Arquivo | setembro, 2013

Fly

19 set

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We are opposites

You are the Grandfather Sun’s son

I’m the Moon’s daughter

We meet at dawn

You expand

I hold you between my legs

You want to let go of what it was

I remind you of it so you can grow beyond

I am the witch I feared for so long

You are an unconscious wizard

I let you inside my dream world

I feel you getting high

You say my name to make sure I am still here

I take you to the mist

My eyes are open

Your eyes are open

Your eagle’s eyes

I let him fly me to the land where only our whispers can be heard

I let him fly you to where there is the silence of presence

I make you sit there

I leave you alone

You taste the unknown; you don’t know where to go

I come back; I sit in front of you

I hold the space you need to become

We change roles, both student and teacher

It is a dance

You call my name again

Yes, I am here

I guide you back to Earth

You let go of the bright rays of light

You open your eyes again,

Mine were never closed.

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Mundo dos Sonhos

16 set

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Os tambores tocavam em um ritmo lento e profundo. O calor da fogueira fez com que pequenas gotas de suor nascessem entre seus seios.

Ela entrou na tenda com um suspiro longo.

Seu mestre a esperava .

Um faixo de fogo, suficiente pra iluminar as duas almas e refletir a sombra de seus corpos, chamou sua atenção.

Não tinha volta…

Sua jornada, suas escolhas, o processo…

Ele lhe deu uma faca.

“Corte a ponta do seu dedo indicador esquerdo. Com as gotas faça um círculo onde ambos caibamos”, disse.

Um rápido tremor correu seu corpo, mas ela seguiu as instruções.

“Tire seu vestido, mas deixe o cabelo solto”, ele determinou.

O pudor da nudez já não fazia mais parte daquela relação. Muitas Luas já haviam se passado onde ambos estavam nus, próximos, mas não para o que estava por vir.

“Entre no círculo. Sente-se. Inicie a meditação que fizemos da última vez”.

Ela assim o fez. Não sabia dizer se foi a vibração da música lá fora, se foi a intenção daquela cerimônia, se foi a Lua crescente banhando seus companheiros de jornada que, tocando tambores, sabiam o que aconteceria; mas foi rapidamente levada para uma área de vegetação densa. Avistou um templo de colunas brancas e douradas. Caminhando vagarosamente em sua direção, sentiu a presença de seu mestre. Continuaram andando em silêncio.

No templo centenas de pessoas os esperavam. Mais tambores, a Lua os seguia. Subiram as escadas do templo. Ambos vestidos de branco. No alto, uma espécie de palco coberto de peles de animais. Duas fogueiras, uma à esquerda e outra à direita, iluminavam o local. Tiraram suas roupas. A batida da música era frenética, mas um silêncio profundo ditava o ritual. Deitada, nua, sentiu a meia-lua surgindo como uma queimadura em seu terceiro olho. Voltara à sua essência.  Seu mestre a penetrou vagarosamente. Ela abriu a boca, seus olhos se fecharam por um momento. Era a hora de sentir. Os cântigos começaram e, apesar de pressentir a familiaridade de tudo aquilo, não lembrava mais como cantá-los.

Se deixou levar pelo ritmo. Seu corpo movia-se de acordo com a pressão do corpo dele, de acordo com a sensação de que o Divino estava em cada milímetro de prazer. A certeza de que o sexo continha o segredo da criação do Universo… O sexo continha o segredo da cura. Sentiu-se a Sacerdotisa que por muitas primaveras abeçoou o solo, as águas, o ar, as borboletas daquela região. Seus olhos abertos concentravam-se somente nos olhos de seu mestre. Seu cheiro lhe remetia a algo conhecido, algo que por muito tempo ela permitiu que lhe tomasse por inteira. Suas mãos deslizaram pelas costas dele e tornou-se impossível não soltar gemidos, suspiros, palavras que saiam de forma primitiva de sua boca. Sons que ela não lembrava de onde vinham. Uma prece de êxtase, de gozo. Nada podia roubar sua liberdade. Alí não existia restrição. Alí ela era.

Contida pela vibração do momento, não soube definir quanto tempo havia passado até o final da cerimônia. Gentilmente, seu mestre a vestiu novamente. Entregou-lhe um cesta de flores brancas, colocou algumas das flores em seu cabelo. Beijou seus olhos, beijou seu queixo, testa. Passou seus dedos em seu cabelo. Abraçou-a. Sabiam que o trabalho estava encerrado e que finalmente aquela comunidade voltaria a receber as bençãos da Deusa. De mãos dadas desceram as escadas. Os tambores haviam parado. Escutava-se apenas o barulho da brisa. Um beija-flor dourado e azul cruzou seus corpos duas vezes e desapareceu entre a multidão. Seguiram caminhando em direção à mata.

Ao abrir os olhos já era manhã. Seu mestre estava sentado a sua frente, dentro do círculo.

“Bom trabalho”, ele disse, com um sorriso nos lábios. 

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