Arquivo | setembro, 2012

Snow Patrol

29 set

Eu não sei vocês, mas para mim, umas das melhores sensações da vida é se apaixonar por uma banda ou um CD. A alegria de descobrir cada verso da música, de perceber que a letra é tão incrível quanto a melodia e o prazer de ouvir o cd no repeat por semanas e semanas, sem enjoar.

Eu conheci  a banda escocesa Snow Patrol em 2006, por causa da série Grey´s Anatomy, que colocou a música Chasing Cars (linda de doer) no episódio de final de temporada mais marcante da série ( aquele que o Denny Duquete morre, para quem acompanha). Poucos meses depois a música Open Your Eyes estourou no Brasil, foi remixada numa versão dance e se você esteve nesse planeta nos últimos 6 anos, com certeza deve saber até cantar.

Mas tocou tanto tanto tanto, que eu não queria mais ouvir falar da banda e abandonei, até umas semanas atrás. Resgatei o álbum de 2006 ( Eyes Open) e me apaixonei. Gosto dele do começo ao fim ( quer dizer, tirando a música Open Your Eyes que realmente não dá mais para ouvir) e não consigo escutar outra coisa. Vício total.

Ainda nem baixei os álbuns mais recentes, mas pelo que tenho visto no you tube acho que não vou ficar desapontada. Então fica aqui minha dica musical.

Enjoy!

Foi bem difícil escolher um vídeo, porque nem sei qual música gosto mais. Veja o que acham e me contem depois!

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No Baile da Vida

19 set

Eu sei, eu sei. Estou sumida… Peço desculpas. A vida tem me carregado na sua melodia única, que tem sido bem agitada ultimamente. Mas aqui estou, com o coração apertado de saudade desse blog. Tenho tantas idéias, inspirações, mas a “realidade” ou a “rotina doida” corta meus pensamentos pela metade e não consigo concluir meus planos literários. No entanto, hoje me dei uma folguinha para dedicar tempo a você querido leitor (a)!

Como você tem passado?  O que tem feito? Como tem se sentido? O que tem sonhado ou aprendido? Estamos em um momento tão único… Não, não acho que o mundo acaba em dezembro, mas te garanto que as mudanças planetárias estão acontecendo em velocidade máxima. Vejo isso na minha vida e na vida de amigos e queridos. Você tem sentido também?  Você tem enfrentado alguma dificuldade que parece nunca largar do seu pé?  Você tem lidado com algo que vem te incomodando há tempos e você não entende por que não consegue resolver? Se você respondeu sim para uma dessas perguntas, ótimo! É hora de fazer a faxina no armário da alma e jogar fora aquilo que não te serve mais.

Eu tenho enfrentado vários desafios. Voltei para a terapia e tenho encarado meus medos e fantasmas como há muito tempo não fazia. Estou desenterrando defuntos pra poder cremar e deixar as cinzas irem embora e nunca mais me limitarem. Estou jogando na minha cara minhas fraquezas, desculpas, inseguranças, erros, pra fazer delas meus guias de cura. Curar o quê? Alma e mente meus caros! Agradeça cada problema que aparece na sua vida, pois  ele é seu passaporte para o crescimento espiritual e psicológico. Agradeça cada pessoa que te irrita, magoa, desanima, pois ela é um espelho do que existe dentro de você e precisa ser resolvido. No início do ano, 2012 chegou e gritou aos quatro cantos: “Não tem escapatória cambada, é hora de mudar”!!!

E com a mudança vem a beleza de saber que somos todos estudantes curiosos da mágica da vida. O importante agora é encontrar as suas armas para lidar com os desafios. Entre as minhas está a dança. Isso mesmo, a dança! Deixei a yoga (ou asanas, a parte física da yoga) um pouco de lado para mergulhar no mistério da dança livre, aquela sem coreografia ou sem necessidade de ser bonita. Ela pode parecer desajeitada, errada, engraçada, encabulada, ou ser agressiva, energética, sensual, emocionada. A dança muitas vezes é uma prece e eu tenho feito da minha dança um ritual de gratidão e de entrega. A dança me faz transcender. Aqui nos Estados Unidos, aulas e eventos que usam a dança como veículo terapêutico e de transformação têm se multiplicado. São homens e mulheres, de todas as idades, deixando o corpo falar. E é uma das coisas mais lindas de se ver. Em uma palavra: LIBERDADE!

E nela, na dança, deixo de ser meu ego, deixo de ser minha mente, me entrego ao processo. Meu corpo é inteligente o bastante pra mover-se sem comando. Meu corpo segue meu coração e o resultado é o encontro com o vazio. É como se a mente hibernasse por algumas horas. É o meditar dançante. Ou a dança meditativa. É o se deixar levar. É o entregar e confiar. Tenho me amado mais quando danço.  Tenho descoberto um pouco mais sobre quem sou ao final de cada ritual. Tenho tido uma conversa diferente com Deus cada vez que a música começa a tocar e entrego meu corpo a uma espécie de catarse da alma. Dançando me sinto genuína, inteira, íntegra. Me sinto corajosa, guerreira, selvagem. Me sinto pura e quieta. Me sinto em paz!

E você? Quer dançar comigo? Beijo dançante e Namastê!

Separação

7 set

Desafiou o vento tentando acender um cigarro. Parecia se divertir com essa luta entre o fogo e o ar, que insistia em apagar a chama e embaraçar seus cabelos. Finalmente a chama venceu e Anna tragou demoradamente, com a satisfação de quem reencontra um antigo amigo após muitos anos de separação.

Caminhava a passadas largas, sem pressa, sem destino. Observou lugares pelos quais passou diariamente durante os últimos 15 anos, mas nunca havia realmente visto. Sentia a fumaça entrando pelos pulmões e se alastrando pelo resto do corpo, saboreava cada etapa daquele ritual.

Quinze anos. Quinze anos anestesiados, atropelados por desejos e prioridades que não eram seus. Quinze anos.

De repente seu corpo foi tomado por uma onda incontrolável de alegria, o riso contido desde sempre explodiu sem pedir licença. Gargalhava, lágrimas escorrendo pelos cantos dos olhos. As pessoas que a cruzavam na rua não podiam deixar de acompanhá-la na risada contagiante.

Sentia como se tivesse voltado à adolescência, quando tinha infinitas possibilidades. Era exatamente isso, a sensação de que poderia fazer tudo o que quisesse, poderia se arrepender, fazer de novo. Estava livre! Livre! Não sabia qual seria o próximo passo, não tinha nenhum plano para o mês que vem, sequer para o dia seguinte. E ao invés de se sentir aterrorizada, sentia-se estimulada.

Abriu a bolsa, tirou a carteira de identidade. Mal pôde se reconhecer na foto. Parecia tão mais velha. Passou os dedos sobre a fotografia, como se quisesse apagar a velhice, os anos de sofrimento e intolerância. Seus olhos lhe pareceram tristes no retrato e teve certeza de que neste momento eles brilhavam como nunca. Deu o último trago no cigarro. Descalçou as sandálias, dobrou cuidadosamente a barra da calça de sarja e sentiu a areia massageando seus pés. Vou pintar as unhas de vermelho. E vou tingir os cabelos de loiro. Ou vermelho também. Pensou alto sem conter o riso de satisfação.

Então sentiu a água gelada tocar seus pés. Abriu os braços, como se abraçasse o mar. Respirou fundo, sentiu a brisa em seu rosto, quase um afago. As lágrimas ainda escorriam, misto de felicidade e tristeza. Quanto tempo perdido. Olhou mais uma vez para o documento, tirou-o cuidadosamente do plástico e rasgou em quatro partes.

Virou-se e levantou os olhos para os prédios à beira-mar. Fixou o olhar em um deles, contou mentalmente os andares até sete. Lembrou-se da música : “Love of my life cant you see, bring it back bring it back, don’t take it away from me, because you don’t know what it means to me…”. Suspirou, sentindo uma ponta de chateação. Um pequeno incômodo, que não conseguia sobrepor-se ao alívio e à alegria daquele instante. Decidiu mergulhar.

Lá de cima, do sétimo andar, um homem a observava da sacada. Ao fundo Freddie Mercury soltava os pulmões. Ele segurava um copo duplo de uísque sem gelo e chorava compulsivamente. Destroçado, só agora ele sentia. E sentia muito. Tarde demais.

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