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Ah, o cinema argentino…

18 nov

Um conto chinês

Ah, o cinema argentino. ..

Nunca me decepciona. Cada filme, uma nova surpresa. E boa, sempre boa. Os filmes são de uma simplicidade arrebatadora. Nada de orçamentos grandiosos, apenas boas histórias ( sempre bem desenvolvidas) e bons intérpretes. Ou melhor, um bom intérprete: Ricardo Darín. Que está em 100 de cada 100 filmes porteños que assisti. E o cara é mágico. Tem a capacidade de nos fazer esquecer completamente de seus personagens anteriores, por mais marcantes que tenham sido. Cada filme, uma nova faceta.

Um conto chinês é sobre Roberto (Darín), um veterano de guerra solitário e cheio de manias que acolhe em sua casa, contra a sua vontade, um chinês que não habla nada de español e está completamente perdido. A relação dos dois é complicada não somente pela diferença de idioma e cultura, mas também pela rudeza do protagonista. A convivência forçada acaba sutilmente construindo uma relação bonita e inusitada, que faz Roberto perder a casca. Ao enfrentar seus piores demônios, ele passa a ver a vida de outra maneira. Cada cena, cada pequeno detalhe, cada choque cultural são de uma beleza singular. O drama é pontuado por pequenos momentos de humor, que dão leveza ao longa. É um filme que enche o coração.

Muto bem dirigido por Sebastián Borensztein, que também assina o roteiro, o longa argentino é imperdível. Literalmente, não dá pra perder. Então corra!


* Um conto chinês ganhou Melhor Filme no Festival de Roma

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O Segredo dos Seus Olhos

1 jul

Darín e Francello em momento cômico do filme

Com atraso de alguns meses, graças à movimentada programação de cinemas do interior, assisti ao excelente O Segredo dos Seus Olhos, do argentino Juan Jose Campanella.

Eu amo a Argentina ( exceto em épocas de Copa do Mundo) e sou fã do seu cinema desde sempre. Posso afirmar que esse filme mereceu ganhar o Oscar de melhor longa internacional, mesmo sem ter assistido aos outros concorrentes.

Ricardo Darín é o protagonista, para variar. Digamos que ele está para o cinema argentino como Wagner Moura para o brasileiro, ou seja aparece em praticamente todas as produções do país. Mas tudo bem, porque ele é ótimo ator. Daqueles que enchem a tela só com o olhar. As cenas com Guillermo Francella estão impagáveis. A dupla funcionou muito bem, timing perfeito. Não sei se é a primeira vez que trabalham juntos, mas  eu certamente adoraria um bis!

O filme conta a história de um funcionário público aposentado (Darín) que resolve escrever um livro sobre o caso criminal mais importante de sua carreira. Um estupro seguido de assassinato. Apesar do tema, o filme não é nada violento e chega a ter momentos cômicos, embora seja denso. Apesar de ser policial, trata essencialmente das relações humanas, como quase todos os filmes argentinos e o faz com maestria. As personagens são bem contruídas e complexas.

Elenco de primeira, locações bárbaras ( especialmente para quem gosta de Buenos Aires como eu) e enredo envolvente. Para fechar com chave de ouro um final bem inusitado!

Filme recomendado sem medo algum de errar. Se alguém não gostar, eu pago a entrada do cinema ( ou a locação do DVD). Se ainda não viu, pode ir! Corre!

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