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Ser mãe é…

10 out

Ser mãe é…

Nunca mais dormir uma noite inteira

Saber fazer a dança do Mickey

Sentir culpa por trabalhar

Sentir muita culpa por ter que viajar a trabalho

Sentir mais culpa ainda por gostar de trabalhar

Lembrar de todos os detalhes da vida de seu filho ( e consequentemente esquecer dos seus)

Ter dor nas costas

Perder a coragem de fazer loucuras

Ter a coragem de fazer qualquer coisa por ele

Deixar o mau humor e a timidez de lado sempre que o assunto for seu filho

Nunca mais ver uma criança sem pensar na sua

Ver um menino adolescente e ao invés de pensar – que gatinho- imaginar como seu filho será quando for um ( tá isso é ser mãe e estar ficando velha)

Não fazer planos sozinha

Nunca mais ficar sozinha ( tá, eu sei que isso vai durar até uns 13 anos, mas deixa eu me enganar gente)

Ter o seu coração batendo fora do seu corpo, no corpo de alguém

Ver um pedaço seu virando gente

Ser mais responsável por medo de faltar para o seu filho ( até para atravessar a rua estou mais atenta)

Deixar o umbigo de lado e colocar alguém à frente de suas prioridades para o resto da vida

Babar muito a cada conquista ( hoje ele aprendeu a lavar os pés no banho. é um gênio.)

Amar sem esperar nada em troca

Aprender a fazer duas ou três coisas ao mesmo tempo

Adquirir uma visão raio-x imaginária, que te faz enxergar todos os possíveis perigos de um lugar

Saber o nome de todos os personagens do Backyardigans

Preparar alguém para vida

Ceder a televisão no horário nobre ( e nunca mais ver novela das oito)

Jamais , em hipóteese alguma, ficar incomunicável ( posso estar cobrindo a erupção de um vulcão, mas dou um jeito de achar um número para entrarem em contato caso necessário)

É voltar a ver e ouvir  Xuxa depois de quase 25 anos ( e perceber o quanto a voz dela é insuportável, mas suportar mesmo assim)

Tomar leite puro porque o Nescau está acabando e só dá para um

Deixar de comer o último pedaço da sua torta favorita só porque talvez ele possa querer mais tarde

É escolher um restaurante/bar pelo playground

É chegar atrasada na aula de pilates porque não teve coragem de acordar seu anjinho

Nunca mais chegar na hora certa em lugar algum ( por mais pontual que tenha sido a vida toda)

Ler todos as teorias sobre educação infantil que caírem em  suas mãos e na prática acabar seguindo seu instinto

É ter as paredes de casa rabiscadas, o sofá quebrado e não estar nem aí

É precisar ser dura mesmo quando sua vontade é morder

Descobrir que você sabia fazer tudo isso sem nunca ter aprendido

Eu não nasci para ser mãe

28 set

 

Esse olhar diz tudo não é?

Nunca entendi direito o conceito “nascer para ser mãe”. Embora eu tenha amigas que afirmem isso categoricamente e outras que nem precisam dizer, pois está escrito em cada molécula de seu corpo. Mas comigo é diferente, nunca tive esse espírito maternal.

Não tenho lembrança de ter tido nenhuma boneca-bebê, não gostava de brincar de mamãe e filhinha e etc. Meu negócio eram Barbies descoladas, solteiras e sempre muito apaixonadas – mas sem filhos. Minhas historinhas nunca acabavam com “e eles casaram e tiveram muitos filhos”.

Ao contrário do meu marido, cujo maior sonho sempre foi ser pai, ter filhos para mim foi  uma conseqüência natural da vida e nunca um objetivo em si. E foi assim, naturalmente, que decidi (mos) engravidar. Senti pela primeira vez o desejo com o nascimento de minha afilhada, mas ainda achei cedo e esperei a vontade passar. Num dia dos namorados, nasceu a filha de outros amigos e fomos visitar. Embalada pela emoção e romantismo da data, disse ao meu marido saindo do hospital: “acho que hoje a gente pode começar a tentar”. E engravidei na primeira tentativa!

Apesar de feliz, fiquei um pouco assustada. Não imaginei que aconteceria tão rápido. Eu não me sentia totalmente preparada, então li todos os livros que estavam ao meu alcance e fiz o possível para ter a gravidez e o parto mais saudáveis do mundo. Na minha cabeça, era o melhor que eu podia fazer.

E então o Gael nasceu ( depois de uma gravidez tranquilíssima e um parto normal). Agora é a hora que vocês devem estar me esperando dizer : e a maternidade foi a coisa mais linda que me aconteceu. Mas aqui não. Posso escolher uma série de adjetivos para explicar o que a maternidade significou para mim, muitos deles positivos, mas nenhum  sinônimo de lindo.

A maternidade me deixou mais responsável, consciente e presente. Por outro lado me enlouqueceu, literalmente. A turbulência hormonal me causou um baby blues bem forte (não conseguia deixar meu marido sair de casa por mais de 30 minutos). Subverteu a ordem da minha vida, alterou drasticamente a dinâmica do meu casamento, exterminou minhas noites de sono por longos 10 meses, murchou meus peitos e manchou minha pele. Foi o ano mais difícil da minha vida (somado a uma mudança de cidade e carreira). Ser mãe é tudo, menos fácil e lindo.

Mas calma! Não estou aqui querendo acabar com o seu sonho de ser mãe ( ou pai). Ao contrário, estou querendo apenas que seu sonho seja mais pautado na realidade do que no mundo de fantasias das propagandas de fraldas infantis. E olha que meus livros me alertaram muito sobre isso ( A Encantadora de Bebês – excelente e minha biblia por um ano)!

Mas se você quer saber, eu passaria por tudode novo e quantas vezes fossem necessárias para ter o Gael na minha vida. Porque simplesmente não dá nem para imaginar mais o meu mundo sem aquela vozinha chamando “mamãe” todas as manhãs. Pois apesar de agora eu dormir mal pra caramba, não existe cena mais linda do que ver meu molequinho capotado no berço, durante a madrugada. Nada me satisfaz tanto quanto sentir o cheiro de sabonete daquela curvinha do pescoço, depois do banho. Ou ver aquela carinha gostosa rindo com todos os seus 12 dentes para mim. E, sem dúvida nenhuma, posso dizer que a melhor coisa do mundo é receber dele um abraço apertado e um beijo estalado. Por mim, a vida podia congelar neste instante e eu seria feliz para sempre. Porque eu não nasci para ser mãe, eu nasci para ser a mãe do Gael!

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