Saudade das minhas amigas

25 fev

Com o passar do tempo, passamos a sentir mais saudade de coisas pequenas. Tão pequenas e cotidianas que um dia acreditamos ser eternas, garantidas, vitalícias.
O que eu teria feito se alguém me dissesse, 10 anos atrás, que num sábado de madrugada eu sentiria meu coração doer de vontade de encontrar minhas amigas?
Ou que então eu não saberia dizer onde qualquer uma delas estava passando sua noite?
Eu provavelmente riria, e explodiria em um discurso sobre o quanto eu tinha certeza que jamais me afastaria delas, sempre saberia seus passos e os acompanharia.
Mas com o passar do tempo…
O improvável vira estatística.

O nunca vira talvez.

E a maior parte de suas verdades desaparecem, ou se transformam.
Eu, hoje, sinto saudade das minhas amigas.
Da nossa convivência diária, dos segredos compartilhados, da ausência de julgamentos.
Da maior tolerância, do menor senso crítico. Da efemeridade das brigas.
Saudade de nos trocarmos juntas, uma maquiando a outra. Dos armários partilhados.

Do sol nos surpreendendo no meio da noite. Do som alto no carro tocando Legião, Ben Harper ou Smashing Pumpkins.
Das descobertas mútuas. Das cagadas anunciadas, dos fins de noite memoráveis.
Saudade.
De um tempo bom que não volta mais.
Saudade de tudo aquilo que eu- graças a Deus- vivi!

 

*Postado originalmente no falecido blog Meu Novo Cotidiano, também num sábado,  no dia 08 de março de 2008

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