Vai um segundo filho aí?

23 abr

Acho engraçado como a sociedade sempre tem uma nova atividade a nos impor. Quando estamos solteiros, temos que casar. Quando casamos, temos que ter filhos. E quando temos o primeiro filho, logo vêm as perguntas: e o segundo, quando vem?

Eu nunca fui de me importar muito com os padrões impostos pela sociedade, mas que  enche o saco, enche.

Sou casada há mais de cinco anos e meu filho completou três. E eu ainda não estou pronta para ter um segundo. E para o desespero geral da nação: nem sei se vou estar um dia!

Acho que ideia de ter dois (ou 3, 4) filhos bárbara. Em um mundo ideal, onde eu morasse na mesma cidade que minha mãe ( ou tivesse uma babá), pudesse trabalhar apenas meio período ( ao invés de acumular dois trabalhos) e a mensalidade de uma escola de educação infantil não custasse mil reais, eu já teria, inclusive, tido esse segundo filho!

Mas não é só isso. O comprometimento emocional com um filho é algo sério. Eu não acho que um casal deva decidir ter outro filho só para o primogênito ter um amigo. Ou para ter com quem contar na velhice. Ou porque filho único é igual bicho papão.

Sério, já ouvi cada argumento para me incentivar a ter esse bendito segundo filho…

Nada disso me convence. Em minha opinião, o único motivo plausível para se ter filhos ( qualquer número que seja) é querer muito. Muito mesmo. Porque botar filho no mundo não é igual comprar boneca. Muda tudo, vira do avesso, transforma, bagunça, chacoalha.  É um mini tsunami. Que ao invés de morte e tristeza, te enche de amor. Mas  arrasta sua casa e deixa um rastro de bagunça que não se consegue colocar em ordem novamente tão fácil.

Acho também que vai do temperamento de cada um. Tem pais que são mais relax, levam a vida com mais tranquilidade, sem se preocupar tanto. Eu e meu marido não somos assim. Sou totalmente control-freak e tenho imensa dificuldade em delegar as funções de mãe para quem quer que seja. Eu quero supervisionar tudo, fazer sempre o melhor. Faço com prazer, mas sou intensa demais e isso exaure. Meu gênio também não é fácil. Tenho explosões de raiva e a paciência não é uma das minhas virtudes. Tenho medo do grau de estresse que posso chegar com duas pessoinhas dependendo de mim para tudo. Acho egoísmo de minha parte não pensar nisso também.

Quando Gael nasceu eu estava num ritmo de trabalho completamente oposto ao que estou agora. E meu marido também. Passei 6 meses por conta dele, trabalhando somente 4 horas por semana. Podia contar com meu marido o dia inteiro, para o que precisasse. E ainda assim quase morri de tanta pressão e cansaço. Como eu encaixo mais um serzinho na minha atual  rotina caótica? Eu não consigo ser meia boca. Quero ser mãe por inteiro, quero ser a melhor do mundo e com essa vida não sei se consigo.

Não acredito nesse estereótipo de filho único mimado e egoísta. Tenho uma porção de amigos que não têm irmãos e eles são iguaizinhos a mim. Com defeitos e qualidades como qualquer ser humano. Não acho que eu precise ter um outro rebento para ensinar o meu a dividir as coisas.  Claro que ter irmão é legal. Mas isso não é garantia de absolutamente nada. Pais dedicados e amorosos podem criar um adulto seguro, saudável e bem resolvido. Isso que importa.

Posso dizer que me sinto completa com o Gael na minha vida. Não sinto falta alguma de nada.  O amor que dou e recebo me satisfaz de forma inexplicável. Entretanto, é lógico que a possibilidade de  multiplicar esse amor materno me seduz bastante. Sinto vontade. E também imagino que observar o amor de irmãos seja uma das coisas mais gratificantes dessa vida. Mas por enquanto, a ideia mais me assusta do que encanta.

A decisão ainda não está tomada, e não depende só de mim. O jogo só acaba quando o juiz apita. Ainda iremos decidir como será nossa família. Eu só não quero mais me sentir julgada  ou cobrada por essa decisão.

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5 Respostas to “Vai um segundo filho aí?”

  1. Paty Vaz 23 de abril de 2012 às 9:07 pm #

    Grande verdade Fabi, infelizmente hj as mães se preocupam com a babá que cuidarão e irão criar seu filho do que com ele propriamente dito… acho que o filho quer também a sua mãe tanto quanto sua mãe deveria desejar estar a todo momento perto de seu filho e acompanhá-lo e educá-lo que é a parte mais díficil desse misterioso ser que nos deixa por hora boba de amor né! O segundo filho é um capítulo a parte e bem mais complexo para que uma mãe sobreviva com todas as cobranças desse mundo de hoje!

  2. Gloria 26 de abril de 2012 às 12:37 am #

    Me senti totalmente identificada com seu post. Tenho um filho de 1 ano e 5 meses e meu marido quer ter o segundo. Eu não quero… sei que não vou dar conta. Quase nem dou conta da minha vida agora com tanta coisa pra fazer. Já me chamaram de egoísta porque “não vou dar um irmãozinh@” pra me filho. Minha gravidez foi “ótima” na pate física, mas também sofri muito com depressão pós-parto… Falam que tudo isso se esquece, eu não esqueço. Ainda nem consegui emagrecer os 15kg que ganhei.

    Tudo para os outros é importante. Tô cansada de ouvir “é só mais uma boca”. Não é só isso. Não é um cachorrinho que você só da água e ração… é tempo, educação, afeto… é muito mais complicado que tudo isso. Nem sei como alguém pode ter mais de um filho.. É uma loucura! Eu adoro meu filho, mas eu sou sozinha, embora meu marido ajude. Pra mim, o que tenho agora é perfeito e não precisa mudar.

  3. Lívia Stábile 20 de maio de 2012 às 3:28 pm #

    ADorei seu realismo amada! REalmente a sociedade tem cada história ultrapassada… Faça o que seu coração manda! O importate é o que já está fazendo: ser a melhor mãe que pode ser!! Beijos!

  4. Antônio Davi Roland de Brito 25 de setembro de 2012 às 3:17 pm #

    Filhos dão trabalho e dores de cabeça , por mais educados , sinceros , esforçados e batalhadores que sejam . Sinceramente , um filho está de bom tamanho !

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