Arquivo | abril, 2012

Vai um segundo filho aí?

23 abr

Acho engraçado como a sociedade sempre tem uma nova atividade a nos impor. Quando estamos solteiros, temos que casar. Quando casamos, temos que ter filhos. E quando temos o primeiro filho, logo vêm as perguntas: e o segundo, quando vem?

Eu nunca fui de me importar muito com os padrões impostos pela sociedade, mas que  enche o saco, enche.

Sou casada há mais de cinco anos e meu filho completou três. E eu ainda não estou pronta para ter um segundo. E para o desespero geral da nação: nem sei se vou estar um dia!

Acho que ideia de ter dois (ou 3, 4) filhos bárbara. Em um mundo ideal, onde eu morasse na mesma cidade que minha mãe ( ou tivesse uma babá), pudesse trabalhar apenas meio período ( ao invés de acumular dois trabalhos) e a mensalidade de uma escola de educação infantil não custasse mil reais, eu já teria, inclusive, tido esse segundo filho!

Mas não é só isso. O comprometimento emocional com um filho é algo sério. Eu não acho que um casal deva decidir ter outro filho só para o primogênito ter um amigo. Ou para ter com quem contar na velhice. Ou porque filho único é igual bicho papão.

Sério, já ouvi cada argumento para me incentivar a ter esse bendito segundo filho…

Nada disso me convence. Em minha opinião, o único motivo plausível para se ter filhos ( qualquer número que seja) é querer muito. Muito mesmo. Porque botar filho no mundo não é igual comprar boneca. Muda tudo, vira do avesso, transforma, bagunça, chacoalha.  É um mini tsunami. Que ao invés de morte e tristeza, te enche de amor. Mas  arrasta sua casa e deixa um rastro de bagunça que não se consegue colocar em ordem novamente tão fácil.

Acho também que vai do temperamento de cada um. Tem pais que são mais relax, levam a vida com mais tranquilidade, sem se preocupar tanto. Eu e meu marido não somos assim. Sou totalmente control-freak e tenho imensa dificuldade em delegar as funções de mãe para quem quer que seja. Eu quero supervisionar tudo, fazer sempre o melhor. Faço com prazer, mas sou intensa demais e isso exaure. Meu gênio também não é fácil. Tenho explosões de raiva e a paciência não é uma das minhas virtudes. Tenho medo do grau de estresse que posso chegar com duas pessoinhas dependendo de mim para tudo. Acho egoísmo de minha parte não pensar nisso também.

Quando Gael nasceu eu estava num ritmo de trabalho completamente oposto ao que estou agora. E meu marido também. Passei 6 meses por conta dele, trabalhando somente 4 horas por semana. Podia contar com meu marido o dia inteiro, para o que precisasse. E ainda assim quase morri de tanta pressão e cansaço. Como eu encaixo mais um serzinho na minha atual  rotina caótica? Eu não consigo ser meia boca. Quero ser mãe por inteiro, quero ser a melhor do mundo e com essa vida não sei se consigo.

Não acredito nesse estereótipo de filho único mimado e egoísta. Tenho uma porção de amigos que não têm irmãos e eles são iguaizinhos a mim. Com defeitos e qualidades como qualquer ser humano. Não acho que eu precise ter um outro rebento para ensinar o meu a dividir as coisas.  Claro que ter irmão é legal. Mas isso não é garantia de absolutamente nada. Pais dedicados e amorosos podem criar um adulto seguro, saudável e bem resolvido. Isso que importa.

Posso dizer que me sinto completa com o Gael na minha vida. Não sinto falta alguma de nada.  O amor que dou e recebo me satisfaz de forma inexplicável. Entretanto, é lógico que a possibilidade de  multiplicar esse amor materno me seduz bastante. Sinto vontade. E também imagino que observar o amor de irmãos seja uma das coisas mais gratificantes dessa vida. Mas por enquanto, a ideia mais me assusta do que encanta.

A decisão ainda não está tomada, e não depende só de mim. O jogo só acaba quando o juiz apita. Ainda iremos decidir como será nossa família. Eu só não quero mais me sentir julgada  ou cobrada por essa decisão.

Xô urucubaca e os aprendizados em meio ao caos

20 abr

Não, não quero dramatizar o que aconteceu comigo. No entanto, tenho de concordar que drama é o que não tem faltado na minha vida! Desde janeiro deste ano todos os meus cartões de crédito foram clonados (sim, todos), meu cachorro fugiu e ficou desaparecido por 3 semanas (o que me fez pensar que ele estava morto e eu fiquei de luto até quando ele foi encontrado), fui assaltada (os detalhes dessa novela Mexicana estão no post anterior, caso você não tenha lido), um familiar querido e importante faleceu e tive um desentendimento com uma das minhas melhores amigas! Ufa! Chega né pessoal lá de cima! Decidi que a fase “urucubaca Lívia 2012” acaba hoje, dia 20 de abril! E tenho dito!

De qualquer forma, o post não é para dar detalhes da macumba com galinha e cachaça que devem ter deixado em uma esquina qualquer de Miami pra mim não, mas para contar o que aprendi em meio ao caos de todos esses acontecimentos sequenciais. E, se você pensa que eu estou me expondo demais, aqui vai minha resposta – “Eu não tenho vergonha de ser quem sou, nem dos meus erros, nem medo do julgamento dos outros. Estou aqui pra dizer e ser minha verdade e com isso espero inspirar outros a ser o mesmo, pois somos todos estudantes da vida”.

Então aqui vai:

1)      Nada é pessoal. As coisas acontecem não com você, mas por meio de você! Parece difícil entender esse conceito. Até pra mim, mas se você tem algum conhecimento de meditação, yoga, budismo ou espiritismo, vai entender melhor o que estou falando. Caso contrário, comece a observar a sua vida e teste a minha teoria (com total liberdade pra discordar)! O que quero dizer é que as coisas aconteceram não pra me afetar pessoalmente, mas para que eu pudesse expressar a minha humanidade por meio delas. É tipo um filme, caro leitor! Minha alma decidiu colocar todas essas situações na minha vida (atual) pra que eu pudesse curar algumas feridas do passado (passado meaning outras vidas), ou para que eu aprendesse algo nessa vida mesmo, ou para que eu tivesse uma nova perspectiva em relação a vida, relacionamentos, medos… Ex: o ladrão que me roubou não queria roubar algo de mim, Lívia Stábile, mas sim de alguém que faz parte de uma classe social que  tem muito mais acesso, riqueza, educação e oportunidade do que a classe social dele. A amiga com quem tive um desentendimento não estava ofendida comigo, mas com uma parte dela mesma (alguns chamam essa parte de ego!!) que ainda se julga magoada por atitudes de terceiros (no caso euzinha) que não tem noção de que tais atitudes a magoariam. Pude aprender várias lições com cada uma das situações que se apresentaram por meio de mim! E sou grata por ser um veículo ativo de criação e aprendizado!

2)      Toda crise pede renovação. Cada pequeno ou grande drama que acontece na sua vida faz com que você veja ela (ou a interprete) de outra maneira. Em uma pequena escala, hoje dou muito menos atenção para meu celular (até porque estou usando um bem velho) e para minha vida cibernética (e-mail, Facebook) e vivo muito mais no momento presente. Em uma grande escala, hoje acredito ainda mais na força do Universo e da proteção que pessoas de bem, como eu e você, recebem em situações de perigo. Explico: descobri que o ladrão que me roubou tem passagem extensa na polícia, incluindo roubo com revólver, agressão a policiais, tráfico de drogas, etc. O que me fez ver que cair no chão foi o que de menos perigoso poderia, e de fato, aconteceu durante o episódio. E sou grata por isso. Então, lembre-se, drama chama renovação! Reavalie suas idéias, julgamentos, veja de que forma você contribuiu para a situação e renove o que precisar ser renovado.

3)      Amigo de verdade não tem preço. Quando digo amigo incluo minha família, pois família pode ser família, mas não de amigos! Hehe! Graças a Deus a minha é formada de amigos! Em momentos de trauma não existe nada que acelere a cura mais do que o amor e o carinho de amigos. Não hesite em pedir ajuda, ou carinho, ou atenção. Muitas vezes esperamos que as pessoas saibam o quanto estamos carentes de amor, mas elas não tem ideia do que está passando na nossa fértil mente! Pois ninguém tem uma bola de cristal portátil na bolsa! Logo, se você não estiver recebendo aquilo que precisa (não o que quer egoisticamente, olha a direfença!) de seus queridos, peça! Eles vão agradecer sua comunicação clara! Eu pedi ajuda mesmo, deixei bem claro minha vulnerabilidade e me sinto amparada em vários sentidos!!! E agradeço abertamente minha família e amigos que me apoiaram de várias formas, mandaram boas vibrações e aguentaram meu jeito estranho (e choroso) de ser nos últimos tempos!

4)      Em momentos de trauma seu corpo e sua mente congelam! Isso mesmo! Após liberar muita adrenalina (em momentos agudos de choque, susto, ou medo) o seu corpo entra em um estado de conservação de energia (no caso do perigo se prolongar e você precisar de mais energia mais tarde), e o seu metabolismo desacelera. Fiquei absolutamente sem vontade de me mexer (até porque doía muito meu peito e costelas) por mais de 20 dias e quando voltei a Yoga, essa semana, senti meu corpo todo travado, como se muitos nódulos de energia bloqueada tivessem se espalhado por ele. Além disso ganhei uns quilinhos básicos, claro, mas sinto tanto amor e gratidão pelo meu corpo e pela minha saúde que eles representam nada além da minha capacidade de recuperação rápida! No lado mental, fiquei pelo menos 2 semanas me sentindo fora do meu próprio corpo, me sentindo violada, estranha, sem achar graça na vida, sem fazer minhas piadas bobas, sem ser eu. Fui uma estranha dentro de mim. Graças a ajuda de amigos (+ família) e de amigos que também são terapeutas holísticos aqui, eu volei “a mim mesma”! Hahaha! Entretanto, a experiência de ser um estranho no ninho foi fantástica e agora posso entender bem melhor a reação de pessoas que passaram por situações traumáticas! Minha compaixão, paciência, empatia e admiração por elas, no mínimo, triplicou.

5)      Nada na vida é mais importante do que o amor! Tá, pode parecer brega, piegas, eu não ligo não!!! Nada na vida é mais importante que o amor!! Sempre existe uma saída para os maiores desafios se você relembrar o amor que você tem dentro de você! E amor no sentido maior mesmo! Amor por você mesmo, amor pela vida, amor porque aqueles que te amam, amor por aqueles que te ferem (lembre-se, nada é pessoal). O livro Curso em Milagres tem uma frase genial que diz “Todo ataque é um grito de ajuda”. Acho lindo e verdadeiro. Sempre que se sentir atacado (a), por um desconhecido( a) ou conhecido (a), enxergue o grito de ajuda por traz do ataque e ofereça seu amor, ao invés de oferecer raiva, rancor, vingança ou medo. Veja o que acontece! Seu amor é capaz de mudar tudo, de abrir portas e janelas para infinitas possibilidades, de fazer sua alma dançar ao vento, de criar flores no jardim do seu coração. Sempre que estiver vivendo qualquer dificuldade, ou desafio (como eu prefiro falar), lembre-se do seu amor, de como ele é infinito. Sinta-o, agradeça-o. É lá que todas as respostas estão!

Aprendi muitas outras coisas além das enumeradas acima, mas sei que seu tempo é valioso, então relato apenas as mais importantes. Se você já passou por momentos desafiadores e aprendeu algo que não está aqui, por favor, deixe seu comentário e enriqueça ainda mais esse blog, oferecendo sua sabedoria para outros que precisem! Agradeço sempre sua leitura, carinho e atenção!

Beijo no coração e Namastê!

Um post sobre o nada

12 abr

Sumi, eu sei. Sumi até de mim mesma se vocês querem saber.

Resolvi aceitar um novo desafio profissional no final do ano passado, mas ainda mantive o antigo, e como resultado estou trabalhando dobrado e sem tempo algum para ócio criativo, aliás nem para ócio não-criativo. Não tenho tempo para mais absolutamente nada, além dos trabalhos, filho e marido.

E não estou escrevendo isso porque acho bonito ( Bonito seria dizer que estava viajando pelas ilhas gregas no meu iate) . Aliás, nem eu sei direito porque esse post começou assim. Acho que é para justificar minha ausência. E também porque estou sem assunto. Ando tão cansada de guerra que estou com preguiça de ser profunda, de fazer análises complexas, de consumir cultura útil. Tô rasa, gente.

Estou craque na nova novela das oito, viciei em alguns blogs de humor com posts rápidos, vejo minhas séries; mas malemá tô conseguindo acompanhar o curso de Literatura que faço todas as segundas-feiras. I’ve been better, but I’m good. Esse post está parecendo os post do meu primeiro blog, o Louco Cotidiano. Na época em que ter blog era cool e a gente escrevia qualquer coisa, porque ninguém lia mesmo. Liberdade total. Não que aqui eu tenha um milhão de leitores ( embora já tenhamos atingido a marca de 43 mil visitas nesses quase dois anos), mas rola uma certa obrigação tácita de escrever alguma coisa que preste e que faça sentido. Pois é, acho que falhei dessa vez.

Esse ritmo anestesiante  alucinante de trabalho não será eterno, logo eu ganho na MegaSena, daí vou poder me dedicar aos meus escritos sem precisar me preocupar com ganhar dinheiro. Porque escrever e ganhar dinheiro são verbos que não andam juntos, vocês sabem né?

Falando nisso, estou escrevendo um livo. Bom, isso não é  muito uma novidade porque eu estou escrevendo um livro mais ou menos desde  quando eu tinha uns 12 anos e  nunca consegui acabar livro algum. Mas dessa vez é diferente porque eu sei a história inteira e eu tenho método. M-É-T-O-D-O gente. Então essa também é parte da razão pela qual quase nunca venho aqui, porque quando há espaço para o tal ócio criativo, eu uso ele para o livro. Em breve posto um capítulo aqui para vocês lerem. Mentira, não vou postar. Nem sei se vou terminar esse também, sejamos realistas, mas me faz bem pensar que sim. Acreditar nesse livro é o meu oásis nesse deserto .

Então é isso, venho aqui humildemente pedir-lhes que não desistam desse espaço. Ele anda meio abandonado ( a Lívia mudou de casa e ainda está desprovida de internet), mas é muito importante para nós. Voltem sempre e obrigada pela paciência.

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