Tag Archives: Oscar

Melhor filme do ano

8 fev

 

Fui ver Cisne Negro ( Black Swan) sem saber exatamente de que se tratava. Sabia apenas que era filme sobre balé, candidato a Oscar e com Natalie Portman.  Não imaginava que se tratasse de um thriller psicológico e muito menos que seria um filme daqueles que a gente jamais esquece.  Eu ainda não encontrei adjetivos para definir Cisne Negro.

O diretor Darren Aronofsky é o mesmo do filme Requiém para um Sonho, outro filme marcante. Natalie Portman faz a melhor performance de sua carreira, sustenta com tranquilidade os longos closes com expressões de dor e angústia ( aquele rosto simetricamente perfeito), além de estar presente em absolutamente todas as cenas do filme. Não sei se ela realmente dançou no filme, mas me pareceu a melhor bailarina do mundo. Atuação impecável.

O enredo é sobre Nina ( Natalie), dançarina de uma companhia de balé de Nova York que se vê diante da maior oportunidade de sua vida, ser a protagonista do Lago dos Cisnes. Entretanto, para isso a doce bailarina precisa encontrar seu “dark side”  e interpretar o Cisne Negro. Nessa luta, em que sua maior inimiga é ela mesma, Nina conta com a ajuda do coreógrafo Thomas ( Vicent Cassel) que usa de seu magnetismo sexual para pressioná-la a se soltar. Aliás, nunca achei Cassel bonito e jamais entendi como ele conseguia ser casado com Monica Belucci, maior diva. Finalmente entendi, neste papel ele transpira sex appeal.

A busca pela perfeição, a disciplina excessiva, a pressão psicológica e o medo de perder sua grande chance levam a protagonista à loucura. E seus devaneios conseguem nos enlouquecer junto com ela.  Na cena em que ela se liberta por algumas horas com a colega Lilly (Mila Kunis de The 70’s Show) embarquei na viagem lisérgica literalmente. Ao fim, os delírios são tão estonteantes que não sabemos mais o que é a realidade e o que está apenas na mente de Nina. Suspense na melhor acepção da palavra.

Eu fiz balé por 9 anos e modéstia à parte, tinha talento para a coisa. Mas nunca compreendi perfeitamente a relação entre a dor excruciante ( só quem já usou uma sapatilha de ponta sabe do que estou falando) e a beleza da dança. Então, desisti. Não tive disciplina e foco suficientes para suportar a dor. Talvez por isso, a jornada da bailarina ( o exato oposto do que fui) tenha me tocado ainda mais, porque me ajudou a entender. Mas tenho certeza que mesmo para aqueles que jamais chegaram perto de uma sapatilha esse também será um filme inesquecível.  Recomendo com força. Corre lá!

For Precious Girls Everywhere

23 jul

Você anda reclamando da vida? Acha que tem muitas dificuldades? Está cansado (a) de tudo? Então me faça um favor, aliás faça um favor a si mesmo e assista Preciosa : Uma história de esperança.

O filme que concorreu a seis Oscar esse ano e levou dois ( melhor roteiro adaptado e melhor atriz coadjuvante) é o equivalente a um soco na cara e um chute bem na boca do estômago. Um chacoalhão poderoso. Terminei o filme aos prantos. E confesso que até agora, se parar para lembrar de algumas coisas, ainda tenho vontade chorar. E não é um dramalhão, mas sim, como diz o nome, uma história de esperança.

Uma história pesada, densa. Não é entretenimento, é vida, luta, lição. Pelo menos para mim foi assim. O filme narra a vida de Precious (Gabourey Sidibe) uma adolescente negra, obesa, pobre que é expulsa da escola por estar grávida do segundo filho. Coisas que não facilitam a vida de ninguém.  Mas ainda tem mais: ela engravidou após anos de abuso sexual por parte do seu pai e  a mãe, ou melhor o monstro, ao invés de protegê-la, abusa verbal e fisicamente todos os dias. Papel brilhantemente interpretado pela vencedora do Oscar de atriz coadjuvante,  Mo’Nique. Para vocês terem ideia do quanto ela está bem, se eu a encontrasse na rua hoje acho que seria obrigada a espancá-la. De ódio. A estreante Gabourey Sidibe também está excelente  e confortável como a personagem título ( concorreu ao Oscar, mas perdeu para a Sandra Bullock), mas ainda não sei dizer se é por talento ou se ela simplesmente está interpretando a si mesma.  E o mais intrigante é que ela, Preciosa, não se vitimiza em momento algum.

As cenas da cruel realidade da protagonista são filmadas com uma câmera na mão, o que nos aproxima das personagens. Isso só muda quando Preciosa ativa seu único recurso para sobreviver: fantasiar. Então as cenas são filmadas de modo convencional. O recurso traz um resultado muito interessante, na minha humilde e leiga opinião. Ao longo do filme, junto com o nó no estômago ( há cenas quer despertam mesmo um embrulho/nojo) cresceu em mim um sentimento de negação.  Do tipo ” É ficção, me recuso a acreditar que exista isso na vida real. Me recuso a crer em tamanho desamor”.  Mas a real é que casos assim EXISTEM. Puxando pela memória em dois segundos já me lembro daquele monstro austríaco que trancafiou a filha e seus filhos-netos sei lá quantos anos num porão. E semo precisar ir tão longe, tem o lavrador maranhense que “deu” sete filhos a sua filha. Oi? Esse é o mundo que vivemos? Então para tudo que eu PRECISO descer.

Voltando ao filme: a trilha sonora é bem legal. Ainda não tive tempo de ver os créditos, mas me chamou a atenção. E tem duas participações especiais bem inusitadas:  Mariah Carey interpreta a assistente social que atende Precious ( coisa que fez bem, acreditem!) e o gato do Lenny Kravitz aparece como o enfermeiro – e  gato-  Jonh Jonh. É um alento em meio a tanto sofrimento!

Então quando digo: “Vá assistir ao filme””  não estou sugerindo, estou mandando! Vai logo! Agora!  E depois me conta!

A nossa Preciosa

O Segredo dos Seus Olhos

1 jul

Darín e Francello em momento cômico do filme

Com atraso de alguns meses, graças à movimentada programação de cinemas do interior, assisti ao excelente O Segredo dos Seus Olhos, do argentino Juan Jose Campanella.

Eu amo a Argentina ( exceto em épocas de Copa do Mundo) e sou fã do seu cinema desde sempre. Posso afirmar que esse filme mereceu ganhar o Oscar de melhor longa internacional, mesmo sem ter assistido aos outros concorrentes.

Ricardo Darín é o protagonista, para variar. Digamos que ele está para o cinema argentino como Wagner Moura para o brasileiro, ou seja aparece em praticamente todas as produções do país. Mas tudo bem, porque ele é ótimo ator. Daqueles que enchem a tela só com o olhar. As cenas com Guillermo Francella estão impagáveis. A dupla funcionou muito bem, timing perfeito. Não sei se é a primeira vez que trabalham juntos, mas  eu certamente adoraria um bis!

O filme conta a história de um funcionário público aposentado (Darín) que resolve escrever um livro sobre o caso criminal mais importante de sua carreira. Um estupro seguido de assassinato. Apesar do tema, o filme não é nada violento e chega a ter momentos cômicos, embora seja denso. Apesar de ser policial, trata essencialmente das relações humanas, como quase todos os filmes argentinos e o faz com maestria. As personagens são bem contruídas e complexas.

Elenco de primeira, locações bárbaras ( especialmente para quem gosta de Buenos Aires como eu) e enredo envolvente. Para fechar com chave de ouro um final bem inusitado!

Filme recomendado sem medo algum de errar. Se alguém não gostar, eu pago a entrada do cinema ( ou a locação do DVD). Se ainda não viu, pode ir! Corre!

%d blogueiros gostam disto: