Arquivo | dezembro, 2012

Todo fim é um recomeço! Feliz 2013!

31 dez

Na frequência certa

18 dez

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Há tempos venho namorando a ideia de ir a um retiro, mas nunca tinha rolado a perfeita conjunção de fatores – tempo, dinheiro, oportunidade e companhia – para eu realizar esse desejo.  Talvez eu não estivesse pronta.  Então surgiu esse curso de meditação no Parque Visão Futuro, um lugar do qual eu já havia ouvido falar muito, e quatro amigas toparam ir.

Depois de nos perdermos absurdamente ( quatro mulheres,  dois GPS e 222 opiniões diferentes), chegamos ao parque ecológico. Já estava escuro e embora não pudéssemos enxergar quase nada, era possível sentir o cheiro do perfume das flores. Isso, perfume das flores. Eu não sei vocês, mas eu, sempre que imaginava cheiro de flores, pensava em cheiro de velório, coroa de flores, sei lá. Não era algo agradável. Fiquei encantada com essa nova sensação e é a primeira coisa que me vem a mente quando lembro do parque.

Iniciamos o dia seguinte com uma palestra sobre meditação. Com dados científicos e tal. Tem até um Departamento de Harvard estudando o assunto, vejam só. Provavelmente para apaziguar os ânimos dos mais céticos como eu. Nesse momento, meu senso crítico ainda estava afloradíssimo. Eu estava observando as pessoas e meio que zoando e colocando apelidos em  todo mundo, mentalmente.  A fundadora do Parque, Susan Andrews, que carinhosamente chamamos de monja ou Didi, é uma americana que após anos morando na Índia decidiu vir para o Brasil montar uma ecovilla e ensinar aos outros a procurar a felicidade dentro de si mesmos.  Eu não sou muito atenta para a energia das pessoas, mas a dessa mulher é algo impossível de se ficar imune. Ela irradia uma luz a quilômetros de distância. E repito: não sou do tipo que vê luz irradiando das pessoas. Mas só de olhar para ela, dá vontade de sorrir, abraçar. Agradecer. Uma hora ela pegou na minha mãe, e juro, era como se eu estivesse de mãos dadas com um anjo. Difícil descrever sem soar piegas ou deslumbrada.

Na hora da primeira meditação, senti muita dor nas costas, um calor insuportável e fui atacada por pernilongos. Mudei de lugar no meio do processo (imagine a cara das pessoas com a louca aqui levantando no meio do silêncio pra sentar num local mais fresco. Super zen, só que não).  Fiquei bem irritada com a situação e comigo mesma. Não consegui nem me concentrar o suficiente para repetir o mantra ou acalmar a minha respiração ( algo me diz que eu estava bufando). Só queria que acabasse logo e quando tocou o sino eu quase saí correndo pelas colinas.

Depois do almoço (vegetariano delicioso) fomos para uma sala no alto de uma colina, com uma vista maravilhosa, praticar yoga. Só que não era yoga, era um negócio meio mal explicado que nem vou saber definir aqui. Repetitivo, chato. Nada de ásanas.  Eu já estava começando a pensar que teria que mudar o meu objetivo do final de semana, não haveria grandes revelações ou descobertas, seria apenas um descanso num sítio com comida vegetariana e um monte de bicho grilo.

O próximo exercício foi caminhar, em total silêncio, até a mata e lá permanecer por uns quarenta minutos, com um papel e um caixa de giz de cera na mão.  Me esforcei para não pensar no ridículo da situação, achei um cantinho para sentar, e fiquei lá, esperando a tal revelação. Ainda passei bem uns cinco minutos brigando com um galho que insistia em bater na minha cabeça e espantando os bichos que pousavam na minha perna.  Até que encontrei uma posição agradável, controlei o ritmo da respiração, olhei para cima e vi, por uma brecha entre a copa das árvores, o céu azul e uns pássaros voando. Ouvi o canto deles e  finalmente: click! Desliguei meus julgamentos e me conectei com a natureza, com o meu propósito do final de semana e com Deus.

Continuamos em silêncio até a próxima meditação.  Que aconteceu ao pôr do sol, numa sala cheia de janelas, que davam para as árvores e o cair do sol. Consegui encontrar uma posição que não doía as costas,  fui acalmando e acho que pela primeira vez na vida consegui meditar calma e profundamente.

Eu gostaria de relatar tudo que aconteceu depois ( na verdade eu o fiz, mas o texto ficou longo, chato e meio nonsense). Entretanto,  nada que eu escreva vai sequer passar perto do que realmente experimentei.  Depois de mais de uma década de busca espiritual, eu finalmente encontrei o meu canal de conexão com Deus. É como se eu estivesse há anos tentando sintonizar uma rádio, e ás vezes conseguisse, mas sempre pegando mal, com estática. E finalmente  descobrisse a frequência exata! Hahahaha, analogia péssima, mas foi o melhor que consegui.

Voltei para casa renovada, grata e feliz. E recomendo a experiência com força!

Para quem quiser conhecer mais sobre o Parque e a Susan entrem no site: www.visaofuturo.org.br

P.S. Quem diria que eu estaria escrevendo um post ~sério~ sobre meditação ein?

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