Arquivo | Uncategorized RSS feed for this section

o que eu te diria?

18 jul

 

O que eu te diria se você estivesse aqui, na minha frente?

Se não houvesse medo, orgulho, moral, bons costumes.

Se você não tivesse reiteradamente partido meu coração.

Se não houvesse qualquer expectativa.

Bagagem.

Frustração.

Desilusão.

Talvez eu te agradecesse por explodir uma bomba em minha vida.

Por me virar do avesso, chacoalhar minha alma, rasgar minhas máscaras, jogar luz nas minhas sombras.

E me ajudar a me lembrar de quem sou!

Talvez eu respondesse à sua pergunta: – sim, somos almas gêmeas (mas reza a lenda que temos outras 22 espalhadas pelo mundo, então tudo bem)

E assumisse que eu primeiro me apaixonei pela versão de mim que vi em seus olhos, pra só depois  me apaixonar por você. Ou pela sua versão que vi nos meus olhos e que, talvez, só tenha existido naquele breve instante, diante deles.

Talvez eu te dissesse, mais uma vez, que sinto falta do seu olhar. Do seu abraço. Da sua admiração.

Da sua voz me pedindo baixinho: – não vá embora.

Talvez te pedisse desculpas por ter atropelado tudo com meu imediatismo. Por ter nos boicotado. Por ter colocado tanto urgência no nosso amor.

Poderia ter sido tudo diferente, mas não foi.

E tudo bem.

Anúncios

O vestido não amassado

17 out

look-vestido-amassado-converse-ootd

Combinamos um encontro rápido, sem saber que aquele seria o derradeiro. Nos encontramos no local marcado, ele entrou no meu carro, demos um beijo rápido e brindamos com cerveja quente, desajeitados e envergonhados como sempre. Enquanto eu procurava um lugar para estacionar, disparei a falar uma coisa atrás da outra, sem espaço  sequer para tomar fôlego, numa tentativa infrutífera de dissimular a ansiedade. Já ele, limitava-se a me responder monossílabos, parecia contido, hesitante.

O plano inicial era que o encontro fosse apenas para darmos um abraço, não teríamos muito tempo,  mas tudo mudou no minuto em que senti o cheiro dele.  A fragrância da sua pele, meio suada, entre o pescoço e o ombro.

Aquele cheiro, o cheiro dele, sem perfume.

Passei então a desejar que ele me pegasse de jeito. Daquele jeito. Que me levasse pra algum lugar. Qualquer lugar. Que tirasse minha roupa e agarrasse meus peitos. Queria sentir o calor da minha pele encostando-se à dele. Queria sentir sua carne. O gosto salgado do seu suor. Queria fazê-lo perder a hora, o fôlego e a compostura. Queria que ele finalmente preenchesse aquele vazio que meu corpo sentia quando se lembrava do dele. Queria que ele me desejasse, naquele instante, tanto quanto eu o queria. Mas para meu desapontamento, ele estava focado em não se atrasar, não amarrotar meu vestido e não se deixar impregnar pelo meu perfume.

Ironicamente, tudo o que eu mais desejava era justamente perder a hora e ir para casa vestindo o cheiro dele.

Foi então que vi no seu olhar. Aquele mesmo olhar que conseguia enxergar minha alma, dessa vez entregou a própria. Dizendo aquilo que ele ainda não tinha conseguido com palavras: que ele nunca teria coragem suficiente para ficarmos juntos.

Doeu. Porque por mais que eu fingisse que soubesse, não sabia, de fato. Parte de mim ainda se iludia que um dia iria acontecer. Que seria inevitável. Num futuro não tão distante.

-Tenho medo de estar te fazendo mal,  ele disse enquanto me pousava um beijo no rosto, quase fraternal.

-Não está me fazendo mal, porque não tenho expectativa nenhuma, menti enquanto disfarçava as lágrimas que escapavam pelos cantos dos olhos. Ele me sorriu amarelo, entre aliviado e descrente.

E nesse sorriso entredentes, percebi que o homem pelo qual havia me apaixonado já não estava mais ali. Devagar, senti meu coração se partir em minúsculos pedacinhos, se espatifando suavemente pelo chão, sem fazer barulho. Levaria semanas, meses, pra colar tudo de novo, mas ele nem viu. Assim como não notou que, naquele instante, eu escapava lentamente pelos seus dedos. Pela última vez.

Inspirei fundo, como se pudesse trazer de volta, junto com o oxigênio, a minha dignidade. Não funcionou. Me senti abandonada e pequenina. Como uma criança que perdeu o brinquedo preferido no parque de areia. Passei a mão para alisar o vestido, que não estava amassado, afinal.  Observei-o discretamente, enquanto seus olhos distantes já miravam a rua, à procura de uma saída.

-Pode ir,  libertei-o.

Não havia mais nada a declarar.

Tão estranho se despedir de uma promessa que não vingou. De um poderia ter sido. De alguém que tinha tudo para ser e não foi.

Frustração embolada na garganta, um abraço morno e adeus.

E agora?

31 jul

 

O moço ao lado pareceu se incomodar com o tamborilar de seus dedos no balcão do bar, mas ela fingiu não perceber. Sentada sozinha, inventava maneiras de se distrair sem que precisasse conversar com alguém. Deu mais um gole na pint de Guinness, que desceu amarga e quente. Mania que esses pubs têm de servir cerveja quente como se estivéssemos na Europa, pensou em voz alta e suspirou, atraindo novamente o olhar do moço ao seu lado, que dessa vez sorria.  Retribuiu com um sorriso sem dentes. Não estava a fim de fazer novos amigos, manter os antigos já era esforço suficiente.

Revirou a bolsa em busca de seu celular. Nenhuma ligação ou mensagem. Pensou em checar os emails ou tuitar alguma coisa, mas estava tentando se livrar do vício de navegar no celular a todo minuto.  Sentiu uma angústia crescente em seu peito e não conseguiu identificar o porquê. Devia ser porque estava esperando e odiava esperar. Estava absorta nesses pensamentos quando viu o amigo entrando no pub. Haviam sido muito próximos na época da faculdade, de fazer tudo juntos, mas não se viam pessoalmente há mais de dez anos. Finalmente a imagem borrada que tinha guardada em sua memória foi ganhando contornos mais vivos e realistas.

—  Oi! Desculpe o atraso, mas me enrolei lá no trabalho. – se explicou Saulo

—  Já estou na segunda cerveja! – ela respondeu empunhando orgulhosamente o copo

Foram longos segundos de estranhamento e timidez enquanto se olhavam sem poder dizer nada, tentando relembrar cada conversa trocada ao longo dos anos e combinar as frases ditas com os rostos e corpos ali presentes.

Ela sugeriu que ele se sentasse logo e começasse a beber. Optaram por permanecer ali mesmo no balcão. Parecia a opção mais acertada, assim estariam juntos, mas não apenas os dois, já que ainda não estavam à vontade.

Algumas horas e cervejas depois a intimidade que experimentaram no passado, já havia se estabelecido novamente. Riram um riso solto, genuíno. Empolgada durante alguma constatação maluca, ela tocou o braço dele de leve, sem querer.  O contato lhe causou uma reação estranha e inesperada, sensação que preferiu atribuir ao sexto pint de cerveja. Falaram em ritmo frenético, as palavras transbordando da língua, tentando condensar anos de falta de convivência em algumas horas.  Súbito, Saulo se ajeitou na banqueta, como se estivesse se preparando para anunciar algo muito importante.

— Que foi? – perguntou olhando pela primeira vez bem nos olhos dele.

— Eu não ia te contar, mas agora que estamos aqui frente a frente eu sinto que preciso compartilhar isso contigo.

— Fala logo.

— Estou com um pouco de vergonha. Promete que não vai me julgar?

— Eu? Te julgar? – questionou quase gargalhando.  – Logo você que conhece meu lado mais negro!

— Te contei que desde que marquei a data do casamento, estou me sentindo meio esquisito, né? Sempre fui todo correto e parece que agora estou sentindo necessidade de me libertar um pouco.

— Sei…

— Fico fantasiando umas coisas. Crio umas histórias na minha cabeça. Uma espécie de fuga, para me distrair do fato que nunca mais vou poder comer outra mulher na vida, acho.

—  Típico devaneio Sauliano. Tá, e daí? – ela comentou revirando os olhos

— Não é nada que eu realmente pense em concretizar, mas é que tem sido meio freqüente.

— Fala logo Saulo! Que porra de suspensa é essa?

—  Eu tenho fantasiado com você!

Surpresa, sentiu as bochechas queimando e o sangue de todo seu corpo correr em direção às maçãs do rosto. A sensação durou menos de cinco segundos. Logo lembrou que estava diante do seu brother e resolveu não dar muita importância à confissão repentina.

— Que falta de criatividade fantasiar bem comigo ein? – comentou pra quebrar o gelo.

Continuaram conversando por mais algum tempo sobre literatura, relacionamento, sexo e fantasias, da forma despretensiosa de sempre. Ele parecia absolutamente natural, como se nada tivesse acontecido.  Ela não. Aquela revelação tinha confundido sua cabeça. Não sabia se era o álcool, mas o fato é que agora não conseguia mais olhar diretamente nos olhos dele, pois temia que ele pudesse adivinhar o que se passava em sua cabeça. E o que ela pensava naquele momento era inconfessável, até mesmo para o seu melhor amigo.

 

De repente, tudo ficou sensual e com duplo sentido. A forma como ele pegava no copo, o jeito dele ajeitar o cabelo que insistia em cair sobre os olhos e até mesmo o modo como fungava o nariz a cada cinco minutos, por conta de uma rinite. Descobriu em Saulo um apelo sexual que nunca imaginara existir.

Por volta das 11 horas, conforme haviam combinado, foram conhecer o novo apartamento dele, recente aquisição que o deixava muito orgulhoso. Precisava compartilhar isso com você, ela havia dito.

Ao chegar, ele se serviu de uísque puro, sem gelo e ofereceu a ela uma dose misturada com água de coco, seu drink favorito.  Clara avaliou que talvez devesse parar de beber, mas já não tinha forças para tomar essa decisão sozinha. Enquanto ele preparava a bebida, ela percorreu os dedos pela coleção de cds exposta na estante da sala, somente bandas de rock pesado:  Black Crowes, Nine Inch Nails, Metallica. Nada muito romântico, pensou e balançou a cabeça, desaprovando o próprio pensamento. Estava prestes a escrutinar a estante de livros, mas neste exato momento ele voltou à sala com os dois copos na mão e um sorriso malandro. Entre um gole e outro, se olharam em silêncio. Ele tá me olhando diferente ou tô viajando por causa do que ele me contou?

O apartamento ainda não estava completamente mobiliado e era quase possível ouvir a tensão sexual se instalando e estendendo por todos os cômodos. Para sair daquela situação indefinida ela pediu pra ler um de seus textos, o que a princípio ele negou, alegando timidez. Ela continuou pedindo, quase insistente, porque não sabia mais o que fazer com aquele silêncio incômodo e achou que ler um conto dele pudesse dissipar a sensação. Ele acabou cedendo. Abriu um arquivo no computador e imprimiu duas folhas. Essa é uma das minhas fantasias com você, você se incomoda?

Hesitante, ela pegou os papéis e bateu os olhos rapidamente no texto. Algumas palavras fizeram seu sangue mais uma vez correr rapidamente para o rosto. Preferiu se levantar e continuar a leitura longe dele, perto da janela. Conforme a leitura avançava, uma onda de calor lhe tomava o corpo enquanto a razão ia sumindo de modo quase indisfarçável. As palavras começaram a se embaralhar. Ou eu tô muito bêbada ou eu tô seriamente a fim de ficar com ele.

— Qual parte você está lendo?

— A parte em que o cara finalmente beija a garota.

Então ele se colocou a apenas dois dedos de distância, atrás dela, sussurrando coisas ininteligíveis em seu ouvido. Ela sentiu as pernas amolecendo e um arrepio gostoso percorrendo a espinha. Tentou resistir, mas seu corpo não obedeceu. Inevitavelmente beijaram-se. Ele a encostou na parede, forçando seu corpo sobre o dela. Beijou seu pescoço bem devagar, queria reter na memória seu cheiro e seu gosto. Gostava dela. Sempre havia gostado. Aturdida pelo trinômio álcool, prazer e surpresa, Clara decidiu expurgar a culpa que sentia por estar ficando com o melhor amigo, comprometido, e se entregou.  Então lhe lançou um olhar que dispensava palavras e ele entendeu.

Meia-hora depois o suor pingava no chão e ele sentiu que poderia morrer ali, naqueles segundos que sucedem o gozo. Exangues e ofegantes, os dois se espalharam pelo chão, cada um para um lado, respirando devagar.

De um lado ela pensava E agora? Do outro, ele também.

 

 

 

 

Porque sumimos…

24 ago

Oi leitores! Estou aqui para avisá-los que o Três Nortes não morreu… O que acontece é que eu e a Lívia estamos tocando projetos pessoais paralelos e com isso não temos tido tempo de postar por aqui. Um dia eu volto, prometo. Enquanto esse dia não chega, você pode acompanhar minhas peripécias pela maternidade no meu blog: http://www.blogmaecomestilo.blogspot.com  e pode continuar se inspirando com os conselhos e vídeos da Lívia em seu site http://www.plenessencia.com.br

Divirtam-se e até breve!

Meditação para todos: o que você precisa saber para transformar a sua vida!

4 ago

Queridos leitores, tudo bem? Saudade de vocês, mas em um momento super-duper transformativo que me impede de dedicar-me tanto ao blog! Por isso resolvi postar o meu primeiro vídeo sobre meditação em inglês mesmo! Peço desculpas pelo idioma, mas fiz esse vídeo para um workshop online aqui em Miami e acho que vale a pena divir com vocês! Mesmo que você não seja craque em inglês, tenho certeza de que você vai entender bem (até porque eu não sou craque em inglês!). Convido a todos para praticar a técnica que descrevo no vídeo levando em conta o que expliquei sobre meditação! Lembre-se, pensamentos fazem parte da prática. Não se apegue a eles, nem os julgue ou critique! Simplesmente volte ao mantra SO HUM sempre que observar que está pensando em outra coisa e siga praticando! E me conte o que achou do vídeo e como foi sua experiência meditando! Estamos passando por uma fase bem desafiadora do planeta, meditação é uma das melhores ferramentas para lidar de forma saudável e pacífica com as turbulências! Espero que gostem e espero que esse vídeo forneça boas informações a vocês! Beijo no coração, obrigada e Namastê!

Sobre a tentativa banal de entender as mulheres

27 maio

 

 

 

Image

Luta tola a de quem busca nos entender. Não fomos concebidas para ser entendidas, desvendadas… Nascemos para despir a rigidez do mundo, vivemos para dançar com o inesperado, o fulgaz, o belo, o mistério maior. Mudamos como o vento – assim, de repente – pois somos a metáfora viva da realidade: suaves como uma brisa tola, ferozes e implacáveis como a ventania dos Andes.

Mulheres foram criadas para vestir as flores que Deus criou. Somos a essência da luz interna do que está por vir. Geradoras de tormentos e paixões, aqui estamos para fazer o coração bater em golpes, a razão tirar férias, o grito sair no gozo. Somos o retrato da inocência que reveste as estrelas, a pureza que vem das fontes de água, o encanto da floresta úmida ao amanhecer.

Escutem-me! Deixem de lado a tentativa já falha de nos compreender. Somos fluídas, elétricas, mutantes, melodiosas. Mantenham apenas o desejo de nos desfrutar, explorar, reverenciar, encantar-se com nossa presença sabendo que a cada amanhecer somos outra. Deixe que tragamos o incômodo do imprevisível emocional para suas vidas pacatas.

O sagrado feminino corta com sua espada todo resquício de distração banal. Uma mulher, em sua graça divina, requer total atenção, invoca o foco do guerreiro, ancora a verdade da presença consciente. Jogamos suas rotinas no lixo e tornamos suas vidas um circo aberto de atrações místicas, sobrenaturais.

Permita que nossa inconstância deixem-os loucos e que apenas abraçando-nos forte, pressionando-nos contra seus corpos e calando-nos com suas línguas, vocês possam encontrar alguns minutos de paz. E depois… depois é um novo amanhecer. 

 

Vídeo

Eclipse lunar, Cruz Cardinal e como isso tudo afeta você!

15 abr

Olá leitores queridos! Segue mais um vídeo sobre esse momento super importante que estamos passando! Só para explicar melhor, no final do vídeo eu falo um pouquinho sobre o curso de meditação online que estou oferecendo para pessoas no Brasil. Se tiver interesse, meu e-mail é o livia.yoga@gmail.com. Pronto, chega de “momento-marketing”!! Espero que goste do vídeo! Deixe seu comentário sobre seus desafios ou o que quiser dividir com a gente! Beijo no coração e Namastê!!

Vídeo

Como lidar com momentos de ansiedade, surtos, pitis e afins!

27 mar

Quem nunca perdeu a linha em uma situação estressante que jogue a primeira pedra! Eu, “como boa ser humana que sou”, não estou imune aos surtos de ansiedade. Logo, resolvi fazer esse vídeo com dicas simples que super funcionam pra lidar com os momentos da vida onde não temos controle sobre a situação (mas sempre temos controle sobre como vamos lidar com a situação) e estamos prontos para descer do salto!! Se vc tiver algum método eficaz de lidar com o estresse, por favor, deixe seu comentário para engrandecer ainda mais esse post! Beijo no coração e obrigada!

Encontro em um dia frio

16 jan

Imagem

O frio inesperado gelava seus ossos enquanto  desviava dos carros no trajeto. Os dentes começaram a bater e ela desejou um cachecol como nunca. Considerou a hipótese de desviar do caminho e  ir atrás de uma loja comprar um casaco, mas antes que terminasse seu raciocínio, já estava dentro do pub.

Com sempre, sentou-se sozinha numa mesa alta, no canto do bar e  pediu uma pint de Guiness. Pode sentir seu corpo recuperando a temperatura normal enquanto tentava decifrar qual música a banda tocava. Fechou os olhos para se concentrar melhor na melodia da canção e ao abri-los enxergou uma garrafa de Stella colocada à sua frente, já ia reclamar quando notou que não era a garçonete que estava em sua frente. Não conseguiu dizer nada,  apenas fez um esforço sobrenatural para não desabar ali mesmo.

–  Você ainda toma Stella?- ele perguntou

Pensou em levantar e lhe dar um abraço, mas não conseguiu.  Apenas sorriu com metade da boca.  Eram tantas as coisas não ditas e guardadas durante esses anos, que as palavras se embolaram todas, uma disputando importância com a outra, e resultaram presas na garganta,  sufocadas.  Foi salva pela garçonete que chegou  trazendo a cerveja. Finalmente as palavras se acertaram e ela conseguiu formular uma frase, com o fiapo de voz que lhe restava.

– Agora eu tomo Guiness.

Respondeu, para em seguida beber meia pint em um gole só, arrancando dele um suspiro e um sorriso.

– Eu não imaginei que fosse me sentir assim ao te reencontrar.

– Já eu, tinha certeza. Por isso sempre evitei, mas hoje o universo conspirou a favor…

Ela virou o restante do copo e imediatamente pediu mais uma cerveja:

-Vou te acompanhar na Stella em homenagem aos velhos tempos.

Ele abriu um sorriso largo, meio aliviado, como se soubesse que ela finalmente estava voltando a si. Mais solta, ela emendou um assunto no outro, sem pausa, temendo que o silêncio os fizesse lembrar  daquilo que realmente queriam dizer. Assim, passaram  os primeiros 30 minutos  conversando sobre amenidades, resumindo o que lhes havia acontecido nos últimos anos em que ficaram sem se falar. Deram algumas risadas, sentiram-se tão à vontade que quase acreditaram  ser bons amigos.

Em um momento de descuido, o silêncio os tomou de assalto e, sem alternativa, renderam-se.  Seus olhares preencheram o vazio deixado pela falta das palavras. Ela tentou se distrair, olhando para a coleção de bebidas por trás do balcão, mas podia sentir os olhos dele, fulminantes, enxergando sua alma.  Alguém abriu uma janela e uma golfada de ar frio lhe gelou a espinha. Em uma fração de segundos começou a tremer, sentia tanto frio que mal conseguia raciocinar.  Seu corpo todo chacoalhava e ela já não sabia se aquilo era apenas frio ou resultado daquele encontro. Ele se aproximou e cobriu-a com o seu casaco. Durante o movimento, seus joelhos se tocaram , lembrando-a de tudo que ela se esforçava tanto para esquecer.  Pediu mais uma cerveja, a saideira.

– Preciso ir embora.

Ele consentiu com a cabeça. Pede para eu ficar vai. Silêncio. Ela novamente tentou desviar a atenção,  lendo  os rótulos das garrafas detrás do balcão. Ainda podia sentir os olhos dele acompanhando cada movimento seu. Olhou para o teto, mas não havia nada que pudesse distraí-la ali.

– Por que fica olhando para essas garrafas toda hora?

– É uma tática.

– Tática?

– Pra não manter contato visual.

– E funciona?

– Não… Para de me olhar desse jeito vai.

–  Por quê?

– Porque parece que você está lendo meus pensamentos.

– É que eu estou pensando a mesma coisa que você.

Como me esconder desse homem que me conhece do avesso? O que eu posso dizer que ele já não saiba?

Sorrateiramente  seus corpos  escorregaram  de seus bancos e se aproximaram, atraídos como ímãs. Se respirassem  um pouco mais profundamente, suas pernas se tocariam de novo. Ela sorriu com o pensamento, mas suas palavras não concordaram com suas ideias:

– Eu não acho que isso aqui seja uma boa.

–  E não é. Mas desde quando  a gente se importa com isso?

Desde quando? Não saberia responder. O fato é que agora ela se importava com isso. E precisava partir, ou perderia o ônibus e a razão. Levantou-se na direção dele e perguntou se podiam dar um abraço.

– Devemos.

Sentiu  a força dos seus braços em sua  cintura e decidiu prolongar o momento. Aproveitou o calor e o cheiro daquele corpo tão familiar. Recebeu um beijo demorado, no canto da boca, e saiu. Sentiu uma bola de espinhos se formando em seu peito, subindo até a garganta e enchendo seus olhos d’água. Com a visão meio embaçada, saiu  para a rua. O vento não parecia mais tão gelado. Percebeu que estava de casaco e sorriu.

 

Vídeo

Como manifestar suas intenções em 2014!

1 jan

Feliz Ano Novo queridos leitores! Começamos 2014 com uma Lua Nova super especial que vai te apoiar na realização dos seus sonhos e desejos! Siga as dicas desse vídeo nos 3 próximos dias, que serão os dias mais poderosos dessa lua! Que nesse ano possamos elevar nossas consciências de forma coletiva para criar uma realidade mais amorosa, compassiva e feliz para todos nós! Beijo no coração, Namastê e força na lista de intenções!

%d blogueiros gostam disto: