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Um novo lado de Almodóvar?

7 set

Penélope Cruz e Lluís Homar em uma das cenas mais tocantes do filme

Feliz da vida com minha nova tv digital, comemorei escolhendo para o meu primeiro pay-per-view ( acho que a locadoras agora vão sumir de vez ) o último filme de Pedro Almodóvar, Abraços Partidos.

O 17° longa do diretor espanhol traz muitos dos elementos característicos de sua obra: as cores vibrantes, o melodrama com toques de humor, a trilha sonora marcante, o clima kitsch e o roteiro surreal que só funciona nas mãos de Almodóvar (soaria insano demais para qualquer outro). No entanto, há um tom neste filme que o difere dos demais. Como se faltasse algo.

 A começar pelo fato de que é um de seus únicos (quiçá o único, não pesquisei pra confirmar) filmes focados no universo masculino. O cineasta é famoso por suas personagens femininas marcantes e complexas, mas é interessante assistir a essa mudança de viés.

Penélope Cruz é mais uma vez a protagonista. Eu, particularmente, acho que ela fica sensacional quando atua em espanhol. Já em inglês, nem tanto. A entrada de sua personagem marca o início do filme, porque até então a trama meio que se arrasta.

O enredo conta a história de um cineasta que após um acidente de carro perde a namorada e a visão. Passa a encarnar um pseudônimo e se dedica a escrever roteiros. O desenrolar dos fatos mostra o que levou ao acidente.

O cineasta abusa do recurso de metalinguagem e faz várias citações, como de costume, de outros filmes mundialmente famosos e também algumas autoreferências. Pra mim o melhor é o filme (Chicas e Maletas) dentro do filme, esse sim a cara de Almodóvar, com diálogos memoráveis.

Apesar de não ser seu melhor filme, Almodóvar é sempre Almodóvar e merece respeito. Mostra um lado menos polêmico e talvez mais palatável para quem não tem muita paciência com aos desvarios “almodovarianos”.  As ótimas atuações e locações belíssimas já valem o filme. É uma boa opção para quem gosta de cinema de verdade e não se prende tanto ao estilo único do espanhol.

Vinícius e amigos

28 jul

Vinícius cercado de amigos

Neste final de semana finalmente arrumei um tempo para ver o documentário sobre a vida de Vinícius de Moraes, filme de Miguel Faria Junior. Como era de imaginar, o documentário – que mistura depoimentos, imagens de arquivo, interpretações de canções e narração de Camila Morgado e Ricardo Blat – é uma delícia. Daqueles que valem a pena ter em casa para rever quantas vezes tiver vontade.

Autor da frase mais genial sobre amizades : “Você não faz amigos, os reconhece”, Vinícius era um aglutinador de pessoas, estar cercado de gente era condição inerente a seu ser. Colecionou amizades ao longo de sua existência e sem elas não vivia, não era inteiro. Suas casas chegaram a ser chamadas “casas abertas”. Olha que coisa mais linda! E seu parceiros de trabalho eram amigos de uma vida. Os relatos de Chico Buarque, Edu Lobo, Maria Bethânia, Tonia Carrero, Toquinho ( e outros) transbordam emoção e saudade. Bonito de ver.

Isso corroborou a minha tese de que nada na vida é mais importante do que ter bons amigos. Deixem- me explicar: Família é sim essencial para mim. Meu filho é a coisa que mais amo no planeta sem sombra de dúvidas e não imagino mais a minha vida sem ele, idem para meu marido. Mas tem muita gente por aí feliz da vida solteiro e sem filho. É uma opção de vida válida. Agora não conheço ninguém, mas ninguém mesmo, que exista sem ter ao menos um bom amigo. Os amores vão e vem. Os filhos são do mundo. Os bons amigos são para sempre.

Eu não faço amizades com facilidade, mas as que tenho tendem a durar o resto da vida. E também não tenho amizades recentes, acho que a última é de pelo menos 10 anos. Tenho um número bom, suficiente, e um cardápio variado que torna minha vida mais interessante, mais rica e mais fácil de viver.

Amigas de infância, que conheceram seu avô que morreu há trocentos anos, toda sua história e portanto vão lembrar quando você disser que encontrou o Fulaninho que era o maior gato na época da escola e agora virou um gordo careca. Não tem preço você dispensar apresentações, pois a pessoa sabe exatamente o que você está querendo dizer. Dessas eu tenho um punhado e não abro mão jamais.

Tem amigas que sabem o que você está pensando até de costas. Ou por duas linhas que escreveu no msn. Há aquelas que você encontra raramente, mas quando acontece é como se não houvesse passado nem um dia. São amigas de todos os tipos, para todas as ocasiões. Tem uma que é a melhor companhia na balada, topa tudo, animada. Sair com ela é garantia de diversão, mesmo que seja para dar a volta no quarteirão. Tem outra que é ideal para ficar louca com você, beber todas, quebrar tudo. Quando vocês extravasam juntas, não tem pra mais ninguém. Tem aquelas que coincidentemente estão sempre passando pelo mesmo momento de vida, então são horas e horas de desabafos mútuos e risadas de alívio diante da constatação de não sermos únicas.

Há também uma amiga que é perfeita para os assuntos do coração. Com ela você fala todas as bobagens que lhe vem a cabeça sem medo dela usar isso contra você no futuro, quando você mudar de ideia. Tem as amigas que te inspiram a ser uma pessoa melhor. Essas você tem que manter a todo custo, elas são essenciais para a sua evolução como ser humano.

Amigas, esse post é dedicado a todas vocês, que me suportam, me colocam pra cima, me ensinam, me dão bronca e fazem parte de mim! Amo vocês!

Soneto do amigo

Vinícius de Moraes

Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica…

Vinícius e seu parceiro e amigo mais conhecido, Tom Jobim

O Segredo dos Seus Olhos

1 jul

Darín e Francello em momento cômico do filme

Com atraso de alguns meses, graças à movimentada programação de cinemas do interior, assisti ao excelente O Segredo dos Seus Olhos, do argentino Juan Jose Campanella.

Eu amo a Argentina ( exceto em épocas de Copa do Mundo) e sou fã do seu cinema desde sempre. Posso afirmar que esse filme mereceu ganhar o Oscar de melhor longa internacional, mesmo sem ter assistido aos outros concorrentes.

Ricardo Darín é o protagonista, para variar. Digamos que ele está para o cinema argentino como Wagner Moura para o brasileiro, ou seja aparece em praticamente todas as produções do país. Mas tudo bem, porque ele é ótimo ator. Daqueles que enchem a tela só com o olhar. As cenas com Guillermo Francella estão impagáveis. A dupla funcionou muito bem, timing perfeito. Não sei se é a primeira vez que trabalham juntos, mas  eu certamente adoraria um bis!

O filme conta a história de um funcionário público aposentado (Darín) que resolve escrever um livro sobre o caso criminal mais importante de sua carreira. Um estupro seguido de assassinato. Apesar do tema, o filme não é nada violento e chega a ter momentos cômicos, embora seja denso. Apesar de ser policial, trata essencialmente das relações humanas, como quase todos os filmes argentinos e o faz com maestria. As personagens são bem contruídas e complexas.

Elenco de primeira, locações bárbaras ( especialmente para quem gosta de Buenos Aires como eu) e enredo envolvente. Para fechar com chave de ouro um final bem inusitado!

Filme recomendado sem medo algum de errar. Se alguém não gostar, eu pago a entrada do cinema ( ou a locação do DVD). Se ainda não viu, pode ir! Corre!

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