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Bono e Seu Jorge

18 abr

Depois de um longo e tenebroso inverno finalmente consegui me redimir da cagada que fiz , como narrei aqui (https://tresnortes.wordpress.com/2011/02/11/fim-do-castigo/ ).  Agora posso dizer que fui a um show do U2. O que, na minha opinião, todo mundo deveria fazer ao menos uma vez na vida. E acho que o fiz na hora certa. Há 13 anos eu não gostava tanto deles como agora e o meu cd favorito nem tinha sido lançado.

Foi, sem sobra de dúvidas, o melhor show quevi até hoje e acho muito difícil  que eu veja outra coisa do mesmo nível novamente ( não que não vá exisitir, eu que não devo ir). Fiquei alucinada com a estrutura do megaevento. Fui preparada para caos e sufoco ( como o do show do Rolling Stones na praia de Copacabana, no qual senti medo de morrer pisoteada ou de me perder do meu marido para sempre), mas fui surpreendida da melhor forma possível. Nota dez para a organização. Foi tranquilo beber, comer, ir ao banheiro. Deu até para sentar no chão da pista. Coisa de primeira mesmo.

A abertura do show foi feita pelo grupo inglês Muse, que já me tinha sido indicado pelo meu co-cunhado André. E apesar da ansiedade pra que eles terminassem logo, curti bastante o som da banda e já baixei algumas músicas. Os minutos que separaram o fim do show deles do início da apesentação do U2 foram os mais longos da minha vida. E não vou encontrar adjetivos para descrever a minha emoção ao ouvir os primeiros acordes de “Even Better than the Real Thing”.  Nunca pulei tão alto na vida. Eu não posso dizer que sou fã de carteirinha do U2, porque não sei detalhes da história deles e nem tenho todos os cds. Mas deve ser a banda que gosto há mais tempo na vida e ir ao show de uma banda que você conhece as letras de praticamente todas as músicas é uma emoção nova para mim.

A pista é sem dúvida muito mais adrenalina que a arquibancada. Entra todo mundo numa mesma vibração ( odeio essa palavra, mas é a que melhor descreve), contagiante. 90 mil pessoas cantando e dançando juntas. O bom é que dava para dar umas escapadinhas para as laterais e respirar um pouco mais tranquila. A estrutura do palco chamava quase tanta atenção quanto o Bono. Sério, coisa linda de ver. Só senti falta mesmo dele tocar minha música favorita, Stuck in a Moment. Mas ok, não se pode ter tudo.

Fiquei com um pouco de preguiça das mensagens de protesto e vamos salvar o mundo veiculadas durante o show. Mas o Bono tem esse lado politcamento correto, defensor do mundo blá-blá-blá. Melhor ser assim do que sair destruindo quartos de hotel né ( ou não, vai saber). O fato é que, gostem dele ou não, o cara tem um carisma imensurável e mesmo sendo tão pequeno e não tendo uma voz superpoderosa, vira um gigante no palco.

Se pra mim já tava tudo perfeito, eis que o Seu Jorge aparece pra dar uma canja. Soube que era ele porque além de conhecer aquele vozeirão, conheço a cara dele. Porque se dependesse do nome que o Bono anunciou, podia aparecer a Xuxa ali. Será tão difícil assim pronunciar SEU Jorge?

E já estava bem feliz de vê-lo tocar, pois nunca tinha visto ele fazendo isso ao vivo. E não é que depois, no meio do show, ele passa do meu lado? Do meu lado mesmo, tipo ombro com ombro. Resisti ao impulso de correr atrás dele como ja fiz uma vez de e contei aqui ( https://tresnortes.wordpress.com/2010/11/12/i-am-what-i-am/), entretanto fiquei novamente em estado de idiotice aguda, e cutuquei-o dizendo: Aêee Seu Jorge. ( Aê Seu Jorge? Jura? A única coisa que te vem a mente quando está em frente ao seu ídolo é dizer aê?). Pelo menos ele me devolveu um sorriso lindo, e sumiu na multidão. Sinceramente ninguém mais percebeu que era ele. Nem meu marido que tava colado em mim, mas era, eu juro.

Falando no meu marido… Ele tem um histórico de ir embora de shows antes de tocar a última música. É uma tradição bizarra. Ele entra em pânico ao imaginar todas as milhares de pessoas querendo sair ao mesmo tempo e sempre me arrasta uns minutos antes do fim. Dessa vez não poderia ter sido diferente. Esperei tocar One e fui embora, mas dessa vez eu era a pessoa mais feliz do mundo.

Um pedacinho do dueto ( gravado muito mal e porcamente por mim) aqui:  

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I am what I am

12 nov

Dá pra não gostar desse negão?

Quando eu criei meu primeiro blog, quase uma década atrás, eu não me preocupava nem um pouco com o que escrevia nele. Escrevia para mim mesma, uma espécie de diário virtual tosco, narrando minhas aventuras e desventuras amorosas ( do que mais a gente vai falar com 20 e poucos anos?). Eu também não precisava me preocupar porque não tinha audiência. O auge de visitação do Louco Cotidiano foi de 18 pessoas no mesmo dia. Ou seja, why worry?

Porém, contudo, todavia, muitas coisas mudaram. Agora eu divido esse espaço com minha digníssima amiga Lívia. Não estou mais escrevendo só para mim mesma. A audiência existe em número razoável ( já chegamos a ter 254 hits num dia) e boa parte dessas pessoas chegam até aqui sem sequer me conhecer. Entretanto, para ser sincera, tenho mais medo da reação das pessoas que sabem quem eu sou. Minha sogra, a melhor amiga da minha mãe, a menina que estudou comigo a vida inteira mas que nunca soube nada de mim, o ex que descobriu isso aqui não sei como, colegas de trabalho, meu futuro chefe, minha ex chefe.

Bate uma crisezinha do tipo: meu Deus, eu tenho a boca muito suja, as pessoas vão se escandalizar. Ou então: eu devo escrever coisas mais cult, só escrevo coisas ridículas. O que será que Fulano vai gostar de ler? Não posso errar nenhuma vírgula senão não arrumo mais emprego.

Pára, Fabiana!

Não deixe o ego agir, diria Lívia. Escrever não tem nada a ver com se preocupar com o que os outros vão achar. A graça está justamente em ser livre e escrever para mim mesma. E se alguém gostar no meio do caminho, eba!

Portanto, aviso aos navegantes:  Estou deixando totalmente de lado as pretensões literárias e culturais.  Esse aqui é meu (nosso) espaço de ser livre. De fazer o que mais gosto na vida sem ligar para o julgamento alheio. Are you ready for the ride?

E para não perder o costume, hoje é dia de Sexta Musical ( nossa ficou péssimo esse nome). O videoclipe escolhido é do Seu Jorge. Meu cd ( Cru) já está até riscado de tanto que ouvir essa música( Tive Razão, minha favorita), mas nunca tinha visto o clipe, que é uma gracinha. Eu sou mega fã do Seu Jorge. Acho ele bárbaro, talentoso, multimídia e gato com força.

Ai, vou contar uma coisa. ( Meu marido tendo um mini ataque do coração em 3, 2, 1). Na minha lua-de-mel encontrei-0 no aeroporto. Estava lá, tranquilamente recém-casada, quando sinto uma presença conhecida passar por mim. Não pensei duas vezes e saí correndo atrás ( eu sou deslumbradinha com artista, confesso, mas não no naipe de sair correndo pra pedir autógrafo, portanto foi um choque até pra mim essa reação). Quando o alcancei percebi que não tinha o que dizer e perguntei sem raciocinar:

– Seu Jorge?

–  Sou eu ( naquele vozeirão, é importante destacar)

– Posso tirar uma foto com você ?

Estou lá toda tiete e sem noção, abraçando o cara, pronta para fazer o papelão do ano sozinha, quando vejo meu marido esbaforido chegando correndo.  Em dois segundos ele estava do lado na foto. Haha. Comentário dele:

– Nem casamos direito e minha mulher já está correndo atrás de um negão, é mole? 

* Eu cheguei a colocar a foto que registra esse momento vexatório. Mas deu muita vergonha. Sorry.

Enjoy the music e bom fim de semana prolongado!

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