Última chamada

15 set

                                                                  Fabi Marques         

                               

– Alô.

– Oi. Sou eu.

– Oi.

– Eu só preciso saber uma coisa: você está fazendo isso por mim ou por você?

– Isso o quê?

– Isso de nunca mais falar comigo.

 – (Suspiro)

– Nós combinamos que tudo voltaria ao normal, não combinamos? Ou foi muita ilusão minha acreditar que continuaríamos amigos?

– Não sei.

– Como não sabe? Você não se lembra?

– Não, não sei se foi muita ilusão.

– Você é muito estranho, cara.

– É, talvez eu seja mesmo.

– Você não tem mais vontade de conversar comigo?

– Claro que tenho.

– E o que você faz?

– Não faço nada.

– Nada?

– Nada.

– E eu? Faço o quê? Finjo que não me importo e que não quero te contar mais nada? Esqueço tudo?  

– Não é para esquecer, mas também não é para ficar lembrando toda hora.

– Não quer ser meu amigo, é isso?

– (Suspiro)

– Sério?!

– Não é que eu não queira. Simplesmente não dá, pelo menos por enquanto.

– Jura? E por que você não imaginou isso antes de ficarmos juntos? O que aconteceu com “We’re in this together” e blá blá blá?

– Desculpa. Eu não queria causar nada disso.

– Desculpa o caralho.

– Calma.

– Nada me deixa mais nervosa do que me mandar ficar calma, você sabe.

– Vai ficar tudo bem.

– Lógico que vai.

– Então.

– Mas agora não está tudo bem, entende? Num dia somos melhores amigos e no outro, só porque paramos de transar, não podemos mais nem conversar. Eu não entendo isso, nunca entendi.

– Me diz o que você quer que eu faça.

– Quero que você se importe, porra.

– Eu me importo.

– Como você consegue?

– Como eu consigo o quê?

– Nunca mais falar comigo e ao mesmo tempo se importar.

– Eu não disse nunca.

– Whatever. Como você consegue?

– É que eu sou bom em cumprir o que foi combinado.

– Ah é? Então por que você não cumpre a parte em que combinamos que continuaríamos amigos?

– É que antes de ficarmos amigos, precisamos dar um tempo sem nos falar.

– Esse seu tempo é muito subjetivo. Um tempo quanto? Seis meses? Um ano? Vinte anos? O resto da vida?                        

– Ha ha.

– Tá rindo de quê?

– Você é tão dramática que fica engraçado.

– E você é tão politicamente correto que fica chato.

– Tá.

– Tá o quê?

– Tá bom, só isso. Você quer falar mais alguma coisa?

– Quero.

– Fala.

– Porra! Mil vezes porra.

– É, concordo, mil vezes porra.

– Vamos nos despedir?

– Pela quarta vez?

– Não, seu mongo! Quis dizer agora, no telefone. Falar tchau.

– Ah tá.

– Beijo.

– Outro. Tchau.

– Tchau.

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3 Respostas to “Última chamada”

  1. Guilherme Leme 15 de setembro de 2010 às 12:37 pm #

    Morri! Como sempre, essas minhas amigas arrebentam no “Três nortes”. Porra, Fabi!

  2. Julia Husseini 15 de setembro de 2010 às 2:00 pm #

    ahahahahaha…

    “- Vamos nos despedir?

    – Pela quarta vez?

    – Não, seu mongo! ”

    Não sei se eu gosto mais dele ou dela!

  3. Gabi 20 de setembro de 2010 às 9:10 pm #

    Nossa! Fiquei com vontade de saber o resto da história? Continua?

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