Arquivo | fevereiro, 2011

Em que vila você mora?

28 fev

Francisco era conhecido como o sábio da vila onde morava. Eram apenas 534 pessoas e poucas famílias no povoado de Samsarópolis. Viviam da farinha que fabricavam e vendiam. Homens e mulheres participavam de produção e gostavam do que faziam.

Todas as tardes, após terminar o trabalho, Francisco sentava-se na sua varanda, quase na calçada da rua, com seu chimarrão em mãos e uma feição de paz no rosto. As casas não tinham cerca. A vida ali era tranquila.  

Um belo dia Francisco observou uma senhora desconhecida caminhando pela rua. Ela carregava uma pequena trouxa de roupas e pertences na cabeça e caminhava vagarosamente, mostrando seu cansaço pela jornada. Parou na frente da casa de Francisco. O homem parecia receptivo, pensou.

“Boa tarde”.

“Boa tarde”.

“Eu estou a procura de uma nova vila para morar. Como é morar aqui?”

“Como era a que você morava”?, perguntou Francisco.

“A que eu estava antes era bem feia e repleta de gente amarga, mal humorada, rancorosa e invejosa. Todos reclamam o dia todo lá e eu não aguentava mais. Minha vida era muito dura e ninguém nunca me ajudava. Todos eram muito egoístas. Eu nem quis fazer amigos lá porque nada me agradava. Aqui parece tranquilo, apesar de ser pequeno e sem muito conforto. O senhor pode me responder, por favor, como é o povo daqui”?

“Minha senhora o povo daqui é exatamente como a senhora descreveu no lugar que deixou para traz”.

“Ahhhh. Então vou seguir em frente. Estou cansada dessa vida amarga. Obrigada”.

E saiu apressando o passo.

No dia seguinte, Francisco no mesmo local, com o mesmo chimarrão. Olhando longe avistou um senhor caminhando em sua direção com um pequeno burro que carregava dois sacos com seus pertences. O senhor e o burro pararam na frente da casa de Francisco.

“Boa tarde senhor”.

“Boa tarde”.

“Senhor, eu estou procurando uma nova vila para morar. Aqui parece ser um bom lugar para se viver. Como é morar aqui”?

Como era a que você morava”?, perguntou Francisco.

“Ah! Lá era tudo bem bonito, cheio de flores e pássaros. As pessoas sempre foram muito bondosas comigo e a harmonia sempre reinou entre nós. Eu fiz muitos amigos lá. Sempre nos ajudamos muito e meus dias eram sempre repletos de boas risadas. Mas, estou ficando velho, e a vila fica muito longe da vila dos meus parentes. Esta aqui é bem mais próxima. O senhor pode me dizer como é o povo que mora aqui, por favor”?

 “Meu senhor, o povo daqui é exatamente como o senhor descreveu na sua vila”.

 “Opa, então é aqui mesmo que arreio meu burro”!

 Moral da história: a vila será sempre um reflexo de quem você é!  : )

Beijo no coração e Namastê

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Fight Outta You

24 fev

Após anos como proprietária de um Ipod só  de uns meses para cá é que aprendi a fazer download e colocar músicas no aparelho de mp3 ( antes eu só transferia o que eu já tinha em forma de cd).  Antes tarde do que nunca. É como se eu tivesse descoberto o mundo! E embora eu tenha sim conhecido e ouvido muita coisa nova, a verdade é que acabo buscando coisas antigas que sempre quis conhecer, ou mais músicas dos meus artistas já favoritos. 

Quem me lê por aqui já deve ter percebido que eu adoro Ben Harper. Gosto tanto do som, quanto do artista ( e dos ” looks” of course). Eu baixei o cd Lifeline do Ben Harper and Innocet Criminals recentemente e as músicas são incríveis. Essa é minha favorita, a letra é bacana também. Enjoy!

Do divã para a academia (ou o colchonete): a terapia da atividade física

21 fev

Encaramos toda e qualquer atividade que fazemos  da mesma forma que encaramos nossa vida. Se você acha seu trabalho penoso é porque provavelmente também encara a vida como difícil e repleta de problemas. Se você acha estudar um pé no saco, provavelmente você vê o aprender como algo não importante na sua vida… Não seria diferente com as atividades físicas que você escolhe fazer: elas dizem muito de você e de como você encara sua realidade. Se você é criativo, provavelmente vai adorar dançar. Se gosta de aventura, escalar, rapel, arvorísmo são seus preferidos… Se tem muita energia para por pra fora, correr ou artes marciais são uma maravilha! Focando na atividade física, o importante é passar a ter consciência dessa ligação e usar ela a seu favor… Como? Senta que lá vem história!!

Tenho mais facilidade em explicar minhas teorias usando minha experiência, então lá vou eu falar de yoga novamente! Yoga significa união, ou melhor, unir seu corpo, sua mente e seu espírito e alcançar a auto-realização por meio dessa união. Muitos não sabem, mas a prática física da yoga, as posições (ou Asanas em Sânscrito), são apenas um dos braços dessa filosofia de vida. Os asanas existem principalmente para preparar o seu corpo para meditar, removendo energias bloqueadas e permitindo que você possa ficar confortavelmente sentado por horas!! Infelizmente, a parte física da Yoga ficou mais famosa que os outros 7 braços dela, no entanto, mesmo focando apenas nesse aspecto é possível aprender e desenvolver sua consciência!

Como? Bem, durante uma aula de yoga você vai encarar a prática exatamente como encara sua vida: se você tende a ser preguiçoso (a), provavelmente fará o mínimo esforço possível durante os exercícios, esperando ansiosamente pelo relaxamento final. Se você é distraído (a), vai passar a aula toda no seu mundo da fantasia e não vai nem lembrar quais foram os exercícios que você fez durante a aula. Se você é mega disciplinado (a), vai se dedicar totalmente, contraindo mais músculos do que precisa, tendo o rosto tenso, fazendo mais esforço do que o necessário… E por aí vai.

O lado bom dessa história toda surge quando você toma consciência do que precisa mudar na sua vida (para ser mais feliz) e começa a aplica essa mudança nos pequenos detalhes, como na sua atividade física! Logo, se você não quer mais ser preguiçoso, você passará a realmente fazer o esforço físico e trabalhar seu corpo durante a aula. Se você é distraído, vai se dedicar a ficar concentrado na aula e não deixar-se levar pelos devaneios mentais. Já o disciplinado vai permitir-se relaxar e não levar tão a sério sua prática, abrindo espaço para a flexibilidade.

Para mim, a prática hoje tem um sentido bem diferente do que tinha. Eu pratico os exercícios físicos muito menos pelo aspecto físico (que são lindos de ver, mas não garantem que ninguém será mais feliz fazendo-os) e muito mais para o meu auto-conhecimento. Sinto meu corpo, observo meus pensamentos, me entrego à respiração e vou descobrindo mais e mais quem sou… Eu trago para minha prática aquilo que preciso e quero fomentar na minha vida. Também passei a ofertar minha prática a Deus. Sim, meus caro, eu ofereço minha prática a ele (ou ela, ou o que quer que você acredite), praticando a entrega… Pois, quando entregramos, eliminamos o ego, expectativas e julgamentos. Tudo flui melhor e nos aceitamos muito mais… Claro que não é sempre que consigo, mas sigo praticando. Para mim, os asanas são uma forma de busca do meu eu mais profundo e divino.

Faço o convite para você fazer o mesmo com sua atividade física preferida, seja ela qual for! Tente sair do convencional e aplicar nela aquilo que você quer trazer para os outros aspectos da sua vida!! Além de ser divertido, irá te dar uma nova percepção de quem você é e de como você encarar a vida! Depois me conta como foi! Beijo e Namastê.

Quando a água e o vinho se misturam

18 fev

Ele é água, ela é fogo.

Ele é discreto, ela é um escândalo

Ele é do dia, ela é da noite.

Ele é do bar, ela é da balada.

Ela é música, ele não sabe dançar.

Ela organiza, ele bagunça.

Ela vive no mundo das idéias, ele vive com os pés plantados no chão.

Ele implode, ela explode.

Ele guarda, ela expressa.

Ele não consegue esquecer, ela não consegue lembrar.

Ele se empresta aos outros com facilidade, ela é individualista.

Ele nasceu para ser pai e ter família, ela luta a cada dia para exercer bem seu papel.

Enquanto ele sabe as coisas práticas da vida (como instalar um chuveiro, qual o melhor dia para comprar verduras no mercado), ela é cheia de cultura (inútil).

Para ele o amor é sossego, para ela é inquietação.

Mesmo diante de todas essas oposições, precisaram de apenas uma noite para saber que queriam ficar juntos para sempre. Na alegria e na tristeza. Há exatamente oito anos tem sido assim.

Obrigada por me ensinar a ser feliz no presente. Obrigada por me ensinar o que é o amor. Obrigada por me fazer crescer.

10 livros que marcaram minha vida

16 fev

Desde pequena eu lia muito. Não sei se foi por vontade própria ou incentivo. Mas desde sempre tenho um amor enorme pelas palavras escritas. O cheiro do livro novo, a emoção da leitura. Acho que tenho todos meus livros até hoje.Não sou de doá-los ( muito apegada), mas os empresto com bastante prazer. Desde que me devolvam. E não ligo se fizerem orelhas, amassarem um pouco. Livro é pra ser sentido, usado, folheado.

Anos atrás tive o privilégio de tocar uma livraria, eu e meu marido. Era pequena, aconchegante, no centro da cidade. Sabe o que é ter um acervo de livros totalmente à sua disposição? Parecia criança com passe livre no parque. Infelizmente ficou difícil concorrer com as grandes lojas e os preços surreais da internet, então acabamos fechando. 

A introdução acima é só para dizer que já estava na hora de fazer uma listinha . Não vou me atrever a listar os melhores livros do mundo ( quem sou eu pra julgar?) E sim vou falar de livros que, de alguma forma, marcaram a minha vida e deixaram uma história pra contar.

Venha comigo e depois me conte os seus.

  • Reinações de Narizinho – Monteiro Lobato

Minha avó paterna sempre patrocinou minha vida cultural. Seja através de livros, viagens ou cursos de idiomas. Eu devia ter uns oito anos quando ela começou a me levar todos os sábados a uma livraria. Era o dia mais esperado da semana. Naquela livraria de Rio Preto (Espaço) eu aprendi a ser livre sem sair do lugar. Nessa época, minha avó me apresentou ao Monteiro Lobato, pelo livro Reinações de Narizinho. Até hoje não encontrei outro autor que me transportasse tão bem para outro mundo. Viciei e a fiz comprar a coleção todinha, que está guardada esperando o Gael crescer o suficiente para ler.

  • Feliz Ano Velho – Marcelo Rubens Paiva

Eu tinha 11 anos quando li pela primeira vez. E embora não tivesse maturidade para entender muitas das coisas narradas ali, fiquei vidrada na vida do Marcelo. Acabei meio que me apaixonando por ele, depois por seus livros, e surgiam aí minhas primeiras manifestações literárias.

  • Coleção Para gostar de ler – diversos autores

Alguém se lembra desses livrinhos? Era uma coleção de contos e crônicas de autores como Cecília Meirelles, Fernando Sabino, Carlos Drummond, etc. Sensacional. E como diz o título, ensina a gostar de ler. Comigo teve um super resultado. Foi com eles que me decidi a ser escritora e comecei a escrever o que eu achava que seria meu primeiro livro. ( ok, não virei escritora de verdade, mas ainda tenho tempo)

  • Blecaute – Marcelo Rubens Paiva

Já um pouco mais velha e ainda mega fã do Marcelo, li o que para mim é o seu melhor livro até hoje. Blecaute é uma espécie de romance apocalíptico, conta a história de 3 amigos que vão a uma expedição em uma caverna e quando voltam encontram todos paralisados, como bonecos de cera. Eles têm São Paulo inteira para eles, vazia. Ficção científica das boas. Infelizmente emprestei esse livro e minha abençoada amiga nunca mais devolveu ( e sumiu junto). Leria pela quarta vez fácil, fácil.

  • Cem anos de solidão – Gabriel Garcia Márquez

Parece clichê, mas foi realmente este livro que me despertou para o realismo mágico de Garcia Márquez. A saga da família Buendía  em Macondo também foi determinante para meu interesse pelo espanhol, que comecei a estudar por causa do livro.  Depois dele vieram outros e lerei todos que ele escrever.

  • Versos Satânicos- Salmon Rudshie

Pela crítica em relação ao Islamismo, o autor foi jurado de morte pelo aiatolá Khomeni e teve que viver escondido por muitos anos. Comprei este livro quando tinha 20 anos e não consegui terminar de ler até hoje. Sabe livro que empaca? Ficou na minha cabeceira pelo menos meia década, até que devolvi pra estante. Ainda não desisti. Quem sabe um dia?

  • Eva Luna – Isabel Allende

Quando aprendi espanhol fiquei obcecada em ler na língua. ( Eu realmente acredito que os romances devem ser lidos em seus idiomas originais, portanto quando consigo, faço isso). Assim conheci diversos autores latino-americanos. Isabel Allende foi uma delas. Suas histórias com pitadas de realismo mágico também me empolgaram como as de Gabo. Esse foi o primeiro livro que consegui ler inteirinho em espanhol ( sem ficar olhando no dicionário a cada  palavra) e me lembro perfeitamente de como me senti feliz.

  • Sagarana – Guimarães Rosa

Eu nunca gostei de Gumarães Rosa. Sempre o achei difícil de ler, e para mim a leitura tem que ser de fácil digestão ( não as idéias). Guimarães Rosa com seus neologismos e seu texto enxuto não me atraía, fugia o quanto podia. Quando fiz pós-graduação em Letras fui obrigada a estudá-lo mais a fundo. E para minha surpresa acabei fazendo minha monografia em cima de contos do Sagarana. Após dois anos de muito trabalho ( a monografia foi um parto) aprendi a enxergar além do texto e apreciá-lo um pouco mais.

  • A Encantadora de Bebês- Tracy Hogg

Tá, isso não é literatura. Mas estou falando de livros que mudaram minha vida. E esse mudou! Aprendi a ser mãe baseada no instinto, mas guiada pelos ensinamentos da enfermeira britânica. Sério, quem tem filho bebê ( ou pretende ter um dia) não pode deixar de ler. Não sei o que teria sido de mim sem esse prumo.

  • Comer Rezar Amar- Liz Gilbert

Todo mundo já ouviu falar desse best-seller ou do filme. Quando o li, grávida, mais de dois anos atrás, passei a entender várias coisas sobre mim mesma. A jornada de autoconhecimento da escritora, me incentivou a fazer a minha própria. Fora que o livro é bem gostosinho de ler.

Ausente de mim

14 fev

Sabe aquela sensação de que você dirigiu da sua casa até o trabalho e nem sabe como chegou lá? Ou quando você pergunta algo pra alguém e, cinco minutos depois, pergunta a mesma coisa? Pois é, sofremos de um mal mundial crônico. Diagnóstico: Distração exacerbada! Estamos viciados em nos distrair e absolutamente ignorar o que está acontecendo no presente momento! E atire a primeira pedra quem nunca sofreu desse mal!  

Estou lendo um livro fantástico da Pema Chodron (uma monja mega famosa mundialmente) que em português chama-se O Salto: um caminho novo para enfrentar as dificuldades inevitáveis. No livro, ela fala muito sobre nosso vício da distração: pensamos em tudo, TUDO mesmo, menos nas situações que realmente temos de resolver e no que estamos fazendo no momento presente.

De acordo com ela (e eu concordo total), nos enganamos por meio da distração: é muito mais confortável perder seu tempo pensando no vestido que você usará na festa de sábado do que decidir a melhor maneira de resolver o desentendimento que você teve com o seu chefe… Nos distraímos porque no mundo da fantasia temos o conforto de saber o que vai acontecer (já que é nossa mente fantasiando) e nos isolamos da realidade que, quase sempre, nos traz ansiedade.

Sei que esse papo se parece muito com vários outros que escrevo aqui, mas, minha gente, esse é um dos nossos maiores desafios: a auto-realização por meio da elevação da nossa consciência e do viver no momento presente, logo, eu sigo falando! O legal do livro (estou só no começo) é que ela oferece dicas de como voltar para o presente e parar de distrair-se!

O conselho mais simples e bacana até agora (não me xingue ainda! Juro que dessa vez não é meditação) é o da respiração: diariamente, escolha um momento ou uma situação onde você lembre de parar e respirar profundamente por 3 vezes. Coloque toda a sua atenção no inalar e exalar e permita-se, logo após a terceira respiração, também sentir o seu  corpo, escutar os sons do ambiente, cheiros… É um tempo de pausa e conexão com o agora! Quanto mais fizermos isso (meu professor de meditação fazia esse exercício toda vez que tinha de abrir uma porta – antes de abrir ele parava e respirava 3 vezes, no matter what!) mais vamos criar o hábito de ter nossa atenção no agora! Muito simples e eficaz!!

 E por que você faria isso? Bem, para aumentar sua concentração e foco, para ter mais calma na hora de resolver situações desafiadoras, para colocar mais oxigênio no seu corpo e nutrir suas células melhor, para escolher melhor as palavras antes de falar… Muitos benefícios! Fico por aqui! E sugiro o exercício! Eu adoro fazer principalmente dirigindo! Tente, e me conte depois! Beijo e Namastê!

Fim do castigo

11 fev

Desculpa aí, mas eu vou ao show!!!!

Em janeiro de 1998, quando o U2 se apresentou ao Brasil pela primeira vez, foi bem fácil comprar  os ingressos. A internet ainda era incipiente ( eu nem tinha email , abri minha conta no hotmail em junho daquele ano), portanto foi só ir a uma Loja de Departamentos ( acho que foi C&A) e pagar. Easy.

Eu tinha acabado de chegar da praia com minha melhor amiga, ingressos na mão para o show que rolaria à noite. De repente bateu uma crise de mocoronguice e achamos “meio trampo” irmos só nós duas para o Morumbi. Acreditamos que seria muito mais legal ir para Rio Preto numa festa que nem lembro o nome e muito menos o que aconteceu. Com essa beleza de pensamento, pegamos nossos dois ingressos e doamos para o dono da banca de jornais em frente do meu apê ( RIP Chico) que tinha dois filhos adolescentes. E foi assim que fiz a MAIOR cagada da minha vida.

Desnecessário dizer que o arrependimento foi quase imediato né? Mas enfim, já não havia mais nada a ser feito, além de me lamentar pelos 14 anos seguintes. Quando a banda veio de novo ao Brasil em 2006, já com a internet bombando, foi impossível comprar ingresso ( tentei muito), então aceitei resignada o meu castigo. Eu merecia, inclusive.

No ano passado Bono e sua turma anunciaram que fariam show aqui de novo. E quando os ingressos foram colocados à venda na net, foi o mesmo inferno da outra vez. Fui mais disciplinada, fiquei algumas madrugadas tentando, entrei em fã clube do Muse ( que vai abrir o show). Mas nada deu certo. Dessa vez foi difícil engolir. Não houve resignação, mas uma decepção amarga. Pô, já fui castigada o suficiente né não?

Eu já estava conformada ( a gente se conforma com tudo) e meio arrasada de pensar que mais uma vez perderia o show. Cheguei a cogitar ver em Buenos Aires, mas aí lembrei que sou casada, tenho um filho e outras prioridades na vida. Então, um beijo Bono, fica para a próxima honey.

Mas não. “Eis que surge a roda-viva e carrega o destino pra lá”. O LINDO do meu irmão me avisa essa semana que conseguiu ingressos para eu ver o show! Eu vou ver o Bono. Eu vou ver o U2. Eu vou me acabar de tanto dançar e cantar e gritar ( gato, tenha paciência comigo por favor, vou tietar no grau master mega plus). Estou me sentindo adolescente de tão emocionada! Juro, tipo fui ouvir uma música deles agora e lagriminhas surgiram nos meus olhos.

 Beijo Bono, até abril.

Pra celebrar a música mais linda EVER: One. Dá quase empate técnico com With or Without You.

ONE
Is it getting better?
Or do you feel the same?
Will it make it easier on you now?
You got someone to blame

 

You say one love, one life
It’s one need in the night
One love, we get to share it
Leaves you, darling, if you don’t care for it.

 

Did I disappoint you?
Or leave a bad taste in your mouth?
You act like you never had love
And you want me to go without

 

Well, it’s too late, tonight,
To drag the past out into the light
We’re one, but we’re not the same
We get to carry each other, carry each other
One

 

Have you come here for forgiveness?
Have you come to raise the dead?
Have you come here to play Jesus
to the lepers in your head?

 

Did I ask too much, more than a lot?
You gave me nothing, now it’s all I got
We’re one, but we’re not the same.
Well, we hurt each other, then we do it again.

 

You say:
Love is a temple, love a higher law
Love is a temple, love the higher law
You ask me to enter, but then you make me crawl
And I can’t keep holding on to what you got
When all you got is hurt.

 

One love, one blood
One life you got to do what you should.
One life with each other: sisters, brothers.
One life, but we’re not the same.
We get to carry each other, carry each other.
One love! One!

Melhor filme do ano

8 fev

 

Fui ver Cisne Negro ( Black Swan) sem saber exatamente de que se tratava. Sabia apenas que era filme sobre balé, candidato a Oscar e com Natalie Portman.  Não imaginava que se tratasse de um thriller psicológico e muito menos que seria um filme daqueles que a gente jamais esquece.  Eu ainda não encontrei adjetivos para definir Cisne Negro.

O diretor Darren Aronofsky é o mesmo do filme Requiém para um Sonho, outro filme marcante. Natalie Portman faz a melhor performance de sua carreira, sustenta com tranquilidade os longos closes com expressões de dor e angústia ( aquele rosto simetricamente perfeito), além de estar presente em absolutamente todas as cenas do filme. Não sei se ela realmente dançou no filme, mas me pareceu a melhor bailarina do mundo. Atuação impecável.

O enredo é sobre Nina ( Natalie), dançarina de uma companhia de balé de Nova York que se vê diante da maior oportunidade de sua vida, ser a protagonista do Lago dos Cisnes. Entretanto, para isso a doce bailarina precisa encontrar seu “dark side”  e interpretar o Cisne Negro. Nessa luta, em que sua maior inimiga é ela mesma, Nina conta com a ajuda do coreógrafo Thomas ( Vicent Cassel) que usa de seu magnetismo sexual para pressioná-la a se soltar. Aliás, nunca achei Cassel bonito e jamais entendi como ele conseguia ser casado com Monica Belucci, maior diva. Finalmente entendi, neste papel ele transpira sex appeal.

A busca pela perfeição, a disciplina excessiva, a pressão psicológica e o medo de perder sua grande chance levam a protagonista à loucura. E seus devaneios conseguem nos enlouquecer junto com ela.  Na cena em que ela se liberta por algumas horas com a colega Lilly (Mila Kunis de The 70’s Show) embarquei na viagem lisérgica literalmente. Ao fim, os delírios são tão estonteantes que não sabemos mais o que é a realidade e o que está apenas na mente de Nina. Suspense na melhor acepção da palavra.

Eu fiz balé por 9 anos e modéstia à parte, tinha talento para a coisa. Mas nunca compreendi perfeitamente a relação entre a dor excruciante ( só quem já usou uma sapatilha de ponta sabe do que estou falando) e a beleza da dança. Então, desisti. Não tive disciplina e foco suficientes para suportar a dor. Talvez por isso, a jornada da bailarina ( o exato oposto do que fui) tenha me tocado ainda mais, porque me ajudou a entender. Mas tenho certeza que mesmo para aqueles que jamais chegaram perto de uma sapatilha esse também será um filme inesquecível.  Recomendo com força. Corre lá!

Praticar

7 fev

De Buda em Buda o silêncio enche o coração.

Meditar é como lavar a pia todo dia. Limpando a sujeira, fica tudo limpinho e brilhoso. Claro de ver. Fácil de entender. Gostoso de conviver.

De Yoga em Yoga o corpo se transforma.

É a força pra ver o mundo de cabeça pra baixo. É a flexibilidade pra curvar o peito e abrir o coração até tocar o chão. É a sabedoria de se entregar na hora certa.

De consciência em consciência a vida progride.

É controle pra não deixar o drama entrar. É compaixão pra entender que ninguém vive na miséria ou faz coisas ilegais porque gosta. É abrir espaço para o novo. É se auto-realizar.

De reza em reza os milagres vêem.

É a fé interna que nos faz agir corretamente. É a certeza de que tudo chega na hora certa. É agir de acordo com nossos princípios. Que assim seja. E assim é.

De gratidão em gratidão o amor se expande.

É beleza reconhecida em cada passo. É aceitação que traz paz interior. É saber que o bem sempre cresce. É dividir o que se tem por prazer. É saber que somos um com todos. É saber que aprender é um presente. É saber que a felicidade é a caminhada e não o destino.

Jewel, quem lembra dela?

4 fev

Nos anos 90 eu tinha um amigo querido que vivia gravando fitas K7 para mim. Eu colocava no tape do carro (da minha mãe) e saía dirigindo que nem louca, cantando alto. (Ok, eu ainda faço isso). Hoje achei uma dessas fitas na casa da minha mãe e ao colocar no tape da sala: surpresa. Jewel. Eu NUNCA mais tinha ouvido ou lembrado dela. E eu era completamente viciada nas duas músicas da minha fitinha ( Who Will save your soul e You were meant for me).

Deu uma saudade de tudo! Do carro da minha mãe (que bati 3 vezes, obrigada), das fitas gravadas, da época em que para gravar uma música era necessário esperar que a rádio  a tocasse (gravava com propaganda, locutor e tudo), saudade de dar carona para todas as amigas que coubessem no carro, de passar 200 vezes na frente da casa dos paqueras de cada uma, da sensação de liberdade que só uma garota de 18 anos que acabou de tirar carta pode ter. Delicia!

Já sei qual música vai direto para meu Ipod me salvar da Joss Stone.

Enjoy!

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