Teu passado te condena?

24 mar

“Quem vive de passado é museu”. Lembro-me perfeitamente quando escutei essa declaração do filho do Pelé, que na época estava jogando como goleiro em algum time importante, e começou a ser cobrado por ser filho do Rei do Futebol… Eu era adolescente, mas aquela frase me tocou profundamente. Anos depois, em um workshop muito especial que fiz em Minas, a primeira atividade consistia em entrar em um local muito especial e lá deixar o que quer que estivesse te impedindo de ser feliz. Eu fiquei surpresa quando mais de 60% do grupo escolheu o passado como maior causador de sofrimento na vida deles. E assim vai… Tenho pensado muito no passado e discutido muito sobre ele. E você? Qual é o peso do passado na sua vida?

Desde de comecei meus estudos, sempre encontro a mesma afirmação em diversos e diferentes escrituras espirituais: para ter uma vida saudável, deixe o passado para trás. Concentre-se no presente. No Master em Psicologia que estou fazendo existem teorias diferentes, mas as mais recentes e impactantes também oferecem pouca atenção ao passado ou o ignoram completamente. Por muito tempo eu fiz psicanálise e acreditei que tinha dissecado todo o meu passado, mas a vida tem me oferecido muitas situações onde constato, mais e mais, que algumas feridas que eu julguei cicatrizadas ainda estão abertas profundamente. A pele parece curada, mas a ferida ainda sangra internamente.

Então o que fazer? Deixar o passado para trás e tentar seguir em frente totalmente concentrada no presente? Ou visitar o museu, abrir de vez a ferida e estancar o sangramento para que enfim a cicatrização aconteça? Eu decidi optar pelo caminho do meio. Quando sentir que existe algo ainda profundo e pesado sobre o meu passado, farei uma mini cirurgia para avaliar a situação e curar o que está me impedindo de viver plenamente. Quando sentir que estou reagindo baseada em fatos do passado, mas que não são dramáticos, são apenas condicionamentos e padrões cimentados com o tempo, buscarei agir de maneira diferente, buscarei permitir que o novo entre e me surpreenda. Pois é impossível beber duas vezes a mesma água do Rio com belas correntezas.

Sugiro que você comece a observar o quanto o passado te influencia. Pode ser que você abra mão de uma proposta por ter medo que algo que já ocorreu volte a acontecer (e a probabilidade de você estar certa é pequena, já que cada situação é única). Pode ser que você esteja negando-se certas experiências por medo de ser machucado (a) (mesmo sabendo que as pessoas envolvidas nessa nova experiência são totalmente diferente das do passado). Pode ser que você esteja magoando pessoas porque reage brutalmente à situações não tão complicadas, mas que te remetem à aquela ferida que ainda sangra embaixo da pele saudável.

Observe. Sem estresse. Aceita suas fraquezas, mas trabalhe para vencê-las. Encare-se como um eterno aluno (a) da vida. Saiba que sempre, sempre existe espaço para mudar, adaptar, transformar. E, quando sentir que a ferida cicatrizou genuinamente, feche a porta do museu e segue em frente! Beijo no coração e Namastê.

PS: acabo de observar que tenho escrito muito sobre o passado. Peço desculpas! No entanto, lembro que quando temos uma (ou algumas)  lição (ões) para aprender, ela volta a acontecer na nossa vida até que possamos compreender e aprender definitivamente. Provavelmente eu tenho algo para aprender sobre minha relação com o passado. E você?

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2 Respostas to “Teu passado te condena?”

  1. BRuno 24 de março de 2011 às 10:49 am #

    Livia, muito obrigado por mais um excelente texto!
    O negocio, (segundo o Velho Sidarta e seu amigo Vasudeva), é não ficar futucando a ferida, deixar que ela feche naturalmente…
    algumas não vão sarar, e justamente são essas que serão nossos grandes gurus…
    eu tenho uma em especial, que não consigo sarar…
    de uma bezerrinha linda, a fulô, recem nascida que morreu empanzinada de tanta ração que dei para ela… há anos e sempre me lembro, paro por um minuto e ajusto a bussôla – para o caminho do Bem!
    bjs

    • tia neguinha 24 de março de 2011 às 11:08 am #

      moça li e reli e nas entrelinhas percebo que vc como eu e como muitos mesmo tentando esquecer a gnete volta ao passado ,
      as vezes nem com pensamentos negativos ,mas as lembranças chegam a doer sim ;e apagar tudo isso… só depois de muita sabedoria e a minha vem de leve rsrs.
      acredito que vc tem razão; em dizer que devmos secar as feridas
      mas feridas mal curadas , sempre apresentam dores mesmo que hoje só sirvam , pra nos amadurecer ,
      esquecer é sábio e pensar seria tolo ?
      vamos nessa !
      e que sejamos sábios pois mesmo que não esqueçamos ; façamos do limão uma limonada meio acida é claro mas agora com mais precisão no provar rsrs
      abraços e continue escrevendo , vcs são ótimas
      abração
      Léo
      (tia neguinha )

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