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Revisitando o passado blogger

16 out

Eu não sei se vocês sabem, mas eu criei o meu primeiro blog há mais de 10 anos. Para ser mais exata foi em maio de 2002. Naquela época pouca gente sabia criar um blog. Eram outros tempos. Postar links ou fotos era tarefa  apenas para os superentendidos de HTML, e só aprendi a mudar o tamanho da fonte porque tinha um amigo que trabalhava em um site e me ensinou uns truques.

Sinceramente nem sei o que eu tinha em mente quando comecei a postar. Não era um diário, pois ele era visto por algumas pessoas que eu nem conhecia, mas também não tinha pretensão alguma além de comunicar.

Tinha lá pouco mais de meia dúzia de fiéis leitores, que comentavam e achavam graça das minhas aventuras de caipira na capital. Então fui acreditando que escrevia algo que prestasse. Alguns anos depois, o título do blog  (Louco Cotidiano)  não fazia mais sentido para a jornalista que abandonou  a vida na metrópole por amor e se estabeleceu pacatamente em Ribeirão Preto. Mudei de blog, de endereço e de vida.

Tanto tempo depois,   bateu uma nostalgiazinha e resolvi limpar as teias de aranha desse meu primeiro contato com a vida blogger. Queria relembrar  o que eu fazia e pensava há mais de uma década. E o resultado foi decepção total. Que blog tosco! Que vergonha das coisas que eu escrevia/ fazia / pensava.  É dessa vida que tenho saudade?

Ai ai ai. Será que todo mundo sente essa vergonha alheia de si mesmo ao ler seus textos antigos?

Reler esses textos crus sobre o início da minha vida adulta ( que só falavam sobre baladas, homens, crise existencial) me deixou corada. Era isso mesmo que eu pensava, ou estava fazendo tipo para alguém que eventualmente me leria?  Não eram essas ideias que eu recordava possuir.

Isso tudo me fez refletir: quanto da nossa memória é real? E quanto a gente romanceia? Porque na minha cabeça eu era superculta, hype, tinha uma vida animadíssima, ia às melhores baladas do mundo. E a analisando friamente, meus posts mostram que não foi bem assim. Meu textos era dolorosamente banais e eu reclamava pra caramba de tédio.

Será que daqui alguns anos, quando eu ler os textos deste blog, alguns elaborados com tanto afinco ( cof cof cof), vou também me achar uma tosca,  etc? Será que parte da evolução do ser humano é revisitar o passado e constatar que está tudo muito melhor no presente? Ou isso é coisa de gente com autocrítica excessiva e cruel?

Será?

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Vida-museu ou O Peso do passado

22 nov

 

Você é o resultado de suas escolhas! Com isso, qual é a sua relação com o passado, ou, com a história (e escolhas) que te tornou quem você é hoje? Positiva? Negativa? Saudosa? Sua relação com o passado diz muito sobre sua relação atual com você mesmo. A primeira vez que observei o quanto o passado literalmente pesa no ombro das pessoas foi em uma vivência que tive em um sítio em Minas Gerais.  Logo de cara tivemos uma cerimônia muito linda e forte em uma oca, na total escuridão, onde deveríamos falar o que queríamos eliminar ali, naquele momento, de nossas vidas. Deveria ser algo que estava nos trazendo sofrimento e que sabíamos que, sem aquilo, seríamos muito mais felizes! Surpreendentemente (pra mim, ao menos) mais de  60% das pessoas participando afirmaram abandonar ali seus passados. Os depoimentos vinham em vozes carregadas de amargura e tristeza. E o seu passado? Também pesa bastante nas suas costas?

Lembro também quando escutei o filho do Pelé (aquele que era ou é goleiro e se envolveu com algo ilegal) falando na televisão a frase “Quem vive de passado é museu”. Lembro que na época adorei, pois sempre teve muito a ver com minha filosofia de vida! Sim, claro que temos que usufruir das experiências do passado para desenvolver nossa sabedoria, mas, basear nosso futuro no passado é a maior fria dos últimos tempos minha gente!!! Por que? Putz, vou ter de usar a frase do Lulu de novo! Porque “tudo muda o tempo todo no mundo”!! Não dá pra reagir a uma situação baseado (a) no passado só porque a situação tem nuances do que aconteceu lá atrás! Ou planejar a vida esperando que o passado se repita; ou planejar a vida agindo de forma que ele nunca mais se repita… Você mudou, as pessoas mudaram (mudam), tudo é diferente!  Se você hoje tem um Ipod, por que segue pensando e agindo como na época do walkman??

Outro fator onde o passado é um “pé no saco” (desculpa a expressão) é no famoso “eu te avisei…” ou “se você tivesse me escutado”… Conheço gente que é mestre nisso e adora falar “olha, mas eu te falei pra não fazer isso” ou “se ele tivesse escutado o que o tio dele aconselhou” ou “se ela tivesse pensado melhor e não agido de cabeça quente…”. Gente, se já aconteceu, já aconteceu!! Deal with it! Não adianta ficar remoendo o passado e vivendo no mundo dos sonhos onde tudo teria sido diferente. No mundo do “ Se…” ! Não foi! Você já se decidiu, já agiu, agora é lidar com a responsabilidade! Perder tempo vivendo no mundo das projeções é uó e é viver totalmente desfocado do presente, que é o que realmente importa! Tirando que, cada besteira que fazemos é uma benção, pois é aprendizado! Por mais dolorido que seja” Estamos todos aqui pra aprender!!

Eu fui uma pessoa muito diferente do que sou hoje. Principalmente quando estava casada. Naquela época fui a pior versão minha que poderia ter sido e não me orgulho nem um pouco. No entanto, amo quem fui, tenho tremenda compaixão e compreensão pelo o que vivi e por como agi, pois foi graças às minhas trevas que hoje consigo viver em um lugar muito mais iluminado! Além disso, foi lá que aprendi muito sobre como posso ser alguém desagradável… Tenho isso dentro de mim e agora sei como não cair no fundo do poço novamente (ou espero saber! Hehe). Me orgulho do meu passado, falo sobre ele sem demagogia, mas deixo ele exatamente onde ele deve ficar: no passado!

A meditação nos ajuda muito a se desapegar do passado! É como se estivéssemos fazendo uma faxina bem feita nos neurônios, guardando em lugar seguro o que passou, deixando tudo lá no depósito. Dessa forma, abrindo muito espaço para o novo, o inusitado, a criação de um jeito diferente de ser! Aceitando quem fui e meus erros, hoje sou muito mais bem resolvida, menos auto-crítica e mais feliz! E, acima de tudo, não carrego meu passado nas minhas costas! Vivo mais no presente e sei que o passado foi a jornada necessária pra me trazer onde estou agora! E você? Como encara seu passado e qual é o peso dele na sua vida atual? Conte-me seus pensamentos!!! Beijo no coração e Namastê!

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