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Amantes do Círculo Polar

28 jul

Eu gosto de repetir coisas. Livros,  músicas, filmes e até mesmo destinos turísticos. Embora seja curiosa ( até pela minha profissão), confesso que muitas vezes prefiro revisitar algo do que apostar no incerto. Até porque reler um livro ou rever um filme sempre traz sensações novas. Descubro coisas que não havia notado antes, me sinto tocada por algo que da outra vez nem liguei, entendo melhor alguma frase ou cena.  É uma experiência completamente diferente, como se estivesse vendo ou lendo outra obra.

Em 99, quando comecei a me interessar pela cultura e língua  espanholas, vi o filme Amantes do Círculo Polar, de Julio Medem ( o mesmo de Lúcia e o Sexo – recomendadíssimo tbm). Lembro que  não peguei os primeiros minutos do filme e a dificuldade com a língua me dificultou algumas passagens, mas achei o filme belíssimo e tocante.

Semana passada resolvi revê-lo e fiquei novamente encantada. É um filme intenso e dramático, dá pra aprender com ele, além de se deliciar com a direção e o roteiro.

Anna e Otto se conhecem na saída da escola, quando ainda eram pequenos e  começam sua imensa história de amor. O filme é sobre as casualidades da vida e tem uma forma diferente de contar a mesma história, usando o olhar de cada protagonista, alterando assim os pontos de vista. Tem uns diálogos lindos e uma fotografia de desmaiar. Mas é um filme meio de arte, quem gosta de ação e movimento, pode achar meio tedioso. Não é Hollywood, gente, é Espanha, ok?

Fica a dica.


Aproveitem!

Um novo lado de Almodóvar?

7 set

Penélope Cruz e Lluís Homar em uma das cenas mais tocantes do filme

Feliz da vida com minha nova tv digital, comemorei escolhendo para o meu primeiro pay-per-view ( acho que a locadoras agora vão sumir de vez ) o último filme de Pedro Almodóvar, Abraços Partidos.

O 17° longa do diretor espanhol traz muitos dos elementos característicos de sua obra: as cores vibrantes, o melodrama com toques de humor, a trilha sonora marcante, o clima kitsch e o roteiro surreal que só funciona nas mãos de Almodóvar (soaria insano demais para qualquer outro). No entanto, há um tom neste filme que o difere dos demais. Como se faltasse algo.

 A começar pelo fato de que é um de seus únicos (quiçá o único, não pesquisei pra confirmar) filmes focados no universo masculino. O cineasta é famoso por suas personagens femininas marcantes e complexas, mas é interessante assistir a essa mudança de viés.

Penélope Cruz é mais uma vez a protagonista. Eu, particularmente, acho que ela fica sensacional quando atua em espanhol. Já em inglês, nem tanto. A entrada de sua personagem marca o início do filme, porque até então a trama meio que se arrasta.

O enredo conta a história de um cineasta que após um acidente de carro perde a namorada e a visão. Passa a encarnar um pseudônimo e se dedica a escrever roteiros. O desenrolar dos fatos mostra o que levou ao acidente.

O cineasta abusa do recurso de metalinguagem e faz várias citações, como de costume, de outros filmes mundialmente famosos e também algumas autoreferências. Pra mim o melhor é o filme (Chicas e Maletas) dentro do filme, esse sim a cara de Almodóvar, com diálogos memoráveis.

Apesar de não ser seu melhor filme, Almodóvar é sempre Almodóvar e merece respeito. Mostra um lado menos polêmico e talvez mais palatável para quem não tem muita paciência com aos desvarios “almodovarianos”.  As ótimas atuações e locações belíssimas já valem o filme. É uma boa opção para quem gosta de cinema de verdade e não se prende tanto ao estilo único do espanhol.

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