Eu não nasci para ser mãe

28 set

 

Esse olhar diz tudo não é?

Nunca entendi direito o conceito “nascer para ser mãe”. Embora eu tenha amigas que afirmem isso categoricamente e outras que nem precisam dizer, pois está escrito em cada molécula de seu corpo. Mas comigo é diferente, nunca tive esse espírito maternal.

Não tenho lembrança de ter tido nenhuma boneca-bebê, não gostava de brincar de mamãe e filhinha e etc. Meu negócio eram Barbies descoladas, solteiras e sempre muito apaixonadas – mas sem filhos. Minhas historinhas nunca acabavam com “e eles casaram e tiveram muitos filhos”.

Ao contrário do meu marido, cujo maior sonho sempre foi ser pai, ter filhos para mim foi  uma conseqüência natural da vida e nunca um objetivo em si. E foi assim, naturalmente, que decidi (mos) engravidar. Senti pela primeira vez o desejo com o nascimento de minha afilhada, mas ainda achei cedo e esperei a vontade passar. Num dia dos namorados, nasceu a filha de outros amigos e fomos visitar. Embalada pela emoção e romantismo da data, disse ao meu marido saindo do hospital: “acho que hoje a gente pode começar a tentar”. E engravidei na primeira tentativa!

Apesar de feliz, fiquei um pouco assustada. Não imaginei que aconteceria tão rápido. Eu não me sentia totalmente preparada, então li todos os livros que estavam ao meu alcance e fiz o possível para ter a gravidez e o parto mais saudáveis do mundo. Na minha cabeça, era o melhor que eu podia fazer.

E então o Gael nasceu ( depois de uma gravidez tranquilíssima e um parto normal). Agora é a hora que vocês devem estar me esperando dizer : e a maternidade foi a coisa mais linda que me aconteceu. Mas aqui não. Posso escolher uma série de adjetivos para explicar o que a maternidade significou para mim, muitos deles positivos, mas nenhum  sinônimo de lindo.

A maternidade me deixou mais responsável, consciente e presente. Por outro lado me enlouqueceu, literalmente. A turbulência hormonal me causou um baby blues bem forte (não conseguia deixar meu marido sair de casa por mais de 30 minutos). Subverteu a ordem da minha vida, alterou drasticamente a dinâmica do meu casamento, exterminou minhas noites de sono por longos 10 meses, murchou meus peitos e manchou minha pele. Foi o ano mais difícil da minha vida (somado a uma mudança de cidade e carreira). Ser mãe é tudo, menos fácil e lindo.

Mas calma! Não estou aqui querendo acabar com o seu sonho de ser mãe ( ou pai). Ao contrário, estou querendo apenas que seu sonho seja mais pautado na realidade do que no mundo de fantasias das propagandas de fraldas infantis. E olha que meus livros me alertaram muito sobre isso ( A Encantadora de Bebês – excelente e minha biblia por um ano)!

Mas se você quer saber, eu passaria por tudode novo e quantas vezes fossem necessárias para ter o Gael na minha vida. Porque simplesmente não dá nem para imaginar mais o meu mundo sem aquela vozinha chamando “mamãe” todas as manhãs. Pois apesar de agora eu dormir mal pra caramba, não existe cena mais linda do que ver meu molequinho capotado no berço, durante a madrugada. Nada me satisfaz tanto quanto sentir o cheiro de sabonete daquela curvinha do pescoço, depois do banho. Ou ver aquela carinha gostosa rindo com todos os seus 12 dentes para mim. E, sem dúvida nenhuma, posso dizer que a melhor coisa do mundo é receber dele um abraço apertado e um beijo estalado. Por mim, a vida podia congelar neste instante e eu seria feliz para sempre. Porque eu não nasci para ser mãe, eu nasci para ser a mãe do Gael!

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24 Respostas to “Eu não nasci para ser mãe”

  1. Lívia Komar 28 de setembro de 2010 às 6:31 pm #

    Que lindo, Fabi! Um dia tbm estarei plenamente preparada para isso, sabendo das alegrias e perrengues. Mas ao contrário de vc, sempre sonhei em ser mãe…

  2. Katiane Junqueira 29 de setembro de 2010 às 12:34 am #

    Que lindo Fá! Que você seja sempre uma super mãe… louca a gente fica mesmo, mas os motivos pra ficarmos alegres são bem maiores. E olha, a primeira gravidez, o primeiro filho vem carregado de medos e incertezas… depois desaparece… daí, quando vem os outros a gente nem lembra mais q estava tao insegura.. hehehehe! Curte muuuuuuuuuuito esse momento com o Gael q é só seu! Beijo com muuuuuito carilnho pra vcs! Hare Krishna!

  3. patricia amaro 29 de setembro de 2010 às 4:52 am #

    Lindo, sincero! É preciso muita humildade para admitir o perrengue que é o começo da maternidade!
    Esta foto é linda e ilustra o propósito do post: vc nasceu para ser mãe do Gael!
    bjs

  4. Lívia Stábile 29 de setembro de 2010 às 11:01 am #

    Amada adoro sua honestidade! E penso o quanto o GAel te ensinou, principalmente sobre partilhar/dividir… Muito lindo!! Beijos

  5. Ricardo Borges 29 de setembro de 2010 às 6:49 pm #

    E pensar que eu avisei, “Juliano,cuidado que se voce relar na Maria Julia vai engravidar a Fa na hora”. Pimba, dito e feito. Naquele meu bebezinho de maternidade ainda tinha muita energia concentrada desse Borjão velho, careca mas cheio de energia.
    Muito legal o texto

  6. Lizzi Ruiz 29 de setembro de 2010 às 9:30 pm #

    Parabéns Fabiana,vc falou tuudoooo!!! Eu, ainda com tudo isso que vc passou,parto normal tbm, vim acompanhada de uma GRANDE depressao pós parto…mas nada é melhor que minha JULIA em meus braços.ESSE É O VERDADEIRO AMOR!!!Bjsss.

  7. Talita G. C. Guerra 30 de setembro de 2010 às 9:38 am #

    Que lindo prima! Realmente ser mãe não é nada fácil! Mas o sacrifício compensa, por tudo isso q vc falou! Mil beijos!

  8. Cleide Cáceres 30 de setembro de 2010 às 9:43 am #

    Menina, que lindo texto!!! Real e cheio de sentimento belíssimo (da maternidade).
    Olha, por incrível que pareça, apesar da distância no tempo, vc retratou tb a minha vida,rsrsrs, quem diria, hein?!
    Eu só não mudei de cidade e carreira, pq já havia mudado um pouquinho antes… com o casamento.
    Mtos bjs e mtas alegrias com o NOSSO GAEL… e JULIANO.

  9. fran 30 de setembro de 2010 às 10:59 am #

    Fa, vc retratou a maternidade como ela é, sem romantizar nem endeusar nada. Acho que foi uma experiência transformadora pra vc, assim como deve ser pra todas as mulheres… acho lindo a coragem que vc teve pra assumir todos os perrengues e abrir a boca pro mundo pra gritar “ser mãe deixa a teta caída e isso é uma bosta”. Pq é o que todo mundo pensa mas ninguém tem muita cara pra dizer. Afinal de contas todo mundo vê a maternidade como uma coisa muito mais divina do que humana. E não é.
    Lindo o texto!

    bjão.

  10. Guilherme Leme 30 de setembro de 2010 às 11:38 am #

    Pra variar, mais um texto fantástico! Beijos, Gui

  11. Fabi Marques 30 de setembro de 2010 às 12:01 pm #

    Obrigada pelos comentários!!! Fico feliz que as pessoas se identifiquem com o meu texto, ao invés de se assustar! Beijos!

    • Juliana 10 de maio de 2012 às 6:09 pm #

      Fá, comentário tardio, mas não poderia deixar de dizer que seu texto tem sim uma pitada de assustador, mas de uma realidade incrível que não tem como qualquer mulher honesta não se identificar! Eu amei! Obrigada por dividir sua experiência conosco e, se puder, quero o livro emprestado algum dia rsrs!
      Bjssssss pra vcs e pro Gael, uma das criânças mais fofas que eu já vi 😉
      Ju!

  12. Roberta 1 de outubro de 2010 às 1:43 am #

    Oi!

    Sou amiga-prima de Lívia. Me identifiquei da primeira à última linha com esse post. Pedro agora tá com seis meses – vivi e vivo as sensações que você descreveu de frente prá trás prá frente.

    Muito bom ler teu texto, um beijo!

  13. daniele parise 2 de outubro de 2010 às 4:35 pm #

    Primaaa verdade, tudo isso, enlouquecedor, mas vale a pena por cada sorriso, cada beijo, cada manha….
    No meu caso è tudo triplicado, vc sabe e me conhece, brincamos juntas, mas nunca na minha infancia brinquei de ser mamae.. e olha aqui eu com 3 pimpolhos! Sou mae, meio louca, estressadissima mas completamente apaixonada por eles! 🙂

  14. pin 4 de outubro de 2010 às 2:00 pm #

    Fabi, que linda conclusão, “nasci para ser mãe do Gael”. O amor é tudo, de mãe mais ainda! 🙂 Beijos

  15. bia fleury 9 de outubro de 2010 às 1:20 pm #

    Coisa mais linda esse texto! A mais pura verdade… que sincero! Me identifiquei muito pois foi extamente isso que senti. Beijos querida!

  16. Silvinha 18 de outubro de 2010 às 2:45 pm #

    Menina, me identifiquei muito com esse texto, porque eu ando meio assustada com o tema, mas ao mesmo tempo pensando muito no assunto. Nunca me senti naturalmente mãe e crianças não necessariamente me amam. 😛 Mas me fez ver que isso é normal. Obrigada demais pela sinceridade! 🙂

  17. Risia 10 de maio de 2012 às 11:59 am #

    Lindo e emocionante seu depoimento!!Também tenho minhas nóias com relação a maternidade. Agora com o casamento marcado, dps de 9 anos de namoro e a idade que bate, tem muita cobrança com relação a esse assunto…espero ser firme como vc relatou e esperar a nossa hora, pois diferente do seu marido o Roger não sonha em ser pai…mas tudo tem o seu tempo!A felicidade de vcs esta estampada na cara!Acho demais!!Párabéns!!
    beijos

    • Fabi Marques 10 de maio de 2012 às 12:40 pm #

      Obrigada Risia. Cada um tem sua hora e só o casal pode decidir! E qdo for a hora, tenha certeza de que vc e o Rogério se sentirão prontos, como se tivessem sido preparados para isso a vida inteira! A natureza é sábia demais e o amor de pais é a melhor coisa do mundo! Boa sorte! Beijos

  18. Ela 25 de maio de 2012 às 4:01 am #

    A maternidade é cantada em verso e prosa de uma maneira hipócrita. Ela “não são flores”, apesar dos amores. Sinceramente, a mim me irrita muito a ditadura do amor de mãe. Detalhe, tenho 2 filhos muito desejados e amados.

  19. Sílvia Fernanda 13 de julho de 2012 às 3:46 pm #

    Olá! Parabéns pela coragem de falar dessa forma! Estou passando exatamente pela mesma coisa que você passou, sendo que, às vezes, acho que nunca mais vou ter paz na minha vida. Também nunca me identifiquei com a frase “nasci para ser mãe”. Comecei a ler seu texto e logo me identifiquei, pois engravidei nas mesmas circunstâncias que você. Minha filha está com 6 meses e é a coisinha mais linda e fofa desse universo, mas não suporto ouvir o choro dela de bebê que está caindo de sono e não consegue dormir. Nem brinca, nem fica quieta, nem dorme. É só enjoada o tempo inteiro! E o pior: deixei meu emprego só para me dedicar a ela. Mas não sei se vou aguentar muito tempo. Espero que, como você, eu passe a ver a maternidade com outros olhos, depois que a poeira baixar. Se baixar! Obrigada pelas palavras. Só assim vejo que não estou só no barco.

    • Fabi Marques 24 de julho de 2012 às 6:29 pm #

      Silvia, fico feliz de verdade que tenhas se identificado. A intenção é justamente pintar a maternidade com cores mais reais. Mas olha, te garanto, fica cada dia melhor e mais gostoso! Boa sorte!

  20. Rosa 4 de fevereiro de 2013 às 8:15 am #

    Faz tempo que você escreveu esse post, né?
    Mas foi bem em tempo de eu ler.

    Gostei muito da sua sinceridade. Também curto muito esse jeito de dizer a verdade, mas nem sempre posso fazer isso. Principalmente nessa questão da maternidade.

    Tenho 34 anos e sou casada desde 2004, tirando uma inda e vinda. Mas hoje o casamento está bom, quer dizer… quase bom. Tem essa questão da maternidade que é super complicada para mim.
    Complicado porque meu marido gosta de crianças e eu, a cada dia que passa, diminuo qualquer possibilidade de querer ser mãe um dia.

    Sei que para muitos parece egoísmo, e talvez até seja mesmo, mas é que eu não me sinto vocacionada para acordar de madrugada, perder meu tempo livre que usava para viagens, passeios e etc. Acredito que quando se tem um filho o seu tempo fique voltado para essa nova responsabilidade e a gente vive para outra pessoa. Não que isso seja ruím, mas é que não sinto vontade de passar por este acontecimento.

    Não posso dizer que me sinto bem com o meu jeito de ser. Na verdade queria ser como a maioria das mulheres, que sonham e serem mães. Seria mais simples ser como a maioria do que ser diferente.

    Bem o falto é que o tempo está passando e eu preciso encontrar coragem para dar um passo como este. Sinto muito em dizer mas farei mesmo por meu marido, pois o amo muito. Mas eu queria ser uma boa mãe ao menos. Claro que eu sei que não vou ser mãe babona, que acha lindo qualquer besteirinha que a criança faça, mas queria ao menos ser atenciosa. Acho que a criança não tem culpa na minha falta de vocação.

    Acho que ler seu texto me ajudou a acreditar que é possível alguém que não teve vontade de ter um filho, ser uma mãe legal.

    Abraço e fique com Deus.

    • Fabi Marques 4 de fevereiro de 2013 às 8:31 am #

      Rosa
      Calma! No fim dá tudo certo. Acho que ninguém tem vocação para acordar de madrugada e perder seu tempo livre. Mas isso é um ônus do maior bônus do mundo. Mas sim, é um ônus sofrido. Entretanto essa fase dureza dura 1 ano, depois melhora muito e vc nem lembra direito. O amor , a maternidade, o cuidado com o bebê, tudo isso aparece de forma meio natural em meio ao caos. Tô até querendo encomendar o segundo! Imagine! Uma pessoa me disse algo outro dia, que me fez resolver ter o segundo. ” Ninguém se arrepende de ter tido um filho. Mas alguém pode se arrepender de não tê-lo tido”. Vale a reflexão! Boa sorte! ( mas acho tbm válida a decisão de não ter filhos. é uma escolha que vc tbm tem o direito de fazer e deve ser respeitada por ela!)

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