A tal da licença poética

5 out

A "feia" da Julia Roberts em ação como Liz Gilbert

Sempre que um livro é adaptado para o cinema eu fico curiosa para ver a nova versão. Embora na maioria das vezes o resultado fique aquém da versão literária ou, no máximo, tão bom quanto. Eu desconheço qualquer filme que tenha ficado melhor que o livro.

Um dos casos em que a adaptação para as telonas foi fidelíssima e me agradou justamente por isso, foi Ensaio sobre a Cegueira, de Fernando Meirelles. Ele retratou muito bem o mundo caótico narrado por Saramago, tanto que o próprio autor se emocionou ao assistir o longa. Mas Meirelles recebeu muitas críticas justamente por não ter inovado nada.

Eu discordo das críticas. Para mim versão boa é a que respeita a original. Eu não consigo engolir a mania que Hollywood tem de fundir dois personagens em um só, inventar diálogos que nunca existiram ou alterar o enredo para ficar mais comercial. Me apego à historinha ( que novidade eu apegada a alguma coisa) e fico extremamente desapontada quando viajam demais na maionese. Não gosto da tal da licença poética.

E foi mais ou menos por isso que não gostei do filme Comer, Rezar, Amar. ( Tá, eu sei que esse filme já foi tema de um post da Livia, mas a gente sempre vê as coisas sob perspectivas tão diferentes que dá pra voltar ao tema) Eu li o best seller duas vezes, uma delas semana passada. Portanto tinha cada passagem bem fresca na memória, então foi um choque ver as mutilações que ele sofreu. Especialmente na parte que se passa na India ( o Rezar), que foi justamente com a qual mais me identifiquei. No filme a experiência foi resumida às frustradas tentativas de meditação da protagonista. Foi feito para rir, mas eu sinceramente quase chorei quando li. Fora outros tantos detalhes que não rola listar aqui para não tornar este o post mais chato do ano.

Tá, posso estar sendo radical. Eu geralmente sou assim quando gosto demais de alguma coisa. Entretanto o longa definitivamente não me convenceu. Talvez, se eu tivesse assistido primeiro ao filme para depois ler o livro, pudesse ter gostado mais. Aliás, quando é assim eu geralmente curto a experiência. Ver o filme me desperta a vontade de ler e a leitura é sempre mais prazerosa. Fica a dica! Mas isso aqui é apenas a minha opinião. Não quer dizer que o filme seja ruim ( não é), fui eu que não gostei, entende a diferença?

Duas observaçães ultra mega relevantes sobre a produção americana: A Julia Roberts é irritantemente linda e sexy. Tenho um desejo literal de cortar os pulsos quando a vejo.

Já o Javier Bardem, que para muitas mulheres é o auge da gostosura, me causa mais uma sensação de estranhamento. Sei lá, a assimetria do rosto dele me incomoda muito, quase não consigo prestar atenção no que ele diz. O que neste caso é uma boa pedida, porque ele fingindo que fala português ( é brasileiro no filme) está pior que o Joel Santana falando inglês.

Vocês se lembram daquele filme Showbar ( Coyote Ugly)? A protagonista sai do interior dos EUA e vai para NY onde vira bartender? Pois é, a mocinha em questão é a autora de Comer Rezar Amar, Elizabeth Gilbert. Segundo livro autobiográfico dela que vira filme!

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4 Respostas to “A tal da licença poética”

  1. Livia 5 de outubro de 2010 às 6:48 pm #

    Amada adorei o texto! Eu concordo com vc 100% e penso que o filme foi “feito pra gringo ver”, dando muito mais atencao a fatos que ela nem liga tanto no livro. Mas essa e a vida ne! Tudo e relativo e depende da interpretacao… Tb lamentei pela parte da India! Tb foi a que mais gostei no livro, a que fala coisas lindas, mas que eles colocaram de maneira equivocada (ate inventaram um casamento) e superficial… Mas vamos que vamos! Julia ta linda mesmo! E o Javier coitado… tentou, mas fica pra proxima tb!!! beijos linda

  2. Lívia Komar 5 de outubro de 2010 às 11:00 pm #

    Como disse no meu post, Fabi, o tema não me interessou, mas, enfim, fui ao cinema constatar o que eu já imaginava: o filme é muito chato. Não li o livro mas tenho ctz que em nenhuma passagem foi descrito que brasileiro beija os filhos na boca. Cadê a pesquisa, gentem? E não podiam contratar um ator brasileiro pra gente passar menos vergonha alheia (apesar do Bardem ser um colírio – eu acho!)?
    Via de regra, livros são bem melhores que suas adaptações para o cinema, mas tbm concordo sobre Ensaio Sobre a Cegueira; a obra literária de Saramago é fantástica e, quando assistimos ao filme, parece q estamos realmente revivendo toda aquela história lida.
    Quanto à Júlia Roberts, putz, de verdade, verdade verdadeira, acho ela talentosa, sexy e tudo mais, mas é feia, bem feia! Gosto é gosto, neah?
    Um dia me rendo à leitura de “Comer, Rezar, Amar”, aí, posso opinar de igual pra igual.
    Bjinhos!

  3. Julinha 12 de outubro de 2010 às 11:22 am #

    Jura que a Liz Gilbert é a mesma do Coyote Ugly? Mas ela cantava, não? Ah, e dançava bem sexy tb em cima do balcão…ou estou confundindo os filmes?
    Que vida que esta mulher teve, hein? Cheia de aventuras, mudanças e descobertas…sem medo de viver!
    bjos

    • Fabi Marques 12 de outubro de 2010 às 11:09 pm #

      É ela sim, na verdade eu disse livro no post, mas foi um artigo pra uma revista. E é uma adaptação né? Como eu disse neste post, coisas são alteradas para tornar o filme mais comercial… Beijos!

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