Arquivo | novembro, 2010

Bloco “Surtados no final do ano”: você também faz parte dele?

30 nov

Chega novembro e o clima é praticamente o mesmo em todas as regiões do planeta: todo mundo correndo perdido igual a cachorro em dia de mudança. Ninguém tem mais tempo pra nada, o nível de estresse está na lua, paciência é artigo de luxo e não está à venda… Enfim, sabemos bem a sensação de “acabou” que chega nos últimos meses, mas, será que o ano acabou mesmo?

O ano oficialmente acaba no dia 31 de dezembro, o que significa que ainda temos um mês e um dia para esse tão esperado acontecimento. Além disso, o calendário foi uma criação do homem, logo, é absolutamente subjetivo. Pareço doida? Claro que não! Várias culturas tem calendários diferentes, o que prova que (again) não existe verdade absoluta. Nós decidimos nos encaixar e seguir freneticamente o que já foi criado. No entanto, você pode usar o tempo como seu aliado, ao invés de fazer dele seu inimigo! Como? Adivinha… Vivendo no MOMENTO PRESENTE! Onde não existe passado ou futuro e onde o final do ano não importa!!! 

Olha, minha gente, eu sei que não é fácil! Eu tenho de me policiar o tempo todo!! Entretanto, os benefícios são visíveis e sensíveis! Concentrando-se no que está fazendo agora, tudo é feito com mais qualidade e as situações e compromissos se resolvem de maneira rápida e fácil! Além disso, a mente segue mais tranquila e o cansaço (físico e mental) passa bem longe de você! Não estou falando para você não se planejar! Ao contrário, planeje, planeje e planeje!! Faça uma agenda bem detalhada para o mês todo (sendo flexível para imprevistos, sempre!) e, após terminá-la, concentre-se no que está fazendo agora e use seu cronograma apenas como um auxiliar, e não como um potencializador do seu “Surto final 2010”!

 A dica está dada e serve para mim, acima de tudo! Hehe!! E, acredite: você tem o poder de se organizar e manter a calma diante dos demais histéricos no trânsito, shopping, supermercado e afins! Observou que você é um dos histéricos na massa?? Pare, respire fundo 10 vezes mantendo toda a sua atenção na respiração, e depois siga em frente com mais equilíbrio! Lembre-se, o tempo é uma criação do homem e você pode manipular ele ao seu favor sempre, mantendo a calma e a concentração no agora! Tente por um dia e me conte depois como foi! Beijo no coração e Namastê!

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Don’t you cry

26 nov

Fico sempre um pouco nostálgica nos meus aniversários. É o meu ano-novo pessoal, hora de avaliar o ano que passou. Ontem passei o dia revendo fotos antigas e agora escolhi essa música do baú pra postar aqui. Mas falaê se não dá saudade da época que o Axl Rose era bacana e um gato? E que o Guns tinha o Slash na banda? E fazia clipes megaprodução tipo esse de Don’t You Cry

Quem diria que ele se tornaria um tiozinho balofo né?

Dá pra deprimir olhando essa foto né não?

Axl nos bons tempos

 

Enjoy the music!

Se vira nos trinta (e dois)

24 nov

Aos vinte e poucos anos eu imaginava que virar balzaquiana seria o máximo. Achava que ao completar trinta anos automaticamente me tornaria uma mulher madura, sábia e preparada para a vida.  No fundo, aos 20 e poucos anos a gente acha que os trinta não vão chegar nunca ou, no mínimo, que vai demorar muito.

Mas a gente se engana. E sem perceber amanhã já estou fazendo 32. Passei os últimos dois anos tão ocupada parindo, cuidando da cria, mudando de cidade/profissão e tendo crisezinha existencial que simplesmente não vi esses meus primeiros anos na década dos 30 passar! Sério. Como eu cheguei até aqui?

Envelhecer não me assusta. O que me causa espanto é o quanto ainda sou imatura e infantil em muitas coisas. Em geral, gosto da ideia de ser uma balzaca.  Tiro bom proveito da minha experiência, me saio melhor em situações que antes me aterrorizavam, sei quem são meus amigos de verdade e, principalmente, me conheço muito bem ( o que às vezes é dolorido).

Até fisicamente não estou descontente. Lógico que ninguém em sã consciência fica feliz com a ação da gravidade em seu corpo, os cabelos brancos aparecendo e nem com aquelas marquinhas de expressão do lado da boca quando sorri. Mas com essa idade a gente já sabe valorizar o que tem de melhor. Olhei umas fotos minhas antigas anteontem e olha, apesar do corpinho de 18 e pele lisinha, sou mais eu hoje. Pelo menos agora eu sei me vestir. E pentear o cabelo. E me maquiar. Faz TODA a difereça e as fotos provam isso. Socorro.

Antes do Gael nascer, meu aniversário era o dia mais importante do ano (agora é o segundo dia mais importante, ok?). Eu sempre gostei muito de comemorar.  Algumas vezes cheguei a celebrar em Rio Preto, São Paulo e Ribeirão.  E ficava muito p da vida com quem se esquecia da data. Mas as coisas mudam. Ainda adoro fazer aniversário ( tá vendo como sou infantil?) e receber ligações, emails, sinal de fumaça. No entanto, agora entendo quando as pessoas esquecem ( eu também esqueço) e já não tenho mais aquele pique pra festa.  Será que estou ficando velha? Não precisa responder!

Vida-museu ou O Peso do passado

22 nov

 

Você é o resultado de suas escolhas! Com isso, qual é a sua relação com o passado, ou, com a história (e escolhas) que te tornou quem você é hoje? Positiva? Negativa? Saudosa? Sua relação com o passado diz muito sobre sua relação atual com você mesmo. A primeira vez que observei o quanto o passado literalmente pesa no ombro das pessoas foi em uma vivência que tive em um sítio em Minas Gerais.  Logo de cara tivemos uma cerimônia muito linda e forte em uma oca, na total escuridão, onde deveríamos falar o que queríamos eliminar ali, naquele momento, de nossas vidas. Deveria ser algo que estava nos trazendo sofrimento e que sabíamos que, sem aquilo, seríamos muito mais felizes! Surpreendentemente (pra mim, ao menos) mais de  60% das pessoas participando afirmaram abandonar ali seus passados. Os depoimentos vinham em vozes carregadas de amargura e tristeza. E o seu passado? Também pesa bastante nas suas costas?

Lembro também quando escutei o filho do Pelé (aquele que era ou é goleiro e se envolveu com algo ilegal) falando na televisão a frase “Quem vive de passado é museu”. Lembro que na época adorei, pois sempre teve muito a ver com minha filosofia de vida! Sim, claro que temos que usufruir das experiências do passado para desenvolver nossa sabedoria, mas, basear nosso futuro no passado é a maior fria dos últimos tempos minha gente!!! Por que? Putz, vou ter de usar a frase do Lulu de novo! Porque “tudo muda o tempo todo no mundo”!! Não dá pra reagir a uma situação baseado (a) no passado só porque a situação tem nuances do que aconteceu lá atrás! Ou planejar a vida esperando que o passado se repita; ou planejar a vida agindo de forma que ele nunca mais se repita… Você mudou, as pessoas mudaram (mudam), tudo é diferente!  Se você hoje tem um Ipod, por que segue pensando e agindo como na época do walkman??

Outro fator onde o passado é um “pé no saco” (desculpa a expressão) é no famoso “eu te avisei…” ou “se você tivesse me escutado”… Conheço gente que é mestre nisso e adora falar “olha, mas eu te falei pra não fazer isso” ou “se ele tivesse escutado o que o tio dele aconselhou” ou “se ela tivesse pensado melhor e não agido de cabeça quente…”. Gente, se já aconteceu, já aconteceu!! Deal with it! Não adianta ficar remoendo o passado e vivendo no mundo dos sonhos onde tudo teria sido diferente. No mundo do “ Se…” ! Não foi! Você já se decidiu, já agiu, agora é lidar com a responsabilidade! Perder tempo vivendo no mundo das projeções é uó e é viver totalmente desfocado do presente, que é o que realmente importa! Tirando que, cada besteira que fazemos é uma benção, pois é aprendizado! Por mais dolorido que seja” Estamos todos aqui pra aprender!!

Eu fui uma pessoa muito diferente do que sou hoje. Principalmente quando estava casada. Naquela época fui a pior versão minha que poderia ter sido e não me orgulho nem um pouco. No entanto, amo quem fui, tenho tremenda compaixão e compreensão pelo o que vivi e por como agi, pois foi graças às minhas trevas que hoje consigo viver em um lugar muito mais iluminado! Além disso, foi lá que aprendi muito sobre como posso ser alguém desagradável… Tenho isso dentro de mim e agora sei como não cair no fundo do poço novamente (ou espero saber! Hehe). Me orgulho do meu passado, falo sobre ele sem demagogia, mas deixo ele exatamente onde ele deve ficar: no passado!

A meditação nos ajuda muito a se desapegar do passado! É como se estivéssemos fazendo uma faxina bem feita nos neurônios, guardando em lugar seguro o que passou, deixando tudo lá no depósito. Dessa forma, abrindo muito espaço para o novo, o inusitado, a criação de um jeito diferente de ser! Aceitando quem fui e meus erros, hoje sou muito mais bem resolvida, menos auto-crítica e mais feliz! E, acima de tudo, não carrego meu passado nas minhas costas! Vivo mais no presente e sei que o passado foi a jornada necessária pra me trazer onde estou agora! E você? Como encara seu passado e qual é o peso dele na sua vida atual? Conte-me seus pensamentos!!! Beijo no coração e Namastê!

Meus cinco lugares no mundo

19 nov

Acho que todo mundo tem ao menos um lugar em que se sinta a pessoa mais feliz e abençoada do mundo apenas por estar ali. Um local para onde você voltaria mil vezes se possível, onde se sente acolhido, integrado e grato. Pode ser a casa da sua mãe ( a da minha entraria fácil para essa lista), uma cidade que você visitou quando tinha 15 anos, a praia em que você passa todo verão há décadas, o lugar da sua lua-de-mel. Pode não ser o lugar mais bacana do planeta, mas é o SEU lugar. Listo aqui os cinco lugares para onde eu fugiria se nada desse certo na minha vida ou para onde eu iria quando quisesse comemorar.

Barcelona – Espanha – Paseig de Gracia

 

Não dá vontade de estar aí?

 

Em outra vida eu nasci catalã. Os poucos dias que morei em Barcelona me transformaram por completo. Pode parecer exagero ( e eu sei que sou mesmo exagerada), mas neste caso não é.  Juro! Sabe o que é morar numa cidade que te abraça? Ter um sorriso no rosto 24 horas? Se apaixonar por cada canto? Pois é. Tenho uma série de lugares que amo na capital catalã, escolhi  o Paseig de Gracia porque é sempre o primeiro lugar que quero ir. Bem movimentada, cheia de tipos incríveis, barzinhos servindo tapas e rodeada pela arquitetura alucinante do Gaudí. Dá pra ir a pé para as Ramblas. Se eu estiver em BCN um dia e você quiser me encontrar, passa lá! 

 

Maresias- Litoral Norte de São Paulo

 

 

O canto direito era mais sossegado e com o pessoal mais cool de Maresias

 

 

Durantes anos Maresias era o destino certo do meu final de semana. Chuva, sol, frio, calor. Ir para lá era a recompensa por viver na loucura da paulicéia, ganhar mal ( por incrível que pareça sempre fui mal remunerada em SP) e pegar engarrafamentos homéricos para chegar à praia. Faz muito tempo que não vou ao Litoral Norte. E sei que aquela Maresias do final dos anos 90 já era, mas tenho saudade. Especialmente da praia e da sensação boa que me invadia quando eu a avistava da rodovia. Ai, essa saudade doeu!

 

São Paulo- Avenida Paulista

 

Do Masp até a Brigadeiro eu sou capaz de fechar os olhos e descrever cada centímetro da avenida

 

 Nasci em São Paulo e voltei para lá pra fazer faculdade, ao todo morei 9 anos na capital. Fui embora totalmente no impulso e se pudesse ter raciocinado com a cabeça- e não com o coração- certamente ainda moraria lá. Com toda a poluição, violência, trânsito, frio e distanciamento entre as pessoas. São Paulo é a minha casa e sempre será.  Morei, estudei e trabalhei na região da  Paulista. A avenida mais famosa do Brasil é meu spot favorito. Mesmo que eu esteja apenas passando por Sampa, sempre dou um jeito de pelo menos almoçar praqueles lados ( sou viciada em um vegetariano perto da Brigadeiro).

Morro do São Paulo – Bahia – Ruínas do Forte

  

Um pedacinho de história no paraíso

 

A última vez que estive em Morro já faz mais de uma década. Imagino que depois de todo esse tempo as coisas estejam bem diferentes. Mas naquela época a ilha ainda era um lugar de difícil acesso e pouca infraestrutura. Um dos lugares mais lindos que já vi. E diante de tantas belezas naturais fui me encantar bem pelo cantinho onde há ruínas de civilização. Vai entender.

 

Rio de Janeiro – Mirante do Leblon

Quem pensa em problema olhando isso aí?

 

Quem me conhece já está cansado de ouvir eu declarar meu amor pela cidade maravilhosa. Nasci no lugar errado, com certeza. E ainda não excluo a possibilidade de morar lá um dia. O Rio é todo lindo e á uma puta falta de sacanagem ter que escolher um lugar só. Na época que tentei morar lá  o mirante do Leblon é para onde eu ia recarregar minhas energias, tomando uma água de côco e olhando essa paisagem digna de novela das oito.

Ele mudou minha vida! Quem já mudou a sua?

18 nov

Você já teve a experiência de encontrar uma pessoa que era tão especial que te trouxe paz e alegria instantâneas? Espero que sim! Se você já viveu essa situação, esse encontro tem nome em Sânscrito (ueba): chama-se Darshan! Darshan, na verdade, significa visão ou ver, mas no contexto maior significa ver e estar na presença de alguém com alto desenvolvimento espiritual, alguém com a consciência mais acordada que a sua (pois todos temos o mesmo grau de consciência e espiritualidade, só que alguns os tem mais desenvolvidos que outros), ou uma divindade mesmo! Esses encontros deixam marcas profundas e podem mudar o curso da nossa vida pra sempre!

Eu tive essa experiência varias vezes (graças a Deus). Sempre que tive aulas com o Deepak Chopra, quando fui a uma aula com o Dalai Lama, em consulta com vários terapeutas (holísticos) e Xamãs e domingo passado, quando fui à duas aulas com o professor de yoga mundialmente conhecido (e brasileiro, mineiro, radicado em NY há mais de 30 anos), Dharma Mittra. Provavelmente, essa sensação de paz interior e de alegria sem motivo específico é o que Jesus, Buddha, santos, santas e outras divindades ascendiam em seus discípulos, de maneira que eles os seguiram sem pensar duas vezes em jogar tudo para o alto. Mais acordados do que a gente (Buddha nunca disse ser iluminado, sempre afirmou estar “acordado”), esses seres especiais conseguem sentir e ver o que nós não conseguimos: somos todos um só, somos uma rede energética de amor e luz e, o sofrimento, é apenas uma criação da mente que está dentro da gente!

Parece difícil entender com minhas palavras (pois estou tão desacordada quando você), mas quando vem da boca desses mestres torna-se tão real e palpável que passamos dois ou três dias em estado de graça, com amor e compaixão transbordando da gente! A energia deles é tão forte e poderosa que interfere na nossa de maneira positiva e, se seguimos fomentando essa energia, conseguiremos fazê-la cada vez maior em nossa vida!! Eu, por exemplo, estou muito emocionada até agora e muito grata por cada minuto da minha vida! Todo o estresse, ansiedade e mau-humor de outubro (que você deve ter lido no meu texto Halloween interno) se desfez como mágica e só consigo ver o lado Pollyana da vida!! Obrigada, obrigada, obrigada Dharma!!  

Mas esses encontros podem ser com pessoas especiais na sua vida cotidiana também! Pode ser um professor que está sempre feliz e tem sempre palavras de sabedoria para falar. Pode ser um tio seu que te mostra pelas atitudes dele o quanto a vida é especial nos pequenos detalhes. Ou podem ser seus pais e familiares, que te ensinam sobre amor incondicional sempre!

Enfim, o importante é estar atento ao que estas pessoas te trazem e tentar, cada vez mais, estar rodeada de gente do bem, que soma em sua vida (e não as subtrai)!! Se você quer ter mais amor na sua vida, esteja rodeado (a) de pessoas amorosas, se quer mais justiça, cerque-se de pessoas honestas. E por aí vai! E, mais uma vez digo e repito: comece fomentando o que você quer pra sua vida dentro de você mesmo (a)! Seja você amoroso (a), justiceiro (a) e honesto (a)! Atraia essa energia para você e atraia pessoas na mesma vibração! Tudo nessa vida é energia e informação minha gente!!! Atenção people!!

 Se você tem essas pessoas especiais na sua vida, ou já esteve na presença de um acordado, me conte quem são ou como foi! Vou adorar saber!!! Estou enviando a cada um de vocês a energia boa que o Dharma Mittra me enviou! Beijo no coração e Namastê!

PS: na foto, claro, Dhama Mittra!! : )

Canalha

16 nov

O sol ainda nascia lá fora quando seu coração começou a bater descompassado. Sim, ela recebera a prova que temia e que comprovava sua intuição. Sim, ele estava dividindo seus beijos com outra, seus pensamentos com outra, seus sorrisos com outra, seu sexo com outra.

A lucidez abandonou sua mente, saiu pelas portas do fundo. Porém, manteve a frieza e o cinismo, aproveitando que ele ainda dormia para perguntar angelicamente sobre a prova. Sabia que homens são sinceros apenas quando não acordados, apenas quando suas guardas ainda estão baixas por conta da embriaguez, ou da sonolência, ou … Sim, ele confirmou candidamente o que ela precisava saber, sem se dar conta de que era o início do pagamento pela sua própria irresponsabilidade.

Homens são como cachorros, não sabem mentir… Pensam saber, mas deixam provas em cada esquina, olham com medo, soltam a frase errada na hora errada, tropeçam nos próprios sapatos. A culpa os consome bem mais do que quando nós a sentimos. Chega a ser interessante. Com provas em mãos, ela se deixou levar pela onda de ódio, raiva, desapontamento e um cado de superioridade, pois ela sabia que seu caráter intacto era algo que ele sempre temia.

Gritou tudo o que podia. Fodam-sem os vizinhos. Precisava tirar tudo de dentro. Foi irônica, raivosa, inteligente, cruel. Os olhos dele, arregalados como nunca antes, sabiam que não tinha mais volta. Tudo o que ela queria era que ele confessasse, explicasse seus motivos, jurasse amor eterno, pedisse perdão. Queria que ele fosse sincero ao menos uma vez na vida. Que deixasse seus traumas passados e abrisse seu coração. Que agisse como um homem de caráter. Ela queria que ele fosse um homem, mais uma vez ele foi um menino.

Tudo o que ele fez foi negar e fugir. Como sempre, ela pensou. Fugiu sem grandes explicações. O medo transpirava do seu olhar, do seu corpo, do seu cheiro, dos seus gestos. Não sabia por onde se movimentar, não sabia para onde ir. Saiu cambaleando, como um bebum. Afogado em sua própria culpa. Bêbado de sua imensa lista de mentiras. Bêbado por não saber mais quem era, quem é.

 Ela tremia. Sentia seu sangue correndo o corpo todo. Abriu a janela. Abriu um vinho. Foda-se que são nove da manhã. O estômago é meu e a dor é minha. Sorveu a bebida que parecia mais doce do que nunca. O doce contrastava com a acidez na sua boca, a cólera no seu coração. “Eu sabia”, repetia. “Eu sabia”. Sorriu de si mesma. Enganou-se por tanto tempo. A jornada estava chegando ao fim. Esse era o sinal. Ainda teria uma curta caminhada até finalizar tudo, mas sabia o que fazia ali e o porquê de tudo aquilo.

 Tomou um banho. Olhou-se no espelho. Sentiu mais orgulho do que nunca de ser quem era. Dignidade sempre foi sua parceira de vida e ela lhe era grata agora. O perdão viria na hora certa, pois manter o coração em pedaços era nada mais do que sorver pequenas doses diárias de veneno. Descobriu em si uma força que nunca imaginou ter. Descobriu em si uma ânsia de viver que a completava, arrepiava cada pelo do seu corpo. Respirou fundo. Agradeceu o destino. Era o começo do fim. Que assim seja. Vestiu seu vestido preto, seu sapato preto e foi viver.

I am what I am

12 nov

Dá pra não gostar desse negão?

Quando eu criei meu primeiro blog, quase uma década atrás, eu não me preocupava nem um pouco com o que escrevia nele. Escrevia para mim mesma, uma espécie de diário virtual tosco, narrando minhas aventuras e desventuras amorosas ( do que mais a gente vai falar com 20 e poucos anos?). Eu também não precisava me preocupar porque não tinha audiência. O auge de visitação do Louco Cotidiano foi de 18 pessoas no mesmo dia. Ou seja, why worry?

Porém, contudo, todavia, muitas coisas mudaram. Agora eu divido esse espaço com minha digníssima amiga Lívia. Não estou mais escrevendo só para mim mesma. A audiência existe em número razoável ( já chegamos a ter 254 hits num dia) e boa parte dessas pessoas chegam até aqui sem sequer me conhecer. Entretanto, para ser sincera, tenho mais medo da reação das pessoas que sabem quem eu sou. Minha sogra, a melhor amiga da minha mãe, a menina que estudou comigo a vida inteira mas que nunca soube nada de mim, o ex que descobriu isso aqui não sei como, colegas de trabalho, meu futuro chefe, minha ex chefe.

Bate uma crisezinha do tipo: meu Deus, eu tenho a boca muito suja, as pessoas vão se escandalizar. Ou então: eu devo escrever coisas mais cult, só escrevo coisas ridículas. O que será que Fulano vai gostar de ler? Não posso errar nenhuma vírgula senão não arrumo mais emprego.

Pára, Fabiana!

Não deixe o ego agir, diria Lívia. Escrever não tem nada a ver com se preocupar com o que os outros vão achar. A graça está justamente em ser livre e escrever para mim mesma. E se alguém gostar no meio do caminho, eba!

Portanto, aviso aos navegantes:  Estou deixando totalmente de lado as pretensões literárias e culturais.  Esse aqui é meu (nosso) espaço de ser livre. De fazer o que mais gosto na vida sem ligar para o julgamento alheio. Are you ready for the ride?

E para não perder o costume, hoje é dia de Sexta Musical ( nossa ficou péssimo esse nome). O videoclipe escolhido é do Seu Jorge. Meu cd ( Cru) já está até riscado de tanto que ouvir essa música( Tive Razão, minha favorita), mas nunca tinha visto o clipe, que é uma gracinha. Eu sou mega fã do Seu Jorge. Acho ele bárbaro, talentoso, multimídia e gato com força.

Ai, vou contar uma coisa. ( Meu marido tendo um mini ataque do coração em 3, 2, 1). Na minha lua-de-mel encontrei-0 no aeroporto. Estava lá, tranquilamente recém-casada, quando sinto uma presença conhecida passar por mim. Não pensei duas vezes e saí correndo atrás ( eu sou deslumbradinha com artista, confesso, mas não no naipe de sair correndo pra pedir autógrafo, portanto foi um choque até pra mim essa reação). Quando o alcancei percebi que não tinha o que dizer e perguntei sem raciocinar:

– Seu Jorge?

–  Sou eu ( naquele vozeirão, é importante destacar)

– Posso tirar uma foto com você ?

Estou lá toda tiete e sem noção, abraçando o cara, pronta para fazer o papelão do ano sozinha, quando vejo meu marido esbaforido chegando correndo.  Em dois segundos ele estava do lado na foto. Haha. Comentário dele:

– Nem casamos direito e minha mulher já está correndo atrás de um negão, é mole? 

* Eu cheguei a colocar a foto que registra esse momento vexatório. Mas deu muita vergonha. Sorry.

Enjoy the music e bom fim de semana prolongado!

Somos todos cachorros!

11 nov

Somos muito parecidos com cachorros caros leitores! Não é a toa que eles são nossos melhores amigos! Faz uma semana que adotei temporariamente Buddy, um lindo, alegre e amável cachorro que é a cara do Scooby Doo, tem a cor do Scooby Doo, mas não é o Scooby Doo! Adotei temporariamente porque não posso mantê-lo em casa (adoraria) e agora estou na saga de encontrar um novo lar pra ele (se você se candidata ou conhece alguém interessado, please, me escreve)! Mas, independente disso tudo, Buddy tem me ensinado muito, principalmente sobre como nossa memória é responsável por praticamente 100% das nossas atitudes, enquanto eles, cachorros, dividem suas atitudes entre memórias, instintos e coração aberto.

Vamos começar com as memórias! Elas são a maior culpada de nossas infelicidades minha gente! Eu garanto! Por quê? Porque é por meio delas que seguimos repetindo os mesmos padrões de pensamentos e atitudes e vivendo a mesma vidinha (e dramas) over and over and over again… Triste, eu sei! Mas real! O Buddy, por exemplo, se mostrou super amável com todos os cachorros que encontrava na rua e no parque até que, nos últimos dois dias, quatro companheiros resolveram arrumar briga feia com ele! Ele ficou assustado e quase se machucou. Pensa o que aconteceu…? Agora é só ele ver um cão latindo bravo pra ele que ele se põe todo pomposo e quer arrumar briga também! Ou seja, a memória das experiências recentes mudaram o padrão de comportamento dele Triste. Somos iguais aos cachorros…

Pulando para o instinto: Buddy não escolheu entrar no nosso quintal à toa, afinal, aparentemente ele passou dias na rua sozinho… Algo disse a ele que aqui ele seria totalmente bem cuidado e amado! Assim que meu irmão o viu e me chamou, ele correu pra dentro de casa e conquistou nosso coração! Ele continua seguindo seus instintos: brinca com todas as pessoas que sorriem pra ele, olha atravessado e desconfiado para os que o evitam! Nos primeiros dias aqui em casa ele estava tão traumatizado da vida na rua que nem ligava ou latia para os gatos que passavam em sua frente! Hoje, depois de muito carinho, comida, abrigo e florais de Bach (sim, eles também servem para animais! Ueba!) é só ele ver um rabinho felino abanando que já quer correr atrás! O instinto é sempre mais forte! E nós?

Somos tão instintivos (ou intuitivos) quanto os cães, mas perdemos muito dessa conexão! Se pararmos para ouvir nossa voz interior reacenderemos nosso instinto e sempre escolheremos corretamente! Tipo, você vai saber que não vale a pena criar expectativas em relação aquele moço gato com força/moça gata com força com quem você está saindo, pois ele (ela) adora mesmo é colecionar e não é um (uma) “keeper”, como se diz aqui! Ou você sente facilmente o que uma pessoa nova traz energéticamente para sua vida e seu meio-ambiente. Você também sabe quando investir em algo, quando desencanar, quando virar pra direita, ao invés de seguir insistindo pela esquerda… Enfim! Se voltarmos a nos silenciar e escutar essa voz interior melhor  ganharemos muito e… seremos iguais aos cachorros!

Por fim, o coração aberto! Ah sim, isso o Buddy tem! Posso brigar feio com ele mil vezes por que ele mordeu a beirada do sofá ou porque fez xixi no canto da lareira: após cinco minutos com vergonha pelo comportamento anarquista, Buddy vem atrás de mim com o rabo abanando e a cara mais feliz do mundo! Perdão?? É com ele mesmo! Alegria e amor incondicional o dia todo, pra dar e vender?? Yes, Buddy e qualquer outro cachorro dão lição sobre os temas! Então, porque não aprender com eles? Assim como Buddy, Buda, Jesus, Madre Teresa, Ama, Dalai Lama e outros entre nós tem amor incondicional e alegria infinita em seus corações, logo: Somos iguais aos cachorros (ou seriam eles todos seres mais elevados que nós, reles humanos?)!!

 Fico por aqui deixando a dica: observe seus animais de estimação (gato, cachorro, papagaio, peixe) e descubra o que você pode aprender com eles! Se você não tem um, observe o de um amigo, família ou vizinho! Descobre e me conta depois! E torça pra eu achar uma casa legal pro Buddy também! Beijo no coração e Namastê!

Timing

9 nov

Fabi Marques

Estavam terminados, não porque haviam combinado assim, mas porque o tempo deles realmente havia acabado. Aquele encontro era apenas uma tentativa meio desesperada de adiar um pouquinho o fim daquilo que um dia havia sido tão bom.

As separações amigáveis são as piores. É muito mais fácil quando tudo acaba em raiva, mágoa e agressões mútuas. Não há então outro caminho a não ser o da distância. Os términos cordiais são um meio termo, indefinido, ninguém sabe como se comportar. Seremos amigos? Trocaremos emails afetuosos a cada aniversário, até não termos mais nada a dizer um ao outro? E então nos encontraremos por acaso, ficaremos sem graça, beberemos além da conta e passaremos a noite juntos desnecessariamente?

Um carro encostou e ela se aproximou meio constrangida por seus pensamentos.

– Como foi o trabalho hoje?

– Tranqüilo.

– Esfriou né?  Esse tempo é maluco…

– Aham – foi respondendo sem prestar muita atenção, enquanto roía todas as unhas da mão direita

Já no quarto, conseguiu desanuviar os pensamentos. Agora ele parecia nervoso. As despedidas não lhe caíam bem, ela sabia.

– Tá nervoso?

– Quer me acalmar?

– Posso tentar – respondeu beijando-o devagar. E surpreendeu-se sentindo um sabor diferente em sua boca, mais gostoso.  Só porque era a última vez.

Estava disposta a encontrar numa única noite todos os defeitos que não descobrira até então.  Usou isso como argumento para justificar a si mesma o despropósito daquele encontro. Precisava começar naquele minuto, antes que fosse tarde, mas já estava difícil pensar em qualquer coisa ruim no meio daquele beijo. Afastou-se subitamente, ainda a tempo de vê-lo de olhos fechados. Ele tem sardas? Como eu nunca notei isso antes?

– Em que você está pensando?

– Em nada.

– Vem cá…

Mais um beijo. E outro. E mais um, acompanhado de todas aquelas coisas que tornaram seu plano inviável. Tá, no sexo não vou achar porra de defeito algum. Porque é bom mesmo do começo ao fim. Vamos focar em outra coisa. Ele acha estranho andar de mãos dadas! Pronto. Quer coisa mais escrota do que um cara que não pega na tua mão?

– Que cara de brava é essa?

– Nada não.

Deitada de bruços, nua, podia ver o reflexo do seu corpo no espelho. Engraçado como criaram uma intimidade bizarra em tão pouco tempo. Tinham uma afinidade inexplicável. Por que mesmo não podiam ficar mais juntos? Ela sabia a resposta. Havia inúmeras razões, mas naquele momento elas pareceram pequeninas. Aproveitou que ele estava no banheiro e suspirou alto. Precisava achar mais um defeito, urgente. Ele gosta de músicas estranhas, só ouve bandas desconhecidas. Tá, mas ele toca guitarra maravilhosamente bem. Foda-se, porque ele só toca música que eu não sei cantar.

Sentaram-se frente a frente, bem próximos. Sempre que se encontravam, na ânsia de aproveitar cada segundo, acabavam se esquecendo do básico. Dessa vez não. Queriam reter cada instante na memória. E passaram segundos, minutos, talvez horas, só assim, se olhando.  Ele pedia e ela obedecia. Deixou que ele examinasse seu corpo sem pressa.  Cada pedacinho dele.

Acordou um tempo depois e não o encontrou na cama. Temeu o pior. Mas não. Ele estava fumando na parte externa do quarto. Sabia em que ele estava pensando, ou pior, em quem. Uma pontinha de tristeza ameaçou invadir, mas ela conseguiu se distrair pensando em mais um defeito. Ele fuma. Odeio fumaça e cheiro de cigarro.

Foi até ele, enrolada em um lençol. Sentou-se à sua frente, com certa distância.

– Que foi? É minha vez de perguntar.

– Nada,  é minha vez de disfarçar.

Pronto. O momento temido havia chegado. A hora em que os dois se dariam conta de que não deveriam mais estar ali. Haviam abusado da sorte, extrapolado a data limite, perdido o timing do adeus.

– O som está muito alto, não acha? – perguntou já abaixando o volume

Ele é muito reservado, muito quieto. Ia odiar as festas barulhentas da minha família. Recriminaria a afetação da minha irmã. Não teria paciência com a surdez da minha mãe. Não saberia esconder o tédio quando meu pai lhe narrasse pela quinta vez como foi bom comemorar o título do Corinthians depois de 23 anos sem ganhar nada. Mas, principalmente, jamais conseguiria retribuir meu jeito espalhafatoso de amar.

– Acho que está na hora de ir embora. Vamos? – ela pediu

No trajeto de volta tentaram driblar o silêncio com conversas vazias. Ela passou boa parte do tempo olhando pela janela, engolindo as lágrimas que caíam salgando sua boca. Quando estacionou o carro, ele pousou sua mão sobre a dela. Quis abraçá-la, mas já não sabia como. Ela achou mais fácil sair sem se despedir. E não precisaram falar nada, pois já estava tudo dito.

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