “perder” não sofrerá! Um dos meus grandes professores, Dr. David Simon, diz que ele não possui nada, ele simplesmente está “momentaneamente tendo posse e cuidando” de algo ou até mesmo de seus filhos e esposa. Acho fantástico. Encare todos os seus títulos como personagens que você carrega dentro de você. Por exemplo (desculpa falar tanto de mim, mas é mais fácil para explicar), agora estou no papel de escritora de blog. Mais cedo estava no papel de irmã, quando fiz um favor para o meu irmão (fofo, te amo!). E hoje ainda devo interpretar o papel de professora (devo dar uma aula às 18h) e depois serei aluna (participando de uma aula de Yoga). Não é fantástico?!

Quando mudamos a percepção sobre quem somos realmente e o que fazemos, tiramos o peso das costas, pois se o papel de professora falhar eu ainda tenho muitos outros onde sou boa e muitos tantos que ainda terei e nem sei. Todos já fomos bebês, analfabetos, adolescentes… É uma constante criação e morte de personagens… como tudo na vida. Então, tente não se identificar tanto. Tente não se levar tão a sério. Se o seu ego se ferir porque te criticaram, mande ele a m… e saiba que onde existe crítica existe espaço para melhorar e criar. Ego ferido por conta de um fora? A fila anda meus amigos, de comprometido (a) você passou a solteiro (a), aproveite o novo papel! E por aí vai…

E quando o ego funciona positivamente? Bem, em raros casos quando estamos deprimidos e sem auto-estima e precisamos então, emergencialmente, nos identificar com as vitórias e fatores positivos do passado para nos reerguer e seguir em frente! Se esse não é o seu caso (e eu torço para que não seja) comece a observar seus pensamentos, atitudes e reações. Quem está os determinando? Seu coração ou seu ego? Pense nisso e, se quiser discordar comigo e achar esse texto uma bobagem: perfeito!!! Eu não levo meu ego a sério não!! Beijo grande e Namastê!

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4 Respostas to “A dor e a delícia de ser o que é…”

  1. Fabiana Marques 24 de agosto de 2010 às 5:04 pm #

    Eu me propus a duas coisas esse ano. Parar com a hipocrisia de julgar os outros e domar meu ego. Confesso que a primeira opção tá mais fácil de conseguir do que a segunda, mas… A gente continua tentando, rs. Beijos amada.

    • Lívia Stábile 24 de agosto de 2010 às 6:14 pm #

      Ótima decisão – as duas amada!!! Eu também sigo tentando! Cada vez a gente consegue melhorar um pouco mais!!! Beijosss

  2. Barbara 24 de agosto de 2010 às 6:17 pm #

    Fala Liviassita,

    Eu acabei de ler um livro muito interessante. O autor eh o Christian Boiron (particularmente ligado a homeopatia) e o titulo original eh “La source du bonheur est dans notre cerveau” – eu li a versao italiana “Le Ragioni della felicità”. Deve ter uma em ingles por ai tb.

    Invés de usar o conceito de ego, o Boiron explica que o cérebro é dividido em 3 partes: a primeira é automatica que nos permite caminhar ou falar sem ter que pensar; a segunda se refere aos comportamentos que adquirimos ao longo da vida e aos condicionamentos; a terceira é a mais evoluída e é aquela que nos permite raciocinar, desenhar, criar música, escrever.

    Achei o livro fantastico porque ele explica a origem do sofrimento, do medo, da raiva baseado em estudos sobre o cerebro e explica como entender as nossas emoções e reações para uma vida melhor.

    Enfim, tem toda uma hipótese e filosofia geniais, bem atualizadas com o momento em que vivemos. Fica a dica para vc e seus leitores.

    Alias, sigo sempre as suas historias e as da Fabi. Muito bacana o blog. Continuem!

    beijocas

    Babi

    • Lívia Stábile 25 de agosto de 2010 às 1:43 am #

      Babi adorei a dica!!! Pena que estou cheia de coisas para ler no mestrado… Mas vou anotar! PArece ser super interessante!! Obrigada pela dica! Saudade locona! beijosss e obrigada por ler!!!

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