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Cidadã de lugar algum

3 set

Vista de Ribeirão Preto. A cidade até que é bonita, fala aí?

Desde que nasci já mudei de cidade umas sete vezes. Combina bem com meu espírito aventureiro sagitariano. Eu não tenho medo algum de ir para uma cidade diferente, mudar de ideia, me arrepender, voltar, mudar de novo. Embora eu sofra com despedidas e mudanças, ao mesmo tempo preciso delas para viver. Sou um paradoxo ambulante.

Nessas mudanças pude notar uma sensação que acontece sempre nas primeiras semanas que estou num lugar novo (mesmo que eu já tenho morado nele). Eu fico temporariamente sem referência. Ainda não desapeguei por completo da cidade que deixei e não me sinto completamente inserida na cidade que escolhi pra viver. Em outras palavras, eu não me considero cidadã de lugar algum.

Ando pelas ruas meio perdida, procurando um caminho que não existe e que não me leva a nenhum ponto. Me pego confusa, trocando as direções. Não sei mais onde fazer as compras de supermercado, que farmácia ir, não tenho mais manicure, nem médico. São coisas tão pequenas, mas é justamente esse conjunto de ações eu me norteiam e me  conectam a um lugar.

Nem parece que há um ano eu morava aqui. É definitivamente o recomeço de uma relação. Como num namoro, se você termina e volta depois de um ano, não vai retomar de onde pararam e sim começar do zero. Então me sinto assim: flertando com a cidade e com suas possibilidades. Eu quero que o namoro dê certo, então me apego às qualidades e sublimo os defeitos. Ainda assim, Ribeirão precisa me conquistar de novo. Ou eu preciso programar meu cérebro para voltar a se apaixonar. Não sei! Mas nos próximos dias não me pergunte onde moro, pois corro o risco de não saber responder!

São Paulo e eu: uma história de amor

3 ago

Meu lugar favorito de São Paulo : avenida Paulista

Eu nasci em São Paulo e fui criada em Rio Preto. Voltei a morar lá aos 18, para fazer faculdade. A relação começou difícil. A cidade feiosa e cinza demorou a me conquistar. De início eu fugia sempre que podia. Até que um dia, de forma meio sorrateira, me vi apaixonada. E o amor foi recíproco. A gente se entendia, ela me acolhia. Suas ruas, mesmo sujas, me traziam sensação de “lar doce lar”. Eu fui descobrindo seus segredos, seus cantinhos privilegiados. Seu mau humor expresso em forma de congestionamentos e violência não me afetavam. Eu não tinha carro nem medo. 

Então criamos uma relação sólida, duradoura. Aquilo seria amor eterno. Eu aceitava seus defeitos, ela aceitava os meus. Ela me oferecia tanta coisa, o mundo ao meu alcance ( e praias a 100km) e não pedia nada em troca ( talvez um pouco de respeito e cidadania). E me deixava livre para ser quem eu quisesse ser. Era um casamento perfeito. 

Mas eu sou volúvel. Acabei me apaixonando por outra. Fiquei enloquecida e quis mudar para lá. De repente o cinza ficou too much for me. Eu queria todas as cores, especialmente o azul esverdeado do mar de Ipanema. E pra lá me fui. Seduzida pela malandragem e malemolência cariocas. Obviamente era uma relação fadada a não vingar. Paixão fulminante, mas pra durar só um verão. Fiz minhas malas e voltei, com o rabinho entre as pernas. 

São Paulo me recebeu de braços abertos. Consciente de suas limitações, aceitava essas escapadelas sem grandes traumas. No entanto a insatisfação se instalou de forma crônica dentro de mim. Pensava em formar um família e morar num lugar cheio de verde, sem trânsito, viver um comercial de margarina todos os dias. Eu não tinha forças para abandoná-la sozinha, mas encontrei um louco que me ajudou a fugir. E novamente fui embora, quase sete anos atrás. 

Que separação difícil! Tanto tempo depois ainda me dói cada despedida, me alegra cada reencontro. Parece que foi ontem. A imensidão de prédios e concreto é o único lugar em que eu me sinto perfeitamente inserida. E que me inspira a correr atrás de todos aqueles sonhos impossíveis. Lá não sou mais nem menos. Sou mais uma e sou única. Sou eu!

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