Porque mudar de opinião vale a pena

16 maio

Quando ouvi falar da escritora ( letrista, vocalista, blogueira) Clara Averbuck pela primeira vez, acho que dando uma entrevista para o Jô, não gostei dela. Na época,  Clara era uma blogueira célebre que lançava seu primeiro livro. Assisti à entrevista toda, achei aquela gaúcha um tanto arrogante e decidi, por puro despeito: não li e não gostei.

Em 2010, Clara Averbuck ressurgiu na minha vida por meio do twitter, um RT interessante fez com que eu passasse a segui-la. Após alguns meses ela pagou o maior mico em rede nacional, ao participar do reality show Troca de Família e a forma como ela tirou sarro de si mesma, ganhou todo meu respeito e admiração. Fui, então, finalmente, ler seus livros.

À essa altura, Clara já tem quatro livros publicados (Máquina de Pinball”, “Das Coisas Esquecidas Atrás da Estante”, “Vida de Gato” e “Nossa Senhora da Pequena Morte”) e um filme baseado em sua obra. Mas, por incrível que pareça, nenhum deles pode ser encontrado nas livrarias. Com as edições esgotadas, tive que recorrer à internet para baixar  “Máquina de Pinball” e comprei diretamente da própria Clara um dos últimos exemplares de “Vida de Gato”.

A verdade é que cometi um erro: misturei a artista com a obra. O que as pessoas fazem com certa frequência sem nem perceber. E que é a coisa mais idiota do mundo. Pouco me importa se ela cantou mal na Bahia, se mistura remédio tarja preta com álcool ou se apaixona com velocidade avassaladora. Ela não é minha amiga, não preciso gostar dela para achar sua obra genial.  Só me importa que ela escreva bem. E isso ela faz.

O primeiro eu li sentada na sala de jantar dos meus pais, numa tela de computador, em duas horas e meia, sem parar nem para respirar. Era como se eu estivesse lendo os meus pensamentos, expressados de modo genial.

Clara escreve aos borbotões, seguindo o ritmo alucinado dos pensamentos de sua personagem, desassossegada, perdida, corajosa, frágil, irônica. Seu texto é visceral, possui uma força e uma verdade raras de se ver na literatura atual.

De modo geral, pelo menos nos dois livros que li, seus livros não se preocupam muito com a construção de um enredo. E isso não faz falta. Sua escrita é muito mais formada por fluxos de consciência, monólogos e reflexões do que por uma história propriamente dita. A história se passa basicamente dentro da cabeça da personagem, uma anti-heroína moderna. A influência de Jonh Fante e Bukowiski, seus ídolos declarados, é nítida.

Me apaixonei pelos seus textos. Recorri aos arquivos antigos de seus blogs brazileira!preta e adióslounge para matar a sede de leitura. E posso dizer, sem medo de errar, que mudar de opinião vale a pena. Clara Averbuck foi a minha maior descoberta literária dos últimos tempos. Recomendo super. Isso, se você conseguir achar os livros. Corra atrás dos sebos, você não vai se arrepender!

 

* Clara me mandou seguinte recado no twitter:

 ‏@claraaverbuck @fabimarques (meus livros serão todos republicados pela@editora7letras)
Ou seja, não precisaremos mais caçá-las nos sebos.
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: