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Sobre a tentativa banal de entender as mulheres

27 maio

 

 

 

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Luta tola a de quem busca nos entender. Não fomos concebidas para ser entendidas, desvendadas… Nascemos para despir a rigidez do mundo, vivemos para dançar com o inesperado, o fulgaz, o belo, o mistério maior. Mudamos como o vento – assim, de repente – pois somos a metáfora viva da realidade: suaves como uma brisa tola, ferozes e implacáveis como a ventania dos Andes.

Mulheres foram criadas para vestir as flores que Deus criou. Somos a essência da luz interna do que está por vir. Geradoras de tormentos e paixões, aqui estamos para fazer o coração bater em golpes, a razão tirar férias, o grito sair no gozo. Somos o retrato da inocência que reveste as estrelas, a pureza que vem das fontes de água, o encanto da floresta úmida ao amanhecer.

Escutem-me! Deixem de lado a tentativa já falha de nos compreender. Somos fluídas, elétricas, mutantes, melodiosas. Mantenham apenas o desejo de nos desfrutar, explorar, reverenciar, encantar-se com nossa presença sabendo que a cada amanhecer somos outra. Deixe que tragamos o incômodo do imprevisível emocional para suas vidas pacatas.

O sagrado feminino corta com sua espada todo resquício de distração banal. Uma mulher, em sua graça divina, requer total atenção, invoca o foco do guerreiro, ancora a verdade da presença consciente. Jogamos suas rotinas no lixo e tornamos suas vidas um circo aberto de atrações místicas, sobrenaturais.

Permita que nossa inconstância deixem-os loucos e que apenas abraçando-nos forte, pressionando-nos contra seus corpos e calando-nos com suas línguas, vocês possam encontrar alguns minutos de paz. E depois… depois é um novo amanhecer. 

 

Sua

18 jul

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You give me a new body

You know my skin

Bones

Muscles

My flesh

Better than I do

You grab me, you pull me

You push me, you scratch me

You make me cry

You never ask if I’m in pain for you see the tears falling from my eyes

You speak gently to pretend it is all smooth

As you tear me apart

There is no scar you did not see

There is no fear you did not touch

There is no pain you did not heal

I close my eyes… I call Spirit

I call Beloved

I call for light and forgiveness

I crack me open

Journey

3 jan

Symbol of the Journey

From the death of our unfulfilled love

I rebirth

I transform

I am grateful for the ashes I came to be from the fire in my heart

The fire is needed for one to become gold.

I am grateful for the attempts to shift and change

To mold and remold

To try, to strive

To cry out of the impossibility of making it work

To cry out concluding there were no more outlets but to leave.

I left with a pure heart, knowing my time had come

Knowing you were the greatest entrance to my truth.

First, the lessons from pain. Now, I choose to learn from love.

I choose freedom. I choose spirit.

I thank you for the long, deep, turbulent road.

I bless your path, I kiss your forehead.

Our contract expired.

My wings are open to the sky. My flight has no destination.

I cherish you and I let you go.

I dive deep in the blue unknown of my soul.

My journey is one full of grace and gentleness.

My heart leads me and it is all right.

Crise = perigo+oportunidade

29 nov

Quem nunca passou por uma crise na vida que jogue a primeira pedra! Esse video sobre os momentos de crise e como lidar com eles de forma mais suave e rápida. Fique à vontade para dividir suas crises e ensinamentos nos comentários! Beijo no coração e Namastê!

Seja seu próprio “vidente”!

4 out

Recebi uma mensagem muito especial (que repasso no quarto parágrafo) de um oráculo chamado Mensagens de Jeremias Horta. Sempre valorizei muito os oráculos, que são mensagens especiais escritas por pessoas ou seres espiritualmente evoluídos. Explicando melhor, o Wikipédia define oráculo como “a resposta dada pela Divindade a uma questão pessoal através de artes divinatórias”. Oráculos sempre contém algo mágico para comunicar e, quando conectado (a) com  a sua alma (ou seu eu-interior), antes de escolher a carta (geralmente ele é impresso em cartas), sempre recebe palavras adequadas e de conforto (ou um puxão de orelha, caso necessário) para a situação que está passando. Oráculos existem há milhares de anos e em diversas civilizações e religiões. O oráculo dialoga com o seu coração e é uma das minhas ferramentas preferidas para reconectar-me com o meu Norte quando sinto que a minha mente está neurótica e agitada demais. Eu recomendo a todos que queiram usá-lo como um diálogo sincero com seu verdadeiro eu. Quase como uma “fast-therapy”!

As Cartas de Jeremias, como eu chamo, são particularmente especiais pra mim, pois foram meu primeiro contato com um oráculo, há mais de 5 anos, ao me consultar com um dos meus principais guias e mestres, em Brasília. Nunca consegui achá-las para comprar, pois a edição era antiga e estava esgotada. Mês passado, uma amiga muito querida, que tinha a versão antiga e sabia do meu apreço por elas, me presenteou com a nova edição, que segundo ela foi adquirida por sua mãe de maneira suada! Presente bom é assim: inesperado e cheio de espiritualidade!

Sinto a necessidade de repassar a carta, ou mensagem, que recebi hoje, pois sinto que ela serve não só pra mim, mas para a humanidade toda, pois estamos em um momento de intensa ansiedade, angústia e pressa. Estamos desconectados. Espero que você, tanto quanto eu, possa saborear e meditar com cada frase escrita.

“Viver enquanto se espera, entregar-se ao momento, deixar que ele seja, viver. Viver sem pressa, cada passo, sem nada antecipar ou adiar. Fazer o que tiver de ser feito. A entrega é que nos dá a vida, fora isso a aflição. Entregar-se é estar sem pressa e sem anseios, sem preocupação. Ocupar-se, livre. Você se liberta na ocupação. A liberdade está no ato presente, sem cabeça, sem aspirar. * Estar envolvido é esquecer os deveres, os ideais, as idéias. É entregar-se de corpo e alma ao que se está vivendo. Entregar-se de corpo e alma. Viver de corpo e alma. Estar inteiro, de forma que o corpo expresse a alma e a alma aceite os limites do corpo. * Um precisa auxiliar o outro. Um precisa ouvir os anseios, limites, e necessidades do outro. A alma quer voar, o corpo quer ficar. O corpo é pesado e preso, a alma é leve e solta. Um não tem, nem quer ter limites, o outro é todo limitado. O corpo só consegue viver o presente, num só lugar, a alma aflita quer voar. Num corpo livre e solto, a alma voa. A alma presa inquieta o corpo. Inquietude é a intolerância da alma aos limites do corpo. Um corpo tenso é a intolerância do corpo à liberdade da alma. Inquietude e tensão são reflexos de um desacordo, de um não viver de corpo e alma. Para se viver de corpo e alma, é necessário muita prontidão, muita paciência. Prontidão é uma disposição, um mergulhar no que é, deixando de lado todo e qualquer ideal. Paciência é saber esquecer o que se espera e entregar-se ao momento, facilitando a prontidão. Paciência é esperar não esperando, é saber querer e não ter o que se quer.”

Corpo e alma em equilíbrio. Viver sem pressa. Entregar… Necessário e desafiador. Você consegue? Beijo no coração e Namastê.

Open letter

27 maio

Faz três semanas que comecei a estagiar em uma clínica para pessoas que são diagnosticadas com dois problemas mentais (sofrem de dois problemas ao mesmo tempo): vício (drogas, bebida, remédios, etc) e outro problema mental, como depressão profunda, bipolaridade ou esquizofrenia. O texto abaixo é o que eu gostaria de ler para cada uma delas. E gostaria que o coração delas realmente entendesse o que ele significa. Ao mesmo tempo, penso que ele serve para todos nós, pois todos temos pequenos ou grandes vícios (dos quais dependemos ou perseguimos para alcançar a tal felicidade) e pequenos ou grandes desafios mentais. A cada dia que passa, no meu estágio, sou mais grata pela vida que tenho, e sou tocada pelas histórias de cada um dos clientes que lá dividem suas histórias comigo. No fundo, somos todos peregrinos em busca do nosso verdadeiro eu. Que a verdade seja nosso guia nessa procura…

As long as you identify yourself as an addict, you will keep relapsing, for your mind will keep telling you that, since you are an addict, you must keep using your drug of choice to survive.

The development of a new identification or concept about yourself is paramount, in order to be able to create a new reality where your self-identification will not need to consume any drug or own anything outside yourself to be!

You have many options of new self-definition:

I am a soul in recovery

I am a soul in reconstruction

I am a pilgrim in search of my real self

I am walking towards my true personality

I am a heart listener

Those or any other self-concept has to be created by you so that you don’t rely on your previous tendencies to know that you exist… In order to feel part of this reality, in order to release the pressure in your chest and to silent the many voices in your mind.

Once the old identification is destroyed, space is created to born a new existence, a new perception of yourself, one that you can mold and color anyway you want to and that gives you freedom to be your true self.

There is no space for freedom in the realm of society-identification, pre-concepts or the past.

Truth comes from the soul, from the full expression of one that is a newborn every morning… One that rises from the shadows of the night to the brightness of the Sun.

One that opens his wings and has no fear to fly unknown territories, to meet unknown individuals, to build an innovative life.

Such flight is the one each of you must take. Believe in your power. Trust the sky. Open your wings and free yourself.

Beijo no coração e Namastê

Ostra feliz não faz pérola

3 maio

Meus melhores textos nascem da dor. Sempre tive a impressão de que a maioria das expressões artísticas surgiu de um momento de dor. A tristeza, a angústia e a alma dilacerada são ótimos combustíveis para a criação. E nem precisa ser assim tão doído, pode ser uma dor-de-cotovelo besta. De uma fagulha de sofrimento dá para tirar muita coisa.

A felicidade é muito plana, com poucas nuances. Não é à toa que os contos de fadas terminam sempre antes do “felizes para sempre”. Não há muito para contar depois disso, a história não rende.

Imaginem se a Amy Winehouse, por exemplo, tivesse se casado com seu namoradinho da escola e tivesse tido três filhos lindos. Qual a probabilidade dela ter produzido o melhor disco da década? Ou se o Hemingway fosse um rapazola bem resolvido e feliz da vida. Teria sido capaz de escrever seus textos?

Parece exagero, mas não sou a única a pensar assim. Ostra feliz não faz pérolas, já diz o titulo de um livro do Rubem Alves.

Desde os 9 anos sou metida a escritora. E raramente tive motivos realmente dignos de sofrimento, então eu inventava. E sofria. E escrevia. Os amigos que me queriam bem não entendiam como eu podia ser tão dramática. Porque eu fazia tanta questão de chafurdar na lama dos meus pequenos dramas fantasiados. Diziam que eu gostava de sofrer, e estavam certos.  Mas é que essa aflição me fazia criar. E não há nada melhor do que se libertar de um sofrimento, escrevendo sobre ele.

Só que eu não sou a Amy Winehouse ou o Hemingway. Meus escritos não me renderam nunca nada e chegou uma hora que cansei de brincar e resolvi ser feliz.  Parei de bater a cabeça, casei, formei uma família com marido e filho de comercial de margarina.

Aí veio a crise. Meu Deus como é que vou escrever com essa vida perfeitinha. Escrever sobre o quê? Preciso sofrer, preciso de dor. Está tudo muito colorido. Quero cinza. Quero negro. Fui lá, cutuquei e a dor veio. Com ela, a criatividade brotando dos meus poros. Passei madrugadas ouvindo música, bebendo e escrevendo. Mas isso só foi possível porque meu marido estava morando parcialmente em outra cidade e meu filho era muito bebê para perceber minha crise existencial.

A crise passou e a fonte secou de novo. Nessa rotina de vida pacata e contente, onde tudo acontece dentro de um horário previamente combinado, sem muitas surpresas, não sobra muito espaço para madrugadas insones e criativas. Até porque no dia seguinte oito da manhã tem um ser me despertando com o sorriso mais delicioso do mundo. E geralmente passei a noite inteira numa cama quente, ao lado do meu amor. Talvez o preço de tanta felicidade seja esse mesmo, se esvaziar um pouco do drama, não ter muito o que contar.

Mas o que faço com esse desejo visceral de escrever? Por ora, tenho usado sofrimentos antigos, passados. Ou até mesmo emprestado sofrimento alheio. Porque depois que a gente descobre o quanto é bom ser feliz, não dá mais para voltar atrás. Pelo menos não voluntariamente. Será que ostra feliz realmente não produz pérola?

 

Xô urucubaca e os aprendizados em meio ao caos

20 abr

Não, não quero dramatizar o que aconteceu comigo. No entanto, tenho de concordar que drama é o que não tem faltado na minha vida! Desde janeiro deste ano todos os meus cartões de crédito foram clonados (sim, todos), meu cachorro fugiu e ficou desaparecido por 3 semanas (o que me fez pensar que ele estava morto e eu fiquei de luto até quando ele foi encontrado), fui assaltada (os detalhes dessa novela Mexicana estão no post anterior, caso você não tenha lido), um familiar querido e importante faleceu e tive um desentendimento com uma das minhas melhores amigas! Ufa! Chega né pessoal lá de cima! Decidi que a fase “urucubaca Lívia 2012” acaba hoje, dia 20 de abril! E tenho dito!

De qualquer forma, o post não é para dar detalhes da macumba com galinha e cachaça que devem ter deixado em uma esquina qualquer de Miami pra mim não, mas para contar o que aprendi em meio ao caos de todos esses acontecimentos sequenciais. E, se você pensa que eu estou me expondo demais, aqui vai minha resposta – “Eu não tenho vergonha de ser quem sou, nem dos meus erros, nem medo do julgamento dos outros. Estou aqui pra dizer e ser minha verdade e com isso espero inspirar outros a ser o mesmo, pois somos todos estudantes da vida”.

Então aqui vai:

1)      Nada é pessoal. As coisas acontecem não com você, mas por meio de você! Parece difícil entender esse conceito. Até pra mim, mas se você tem algum conhecimento de meditação, yoga, budismo ou espiritismo, vai entender melhor o que estou falando. Caso contrário, comece a observar a sua vida e teste a minha teoria (com total liberdade pra discordar)! O que quero dizer é que as coisas aconteceram não pra me afetar pessoalmente, mas para que eu pudesse expressar a minha humanidade por meio delas. É tipo um filme, caro leitor! Minha alma decidiu colocar todas essas situações na minha vida (atual) pra que eu pudesse curar algumas feridas do passado (passado meaning outras vidas), ou para que eu aprendesse algo nessa vida mesmo, ou para que eu tivesse uma nova perspectiva em relação a vida, relacionamentos, medos… Ex: o ladrão que me roubou não queria roubar algo de mim, Lívia Stábile, mas sim de alguém que faz parte de uma classe social que  tem muito mais acesso, riqueza, educação e oportunidade do que a classe social dele. A amiga com quem tive um desentendimento não estava ofendida comigo, mas com uma parte dela mesma (alguns chamam essa parte de ego!!) que ainda se julga magoada por atitudes de terceiros (no caso euzinha) que não tem noção de que tais atitudes a magoariam. Pude aprender várias lições com cada uma das situações que se apresentaram por meio de mim! E sou grata por ser um veículo ativo de criação e aprendizado!

2)      Toda crise pede renovação. Cada pequeno ou grande drama que acontece na sua vida faz com que você veja ela (ou a interprete) de outra maneira. Em uma pequena escala, hoje dou muito menos atenção para meu celular (até porque estou usando um bem velho) e para minha vida cibernética (e-mail, Facebook) e vivo muito mais no momento presente. Em uma grande escala, hoje acredito ainda mais na força do Universo e da proteção que pessoas de bem, como eu e você, recebem em situações de perigo. Explico: descobri que o ladrão que me roubou tem passagem extensa na polícia, incluindo roubo com revólver, agressão a policiais, tráfico de drogas, etc. O que me fez ver que cair no chão foi o que de menos perigoso poderia, e de fato, aconteceu durante o episódio. E sou grata por isso. Então, lembre-se, drama chama renovação! Reavalie suas idéias, julgamentos, veja de que forma você contribuiu para a situação e renove o que precisar ser renovado.

3)      Amigo de verdade não tem preço. Quando digo amigo incluo minha família, pois família pode ser família, mas não de amigos! Hehe! Graças a Deus a minha é formada de amigos! Em momentos de trauma não existe nada que acelere a cura mais do que o amor e o carinho de amigos. Não hesite em pedir ajuda, ou carinho, ou atenção. Muitas vezes esperamos que as pessoas saibam o quanto estamos carentes de amor, mas elas não tem ideia do que está passando na nossa fértil mente! Pois ninguém tem uma bola de cristal portátil na bolsa! Logo, se você não estiver recebendo aquilo que precisa (não o que quer egoisticamente, olha a direfença!) de seus queridos, peça! Eles vão agradecer sua comunicação clara! Eu pedi ajuda mesmo, deixei bem claro minha vulnerabilidade e me sinto amparada em vários sentidos!!! E agradeço abertamente minha família e amigos que me apoiaram de várias formas, mandaram boas vibrações e aguentaram meu jeito estranho (e choroso) de ser nos últimos tempos!

4)      Em momentos de trauma seu corpo e sua mente congelam! Isso mesmo! Após liberar muita adrenalina (em momentos agudos de choque, susto, ou medo) o seu corpo entra em um estado de conservação de energia (no caso do perigo se prolongar e você precisar de mais energia mais tarde), e o seu metabolismo desacelera. Fiquei absolutamente sem vontade de me mexer (até porque doía muito meu peito e costelas) por mais de 20 dias e quando voltei a Yoga, essa semana, senti meu corpo todo travado, como se muitos nódulos de energia bloqueada tivessem se espalhado por ele. Além disso ganhei uns quilinhos básicos, claro, mas sinto tanto amor e gratidão pelo meu corpo e pela minha saúde que eles representam nada além da minha capacidade de recuperação rápida! No lado mental, fiquei pelo menos 2 semanas me sentindo fora do meu próprio corpo, me sentindo violada, estranha, sem achar graça na vida, sem fazer minhas piadas bobas, sem ser eu. Fui uma estranha dentro de mim. Graças a ajuda de amigos (+ família) e de amigos que também são terapeutas holísticos aqui, eu volei “a mim mesma”! Hahaha! Entretanto, a experiência de ser um estranho no ninho foi fantástica e agora posso entender bem melhor a reação de pessoas que passaram por situações traumáticas! Minha compaixão, paciência, empatia e admiração por elas, no mínimo, triplicou.

5)      Nada na vida é mais importante do que o amor! Tá, pode parecer brega, piegas, eu não ligo não!!! Nada na vida é mais importante que o amor!! Sempre existe uma saída para os maiores desafios se você relembrar o amor que você tem dentro de você! E amor no sentido maior mesmo! Amor por você mesmo, amor pela vida, amor porque aqueles que te amam, amor por aqueles que te ferem (lembre-se, nada é pessoal). O livro Curso em Milagres tem uma frase genial que diz “Todo ataque é um grito de ajuda”. Acho lindo e verdadeiro. Sempre que se sentir atacado (a), por um desconhecido( a) ou conhecido (a), enxergue o grito de ajuda por traz do ataque e ofereça seu amor, ao invés de oferecer raiva, rancor, vingança ou medo. Veja o que acontece! Seu amor é capaz de mudar tudo, de abrir portas e janelas para infinitas possibilidades, de fazer sua alma dançar ao vento, de criar flores no jardim do seu coração. Sempre que estiver vivendo qualquer dificuldade, ou desafio (como eu prefiro falar), lembre-se do seu amor, de como ele é infinito. Sinta-o, agradeça-o. É lá que todas as respostas estão!

Aprendi muitas outras coisas além das enumeradas acima, mas sei que seu tempo é valioso, então relato apenas as mais importantes. Se você já passou por momentos desafiadores e aprendeu algo que não está aqui, por favor, deixe seu comentário e enriqueça ainda mais esse blog, oferecendo sua sabedoria para outros que precisem! Agradeço sempre sua leitura, carinho e atenção!

Beijo no coração e Namastê!

O pior dia da minha vida – e de outras vidas também

2 ago

Naquela noite me vesti inteira de preto, coisa que nunca faço, como se eu  estivesse de luto pelo que estava por vir. Saí meio contrariada e cheguei à festa já querendo ir embora. Passei a noite em um canto, observando. Duas latas de cerveja quente chegaram às minhas mãos e foram deixadas , depois de um gole, no último degrau da escada da boate. Eu ainda não gostava de cerveja naquela época, ainda mais quente.

Eu e o objeto de minha afeição nos cruzamos no corredor e mal nos olhamos. Era nosso primeiro encontro depois daquele dia. Tive  a certeza que faltava para ir embora. Quatro da manhã intimei as amigas que estavam de carona comigo e paramos numa lanchonete antes de ir pra casa.

Lá reencontrei um amigo das antigas e demos uma volta de carro. Ele estava animado e tinha mil coisas para contar. Eu ouvi tudo sem muita atenção, queria ir para casa. Deixei-o novamente na lanchonete e liguei o piloto automático. Já eram mais de cinco da manhã e passei em todos os sinais vermelhos. Desacelerava, buzinava e seguia em frente. No último sinal antes de chegar em casa, passei direto – na mudança do amarelo para o vermelho- , sem desacelerar.

Do outro lado da cidade uma turma de amigos saía da festa do peão. O casal de irmãos lotou o carro de colegas para dar carona. Passava das cinco da manhã e eles já deviam estar cansados e sonolentos. Faltava apenas uma amiga para ser deixada em casa quando passaram pelo sinal verde daquele cruzamento fatídico.

Minha memória então dá um salto. Estou no meio da rua, em estado de choque, observando uma menina ensangüentada no porta molas de um carro. Da minha boca saía : desculpa, desculpa, desculpa. Na minha frente um menino desesperado me respondeu: que desculpa o quê! Minha irmã, minha irmã!

Flashes. Uma amiga segurando minha mão e ligando para os meus pais. A ex-namorada do meu irmão me dizendo que eu precisava ir ao hospital dar pontos na minha cabeça. Polícia, ambulância, multidão. Desculpa, desculpa, desculpa.

Horas depois acordei em um quarto de hospital. Meus pais e irmão me rodeavam com cara de enterro. Eu estava inteira e sem dor. Passei a mão na cabeça e senti os fios espetando. Flashback. Porta malas. Menina ensangüentada. Desculpa, desculpa, desculpa.

Perguntei da menina. Desconversaram. Fechei os olhos e devo ter dormido mais um pouco. Acordei e perguntei novamente. Agora entraram no quarto meu pai, meu irmão e meu tio. Já dava pra imaginar que a resposta seria aquela que eu não queria ouvir.

— A menina não resistiu e morreu.

Choro, soluço, medo, pânico e desespero. Piores minutos da minha vida. Piores dias da minha vida. Pior ano. Desculpa, desculpa, desculpa.

Eu gostaria muito que o texto acima fosse apenas uma crônica, um conto. Mas não é. É a vida real em sua pior manifestação e a minha pior lembrança.

Não costumo esconder essa passagem da minha vida, até porque ela faz parte de quem sou. Mas por motivos óbvios não tenho orgulho algum do que aconteceu e não é um assunto que se puxe á toa. Fui condenada por homicídio culposo, prestei dois anos de serviço comunitário e perdi a carteira de motorista pelo mesmo período. Sei que isso não é nada, estou viva. O pior é conviver com a responsabilidade, ainda que acidental, pela morte de outra pessoa. É saber que um pai e uma mãe diariamente sofrem a ausência de uma filha e devem me odiar por isso.

Na época decidiu-se que seria melhor eu não entrar em contato com eles. Hoje me arrependo. Hoje sou mãe e sei a raiva que eles devem ter de mim. Imagino e compreendo a necessidade que eles devem ter de me odiar.  E imagino a diferença que poderia ter feito  olhá-los nos olhos e pedir perdão. Tenpos depois, numa sessão de terapia, pedi um perdão  “virtual”.  Mas não é a mesma coisa. Se eu pudesse, pediria perdão — e de joelhos.

Até hoje não consigo ver um carro de resgate sem sentir arrepios e um pouco de ânsia. Chorei incontáveis noites. Por muito tempo  lembrei da garota falecida  diariamente.  Há algum tempo consegui me desvencilhar um pouco dessa lembrança. Mas sempre que algo muito bom acontece comigo, como  quando casei e quando meu filho nasceu, sinto uma ponta de tristeza ao pensar que ela não teve a chance de ter nada disso. E ela só tinha 21 anos.

Hoje faz 13 anos que aquela garota morreu num acidente de carro, atingida por um carro que eu dirigia. Os pais dela e seu irmão devem estar tristes. E eu estou triste também. Gostaria que eles soubessem disso e, de alguma forma, se sentissem reconfortados.

* Duas amigas me fizeram ver o motivo pelo qual tornei pública essa história. Além do perdão da família, também estava precisando do meu perdão. E escrever sobre isso, é uma forma de me perdoar também.

A decisão mais radical da minha vida

4 jul

Estou prestes a fazer a coisa mais radical de toda a minha vida. Não, não é saltar de paraquedas, nem tatuar todo o meu corpo, nem ser motorista da Fórmula Indy. Farei o que considero ser a coisa mais desafiadora da atualidade. Na minha opinião, nada requer mais coragem… (fundo musical de suspense) Tã tã tã tã: passarei 10 dias meditando, sem contato com o mundo exterior. E sem falar.

 Não existe NADA mais radical do que abrir mão do celular, da Internet, do carro, das compras, da televisão (apesar de que já quase não vejo mais), da música, dos livros, do escrever, do conversar com amigas, do conhecer novas pessoas, do sair pra jantar, dançar, do falar com minha mãe, pai e irmão no telefone, do fazer yoga, do ser a Lívia ativa. Não existe nada mais radical do que silenciar-se. Nada mais radical do que aceitar apenas ser, sem “nada fazer” a não ser meditar.  

 Se você nesse momento está surtando (a) e/ou em choque, ou falando pra você mesmo que você JAMAIS faria isso, saiba que você não é o primeiro (a) nem o último (a). Eu quase desisti de falar para as pessoas o que estou indo fazer porque todo mundo tem um mini-piripaque quando eu conto. Algo do tipo: “Você tá louca. Nem a pau Juvenal. Eu não consigo. Ai meu Deus…” e por aí vai. Muito interessante ver a reação.

 Esse é um desejo meu muito antigo, desde de quando li a matéria da Eliane Brum na Época (que eu considero a melhor matéria já feita – pesquisa no site da revista que você acha) sobre a experiência dela no mesmo retiro que farei, só que ela fez no Brasil. Desde aquele dia (acho que 2007 ou 20088) prometi a mim mesma que teria essa experiência um dia. Uma grande amiga minha acabou indo para o mesmo centro da Eliane, que não fica tão longe da Flórida, e quando voltou e me contou sua experiência. Não pensei duas vezes: aqui vou eu!

 Mas por que Lívia? Muitos me perguntam. A resposta é: porque a resposta para tudo está dentro de mim, logo, tenho de me silenciar e ir além da minha mente pra saber quem realmente sou. Sim, eu já faço isso diariamente (e é o que me mantém equilibrada e feliz), mas saio da meditação e volto pra vida normal, falando que nem papagaio em dia de mudança (modificação do cachorro!! Hahaha, vocês entenderam a idéia). A vida cotidiana puxa nossa atenção para fora o tempo todo. Vivemos em alta velocidade, mas, sinceramente, não quero ser escrava desse mundo doido que criamos não… Quero mergulhar mais profundamente em mim mesma!

 Então vou me silenciar pra enfrentar minhas fraquezas e fazer as pazes com elas, pra assumir minhas qualidades e incorporá-las ainda mais no meu dia-a-dia. Pra fazer crescer dentro de mim a serenidade que é preciso quando você trabalha auxiliando pessoas a encontar a cura de seus problemas, a qualidade de vida e a felicidade. Pra eu ser uma pessoa melhor e assim conseguir ajudar as pessoas, e o mundo, a ser melhor também!

 No silêncio está o real encontro com a alma, está o redescobrir o amor, o coração… no silêncio mora a compreensão, a compaixão, a fé inabalável, a empatia, a felicidade genuína que se chama contentamento.  No silêncio mora minha alma, sua alma, a alma do mundo. No silêncio não existe ambição, não existe ego, não existe necessidades superficiais, não existe preconceito, não existe ciúmes, cobrança, não existe julgamento, não existe medo, não existe expectativa, não existe ansiedade, não existe pressa, não existe dúvida. Onde mais eu poderia querer ir?

 Por conta disso ficarei 10 dias sumida! Talvez um cadinho mais. Mas meu coração estará sempre com vocês, mesmo quando eu estiver concentrada na minha prática.

É na ausência de palavras que eu quero me reencontrar e desse reencontro poder estar ainda mais ao dispor do mundo, pra que possamos viver em uma realidade melhor!!! Um beijo no seu coração! Espero que seus próximos dias sejam iluminados! Namastê!

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