Direitos iguais?

31 jul

Décadas atrás, umas senhoras que estavam cansadas de ficar em casa bordando, cozinhando, limpando e cuidando dos oito filhos, resolveram fazer uma revolução e queimaram seus sutiãs em praça pública pedindo direitos iguais para homens e mulheres. Tá, não foi exatamente assim, mas vocês entenderam. Foi uma vitória, um avanço, uma revolução. Mas acho que o resultado dessa revolução pode não ser exatamente o que elas tinham em mente.

Sim, hoje podemos votar. Sim, podemos – queremos, gostamos de — trabalhar, não há ~limites~ no mundo para esse gênero multifacetado que é o feminino. Entretanto, não importa o cargo que você ocupa no trabalho, quanto você ganha ou quantas horas você trabalhou no dia, se você chegar em casa e tiver uma pilha de louça suja ou um filho precisando de banho, adivinhem quem é que vai cuidar disso? Você minha querida amiga. Direitos iguais para quem?

Por melhor e mais participativo que seja seu marido ( e nem estou reclamando do meu, que é até acima da média. Love you Ju), na hora que o bicho pega, sobre sempre  para a mulher. Se o filho está de férias, o marido pode dar uma força, mas o encargo é da mãe. Se a empregada faltar, se a babá pedir as contas, o marido vai faltar do trabalho para cuidar da casa e dos filhos? Vai virar a madrugada fazendo serviços domésticos? Em 99% dos casos a resposta é não.

Quem não gostaria, depois de um dia cheio de trabalho, em que você resolve todos os pepinos do mundo, de sentar na sala com os pés para cima e abrir uma cerveja gelada assistindo a novela. E comer aquele prato delicioso que simplesmente brota na sua frente sem que você tenha feito qualquer esforço.  Daí é só dar um beijinho no seu filho amado, que já está banhado e de pijamas na cama, esperando apenas seu boa-noite. Eu gostaria e muito, mas minha realidade ( e acredito que de boa parte da população feminina casada e com filhos) é bem outra.

Reality bites. Mesmo quem tem babá e empregada todos os dias (o que não é meu caso), duvido que chega em casa e não faz mais nada. Nem que seja vestir aquele lingerie caprichado para animar o marido, numa noite em que não se está nada animada. Porque tem mais essa minhas amigas, além de profissional competente e boa mãe, você tem que estar linda e gostosa para seu marido Eu não sei vocês, mas aqui em casa as contas não batem!

É meio que uma maldição essa tal liberdade das mulheres. Na teoria, somos livres para fazermos tudo que quisermos, mas na prática simplesmente não damos conta. Simples assim. Eu me esforço ao máximo para não faltar com meu filho, no trabalho também é complicado baixar o nível. Resultado: ou minha casa fica meio desarrumada ou meu marido fica insatisfeito.

Não há horas suficientes no meu dia (tenho três trabalhos) para dar conta de tudo, ou ao menos, fazer tudo bem feito.  Ando sempre com aquela sensação de dívida, de dever não cumprido. Estou sempre me cobrando por aquilo que não fiz. É mais ou menos a sensação de andar na corda bamba, com as duas mãos ocupadas e um deadline para cumprir. Exaustivo, para dizer o mínimo.

E nesses dias de cão e excesso de tarefas, eu pergunto: valeu a pena queimar a porra dos sutiãs? Porque olha, as ultra feministas vão  me xingar, mas não sei não se eu não preferia estar em casa bordando, cozinhando e cuidando dos meus oito filhos. Tá, oito é demais, podia ser um só mesmo. Ok, ok, estou brincando ( mais ou menos)

Se você ainda não casou e nem tem filhos, não se assuste. Mas também não se iluda achando que com  você vai ser muuuito diferente. O que você pode fazer é educar seus filhos para que eles façam  diferente. É o que tento fazer com o meu!

Ah, e se você é homem e leu isso aqui até o fim, fica a dica: Antes de reclamar que a geladeira está vazia ou que sua mulher não tem tempo para você, coloque-se no lugar dela, nem que seja por cinco minutos.

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7 Respostas to “Direitos iguais?”

  1. Helga 1 de agosto de 2012 às 10:31 am #

    Show de bola!!!!!!! Parece que vc descreveu a minha vida!!!! Como sempre aliás….. Adoro, beijinhos

    • Fabi Marques 1 de agosto de 2012 às 12:05 pm #

      Thanks Hel!!! Depois quero te fazer um convite! Te mando por inbox no Fb. bjocas

  2. Lívia Stábile 2 de agosto de 2012 às 10:31 pm #

    Estamos em um momento posts rebeldes né! Adoro, pois só assim revemos conceitos e mudamos. Concordo muito com você, mas, posso dizer que aqui nos EU, os americanos equilibram um pouco melhor a divisão de tarefas. OS homens daqui são muito mais participativos em tarefas domésticas do que os brasileiros ou latinos. O problema é que as mulheres americanas acabaram ficando muito masculinas… Concluindo, os homens ajudam mais do que aí, mas as mulheres daqui perderam muito da feminilidade que as brasileiras e latinas ainda mantém… Por fim ainda estamos todos buscando o equilíbrio… E vamos que vamos! ADorei! bjos

    • Fabi Marques 6 de agosto de 2012 às 9:35 am #

      Sem dúvida o fenômeno é bem brasiliero. Na Europa e nos EUA, onde não há empregadas domésticas há muito tempo, os homens já aprenderam que têm que entrar na dança. C´est la vie!

  3. Cristina lemos 7 de agosto de 2012 às 10:54 pm #

    E a vida continua….pensei que com a geração de vocês fosse ser um pouco menos, tô vendo que ainda tem chão…e olha que o meu também é acima da média, e muito! Bjs

  4. Luiz Montanini 20 de maio de 2013 às 5:54 pm #

    Gostei. Simone de Beauvoir revirou-se no túmulo.

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