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Sobre a tentativa banal de entender as mulheres

27 maio

 

 

 

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Luta tola a de quem busca nos entender. Não fomos concebidas para ser entendidas, desvendadas… Nascemos para despir a rigidez do mundo, vivemos para dançar com o inesperado, o fulgaz, o belo, o mistério maior. Mudamos como o vento – assim, de repente – pois somos a metáfora viva da realidade: suaves como uma brisa tola, ferozes e implacáveis como a ventania dos Andes.

Mulheres foram criadas para vestir as flores que Deus criou. Somos a essência da luz interna do que está por vir. Geradoras de tormentos e paixões, aqui estamos para fazer o coração bater em golpes, a razão tirar férias, o grito sair no gozo. Somos o retrato da inocência que reveste as estrelas, a pureza que vem das fontes de água, o encanto da floresta úmida ao amanhecer.

Escutem-me! Deixem de lado a tentativa já falha de nos compreender. Somos fluídas, elétricas, mutantes, melodiosas. Mantenham apenas o desejo de nos desfrutar, explorar, reverenciar, encantar-se com nossa presença sabendo que a cada amanhecer somos outra. Deixe que tragamos o incômodo do imprevisível emocional para suas vidas pacatas.

O sagrado feminino corta com sua espada todo resquício de distração banal. Uma mulher, em sua graça divina, requer total atenção, invoca o foco do guerreiro, ancora a verdade da presença consciente. Jogamos suas rotinas no lixo e tornamos suas vidas um circo aberto de atrações místicas, sobrenaturais.

Permita que nossa inconstância deixem-os loucos e que apenas abraçando-nos forte, pressionando-nos contra seus corpos e calando-nos com suas línguas, vocês possam encontrar alguns minutos de paz. E depois… depois é um novo amanhecer. 

 

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Mundo dos Sonhos

16 set

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Os tambores tocavam em um ritmo lento e profundo. O calor da fogueira fez com que pequenas gotas de suor nascessem entre seus seios.

Ela entrou na tenda com um suspiro longo.

Seu mestre a esperava .

Um faixo de fogo, suficiente pra iluminar as duas almas e refletir a sombra de seus corpos, chamou sua atenção.

Não tinha volta…

Sua jornada, suas escolhas, o processo…

Ele lhe deu uma faca.

“Corte a ponta do seu dedo indicador esquerdo. Com as gotas faça um círculo onde ambos caibamos”, disse.

Um rápido tremor correu seu corpo, mas ela seguiu as instruções.

“Tire seu vestido, mas deixe o cabelo solto”, ele determinou.

O pudor da nudez já não fazia mais parte daquela relação. Muitas Luas já haviam se passado onde ambos estavam nus, próximos, mas não para o que estava por vir.

“Entre no círculo. Sente-se. Inicie a meditação que fizemos da última vez”.

Ela assim o fez. Não sabia dizer se foi a vibração da música lá fora, se foi a intenção daquela cerimônia, se foi a Lua crescente banhando seus companheiros de jornada que, tocando tambores, sabiam o que aconteceria; mas foi rapidamente levada para uma área de vegetação densa. Avistou um templo de colunas brancas e douradas. Caminhando vagarosamente em sua direção, sentiu a presença de seu mestre. Continuaram andando em silêncio.

No templo centenas de pessoas os esperavam. Mais tambores, a Lua os seguia. Subiram as escadas do templo. Ambos vestidos de branco. No alto, uma espécie de palco coberto de peles de animais. Duas fogueiras, uma à esquerda e outra à direita, iluminavam o local. Tiraram suas roupas. A batida da música era frenética, mas um silêncio profundo ditava o ritual. Deitada, nua, sentiu a meia-lua surgindo como uma queimadura em seu terceiro olho. Voltara à sua essência.  Seu mestre a penetrou vagarosamente. Ela abriu a boca, seus olhos se fecharam por um momento. Era a hora de sentir. Os cântigos começaram e, apesar de pressentir a familiaridade de tudo aquilo, não lembrava mais como cantá-los.

Se deixou levar pelo ritmo. Seu corpo movia-se de acordo com a pressão do corpo dele, de acordo com a sensação de que o Divino estava em cada milímetro de prazer. A certeza de que o sexo continha o segredo da criação do Universo… O sexo continha o segredo da cura. Sentiu-se a Sacerdotisa que por muitas primaveras abeçoou o solo, as águas, o ar, as borboletas daquela região. Seus olhos abertos concentravam-se somente nos olhos de seu mestre. Seu cheiro lhe remetia a algo conhecido, algo que por muito tempo ela permitiu que lhe tomasse por inteira. Suas mãos deslizaram pelas costas dele e tornou-se impossível não soltar gemidos, suspiros, palavras que saiam de forma primitiva de sua boca. Sons que ela não lembrava de onde vinham. Uma prece de êxtase, de gozo. Nada podia roubar sua liberdade. Alí não existia restrição. Alí ela era.

Contida pela vibração do momento, não soube definir quanto tempo havia passado até o final da cerimônia. Gentilmente, seu mestre a vestiu novamente. Entregou-lhe um cesta de flores brancas, colocou algumas das flores em seu cabelo. Beijou seus olhos, beijou seu queixo, testa. Passou seus dedos em seu cabelo. Abraçou-a. Sabiam que o trabalho estava encerrado e que finalmente aquela comunidade voltaria a receber as bençãos da Deusa. De mãos dadas desceram as escadas. Os tambores haviam parado. Escutava-se apenas o barulho da brisa. Um beija-flor dourado e azul cruzou seus corpos duas vezes e desapareceu entre a multidão. Seguiram caminhando em direção à mata.

Ao abrir os olhos já era manhã. Seu mestre estava sentado a sua frente, dentro do círculo.

“Bom trabalho”, ele disse, com um sorriso nos lábios. 

To be continued…

10 jun

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Ela abriu a porta.

Não disseram nada. Ele pegou a sua mão. Caminharam de mãos dadas. Era sua primeira vez naquela casa, mas ele instintivamente a guiou até o quarto.

Parou. Olhou nos olhos dela. Sorriu levemente. Ela respirava profundo. Seu rosto mostrava curiosidade, ansiedade  e certeza. Ele beijou-a levemente. Os lábios mornos  se tocaram. A saliva transformou o beijo em uma dança. As línguas aceleraram o ritmo.

Ele parou. Olhou pra ela novamente. Seus olhos continham uma ternura explícita e um tesão tímido que transpirava em seu corpo. Delicadamente, começou a desabotoar sua camisa. Ela olhava imóvel. Ele desvencilhou as alças do seu vestido sem pressa. Deixou à mostra seu colo, seus seios, sua carne. Involuntariamente ela se curvou, ainda contendo seu corpo da entrega final.

Ele pegou as suas mãos, posicionou-as em suas costas e a abraçou. Os corpos quase nus se tocaram pela primeira vez. A eletricidade fez ambos tremerem levemente. Sorriram. Ele beijou seu ombro, beijou seus seios, beijou seu ventre. Ela acariciou seu cabelos, seu pescoço. Seus dedos percorriam suavemente suas costas, sem pressa…

Eram duas almas antigas reencontrando-se mais uma vez. As vidas conjuntas foram tantas que não careciam de muito diálogo. O tempo era necessário apenas para explorar a carne nova, os novos formatos, o cheiro do presente. Passaram o resto da noite entre curvas, ângulos, expressões, texturas, gosto.

As primeiras palavras foram ditas ao amanhacer. “Seu suspiro continua doce”, ele disse.

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Conquistar é Viver

26 maio

 

Queridos Leitores,

Estou de volta com um vídeo sobre conquistas, batalhas, gratidão, etc! Peço desculpas pelos erros de português! Faço tanto esforço pra falar dignamente em inglês que tenho relaxado em manter um vocabulário bom na nossa língua maravilhosa! Mas o que vale mesmo é a mensagem, e essa está cheia de coisas boas pra vocês! Façam comentários e contem-me das suas conquistas. Beijo no coração e Namastê!

Na frequência certa

18 dez

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Há tempos venho namorando a ideia de ir a um retiro, mas nunca tinha rolado a perfeita conjunção de fatores – tempo, dinheiro, oportunidade e companhia – para eu realizar esse desejo.  Talvez eu não estivesse pronta.  Então surgiu esse curso de meditação no Parque Visão Futuro, um lugar do qual eu já havia ouvido falar muito, e quatro amigas toparam ir.

Depois de nos perdermos absurdamente ( quatro mulheres,  dois GPS e 222 opiniões diferentes), chegamos ao parque ecológico. Já estava escuro e embora não pudéssemos enxergar quase nada, era possível sentir o cheiro do perfume das flores. Isso, perfume das flores. Eu não sei vocês, mas eu, sempre que imaginava cheiro de flores, pensava em cheiro de velório, coroa de flores, sei lá. Não era algo agradável. Fiquei encantada com essa nova sensação e é a primeira coisa que me vem a mente quando lembro do parque.

Iniciamos o dia seguinte com uma palestra sobre meditação. Com dados científicos e tal. Tem até um Departamento de Harvard estudando o assunto, vejam só. Provavelmente para apaziguar os ânimos dos mais céticos como eu. Nesse momento, meu senso crítico ainda estava afloradíssimo. Eu estava observando as pessoas e meio que zoando e colocando apelidos em  todo mundo, mentalmente.  A fundadora do Parque, Susan Andrews, que carinhosamente chamamos de monja ou Didi, é uma americana que após anos morando na Índia decidiu vir para o Brasil montar uma ecovilla e ensinar aos outros a procurar a felicidade dentro de si mesmos.  Eu não sou muito atenta para a energia das pessoas, mas a dessa mulher é algo impossível de se ficar imune. Ela irradia uma luz a quilômetros de distância. E repito: não sou do tipo que vê luz irradiando das pessoas. Mas só de olhar para ela, dá vontade de sorrir, abraçar. Agradecer. Uma hora ela pegou na minha mãe, e juro, era como se eu estivesse de mãos dadas com um anjo. Difícil descrever sem soar piegas ou deslumbrada.

Na hora da primeira meditação, senti muita dor nas costas, um calor insuportável e fui atacada por pernilongos. Mudei de lugar no meio do processo (imagine a cara das pessoas com a louca aqui levantando no meio do silêncio pra sentar num local mais fresco. Super zen, só que não).  Fiquei bem irritada com a situação e comigo mesma. Não consegui nem me concentrar o suficiente para repetir o mantra ou acalmar a minha respiração ( algo me diz que eu estava bufando). Só queria que acabasse logo e quando tocou o sino eu quase saí correndo pelas colinas.

Depois do almoço (vegetariano delicioso) fomos para uma sala no alto de uma colina, com uma vista maravilhosa, praticar yoga. Só que não era yoga, era um negócio meio mal explicado que nem vou saber definir aqui. Repetitivo, chato. Nada de ásanas.  Eu já estava começando a pensar que teria que mudar o meu objetivo do final de semana, não haveria grandes revelações ou descobertas, seria apenas um descanso num sítio com comida vegetariana e um monte de bicho grilo.

O próximo exercício foi caminhar, em total silêncio, até a mata e lá permanecer por uns quarenta minutos, com um papel e um caixa de giz de cera na mão.  Me esforcei para não pensar no ridículo da situação, achei um cantinho para sentar, e fiquei lá, esperando a tal revelação. Ainda passei bem uns cinco minutos brigando com um galho que insistia em bater na minha cabeça e espantando os bichos que pousavam na minha perna.  Até que encontrei uma posição agradável, controlei o ritmo da respiração, olhei para cima e vi, por uma brecha entre a copa das árvores, o céu azul e uns pássaros voando. Ouvi o canto deles e  finalmente: click! Desliguei meus julgamentos e me conectei com a natureza, com o meu propósito do final de semana e com Deus.

Continuamos em silêncio até a próxima meditação.  Que aconteceu ao pôr do sol, numa sala cheia de janelas, que davam para as árvores e o cair do sol. Consegui encontrar uma posição que não doía as costas,  fui acalmando e acho que pela primeira vez na vida consegui meditar calma e profundamente.

Eu gostaria de relatar tudo que aconteceu depois ( na verdade eu o fiz, mas o texto ficou longo, chato e meio nonsense). Entretanto,  nada que eu escreva vai sequer passar perto do que realmente experimentei.  Depois de mais de uma década de busca espiritual, eu finalmente encontrei o meu canal de conexão com Deus. É como se eu estivesse há anos tentando sintonizar uma rádio, e ás vezes conseguisse, mas sempre pegando mal, com estática. E finalmente  descobrisse a frequência exata! Hahahaha, analogia péssima, mas foi o melhor que consegui.

Voltei para casa renovada, grata e feliz. E recomendo a experiência com força!

Para quem quiser conhecer mais sobre o Parque e a Susan entrem no site: www.visaofuturo.org.br

P.S. Quem diria que eu estaria escrevendo um post ~sério~ sobre meditação ein?

No Baile da Vida

19 set

Eu sei, eu sei. Estou sumida… Peço desculpas. A vida tem me carregado na sua melodia única, que tem sido bem agitada ultimamente. Mas aqui estou, com o coração apertado de saudade desse blog. Tenho tantas idéias, inspirações, mas a “realidade” ou a “rotina doida” corta meus pensamentos pela metade e não consigo concluir meus planos literários. No entanto, hoje me dei uma folguinha para dedicar tempo a você querido leitor (a)!

Como você tem passado?  O que tem feito? Como tem se sentido? O que tem sonhado ou aprendido? Estamos em um momento tão único… Não, não acho que o mundo acaba em dezembro, mas te garanto que as mudanças planetárias estão acontecendo em velocidade máxima. Vejo isso na minha vida e na vida de amigos e queridos. Você tem sentido também?  Você tem enfrentado alguma dificuldade que parece nunca largar do seu pé?  Você tem lidado com algo que vem te incomodando há tempos e você não entende por que não consegue resolver? Se você respondeu sim para uma dessas perguntas, ótimo! É hora de fazer a faxina no armário da alma e jogar fora aquilo que não te serve mais.

Eu tenho enfrentado vários desafios. Voltei para a terapia e tenho encarado meus medos e fantasmas como há muito tempo não fazia. Estou desenterrando defuntos pra poder cremar e deixar as cinzas irem embora e nunca mais me limitarem. Estou jogando na minha cara minhas fraquezas, desculpas, inseguranças, erros, pra fazer delas meus guias de cura. Curar o quê? Alma e mente meus caros! Agradeça cada problema que aparece na sua vida, pois  ele é seu passaporte para o crescimento espiritual e psicológico. Agradeça cada pessoa que te irrita, magoa, desanima, pois ela é um espelho do que existe dentro de você e precisa ser resolvido. No início do ano, 2012 chegou e gritou aos quatro cantos: “Não tem escapatória cambada, é hora de mudar”!!!

E com a mudança vem a beleza de saber que somos todos estudantes curiosos da mágica da vida. O importante agora é encontrar as suas armas para lidar com os desafios. Entre as minhas está a dança. Isso mesmo, a dança! Deixei a yoga (ou asanas, a parte física da yoga) um pouco de lado para mergulhar no mistério da dança livre, aquela sem coreografia ou sem necessidade de ser bonita. Ela pode parecer desajeitada, errada, engraçada, encabulada, ou ser agressiva, energética, sensual, emocionada. A dança muitas vezes é uma prece e eu tenho feito da minha dança um ritual de gratidão e de entrega. A dança me faz transcender. Aqui nos Estados Unidos, aulas e eventos que usam a dança como veículo terapêutico e de transformação têm se multiplicado. São homens e mulheres, de todas as idades, deixando o corpo falar. E é uma das coisas mais lindas de se ver. Em uma palavra: LIBERDADE!

E nela, na dança, deixo de ser meu ego, deixo de ser minha mente, me entrego ao processo. Meu corpo é inteligente o bastante pra mover-se sem comando. Meu corpo segue meu coração e o resultado é o encontro com o vazio. É como se a mente hibernasse por algumas horas. É o meditar dançante. Ou a dança meditativa. É o se deixar levar. É o entregar e confiar. Tenho me amado mais quando danço.  Tenho descoberto um pouco mais sobre quem sou ao final de cada ritual. Tenho tido uma conversa diferente com Deus cada vez que a música começa a tocar e entrego meu corpo a uma espécie de catarse da alma. Dançando me sinto genuína, inteira, íntegra. Me sinto corajosa, guerreira, selvagem. Me sinto pura e quieta. Me sinto em paz!

E você? Quer dançar comigo? Beijo dançante e Namastê!

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