Tag Archives: yoga
Vídeo

2013: doenças, desafios e força na peruca!

1 mar

Queridos Leitores, eu tardo mas não falho!! Vídeo novo contando minhas peripécias no mundo das doenças e da vida! Conte-me as suas também! Eu adoro receber comentários e penso que dividir é a melhor maneira de crescer e aprender! Beijo no coração, Feliz 2013 (atrasado!!) e Namastê!

Anúncios

Na frequência certa

18 dez

Photo 18-12-12 23 31 22

Há tempos venho namorando a ideia de ir a um retiro, mas nunca tinha rolado a perfeita conjunção de fatores – tempo, dinheiro, oportunidade e companhia – para eu realizar esse desejo.  Talvez eu não estivesse pronta.  Então surgiu esse curso de meditação no Parque Visão Futuro, um lugar do qual eu já havia ouvido falar muito, e quatro amigas toparam ir.

Depois de nos perdermos absurdamente ( quatro mulheres,  dois GPS e 222 opiniões diferentes), chegamos ao parque ecológico. Já estava escuro e embora não pudéssemos enxergar quase nada, era possível sentir o cheiro do perfume das flores. Isso, perfume das flores. Eu não sei vocês, mas eu, sempre que imaginava cheiro de flores, pensava em cheiro de velório, coroa de flores, sei lá. Não era algo agradável. Fiquei encantada com essa nova sensação e é a primeira coisa que me vem a mente quando lembro do parque.

Iniciamos o dia seguinte com uma palestra sobre meditação. Com dados científicos e tal. Tem até um Departamento de Harvard estudando o assunto, vejam só. Provavelmente para apaziguar os ânimos dos mais céticos como eu. Nesse momento, meu senso crítico ainda estava afloradíssimo. Eu estava observando as pessoas e meio que zoando e colocando apelidos em  todo mundo, mentalmente.  A fundadora do Parque, Susan Andrews, que carinhosamente chamamos de monja ou Didi, é uma americana que após anos morando na Índia decidiu vir para o Brasil montar uma ecovilla e ensinar aos outros a procurar a felicidade dentro de si mesmos.  Eu não sou muito atenta para a energia das pessoas, mas a dessa mulher é algo impossível de se ficar imune. Ela irradia uma luz a quilômetros de distância. E repito: não sou do tipo que vê luz irradiando das pessoas. Mas só de olhar para ela, dá vontade de sorrir, abraçar. Agradecer. Uma hora ela pegou na minha mãe, e juro, era como se eu estivesse de mãos dadas com um anjo. Difícil descrever sem soar piegas ou deslumbrada.

Na hora da primeira meditação, senti muita dor nas costas, um calor insuportável e fui atacada por pernilongos. Mudei de lugar no meio do processo (imagine a cara das pessoas com a louca aqui levantando no meio do silêncio pra sentar num local mais fresco. Super zen, só que não).  Fiquei bem irritada com a situação e comigo mesma. Não consegui nem me concentrar o suficiente para repetir o mantra ou acalmar a minha respiração ( algo me diz que eu estava bufando). Só queria que acabasse logo e quando tocou o sino eu quase saí correndo pelas colinas.

Depois do almoço (vegetariano delicioso) fomos para uma sala no alto de uma colina, com uma vista maravilhosa, praticar yoga. Só que não era yoga, era um negócio meio mal explicado que nem vou saber definir aqui. Repetitivo, chato. Nada de ásanas.  Eu já estava começando a pensar que teria que mudar o meu objetivo do final de semana, não haveria grandes revelações ou descobertas, seria apenas um descanso num sítio com comida vegetariana e um monte de bicho grilo.

O próximo exercício foi caminhar, em total silêncio, até a mata e lá permanecer por uns quarenta minutos, com um papel e um caixa de giz de cera na mão.  Me esforcei para não pensar no ridículo da situação, achei um cantinho para sentar, e fiquei lá, esperando a tal revelação. Ainda passei bem uns cinco minutos brigando com um galho que insistia em bater na minha cabeça e espantando os bichos que pousavam na minha perna.  Até que encontrei uma posição agradável, controlei o ritmo da respiração, olhei para cima e vi, por uma brecha entre a copa das árvores, o céu azul e uns pássaros voando. Ouvi o canto deles e  finalmente: click! Desliguei meus julgamentos e me conectei com a natureza, com o meu propósito do final de semana e com Deus.

Continuamos em silêncio até a próxima meditação.  Que aconteceu ao pôr do sol, numa sala cheia de janelas, que davam para as árvores e o cair do sol. Consegui encontrar uma posição que não doía as costas,  fui acalmando e acho que pela primeira vez na vida consegui meditar calma e profundamente.

Eu gostaria de relatar tudo que aconteceu depois ( na verdade eu o fiz, mas o texto ficou longo, chato e meio nonsense). Entretanto,  nada que eu escreva vai sequer passar perto do que realmente experimentei.  Depois de mais de uma década de busca espiritual, eu finalmente encontrei o meu canal de conexão com Deus. É como se eu estivesse há anos tentando sintonizar uma rádio, e ás vezes conseguisse, mas sempre pegando mal, com estática. E finalmente  descobrisse a frequência exata! Hahahaha, analogia péssima, mas foi o melhor que consegui.

Voltei para casa renovada, grata e feliz. E recomendo a experiência com força!

Para quem quiser conhecer mais sobre o Parque e a Susan entrem no site: www.visaofuturo.org.br

P.S. Quem diria que eu estaria escrevendo um post ~sério~ sobre meditação ein?

Meditação Montanha Russa: dias 7 e 8

26 ago

Querido Leitor! Os dois próximos dias mostram quão paradoxal foi minha experiência. Assim como eu, a maioria dos que vão aos 10 dias de Meditação Vipassana relatam ter vivido e sentido absolutamente todo o leque de emoções, sentimentos e sensações, das mais agradáveis e transcendentais até as mais desagradáveis e mundanas. Uma espécie de montanha russa mental e espiritual. É intenso, e maravilhoso. Boa leitura e obrigada por seguir acompanhando.

Dia 7 – Minha missa de sétimo dia

O sétimo dia foi marcado pela minha própria missa de sétimo dia. Calma, calma, uso a imagem/analogia para explicar como me senti e o que aconteceu. Nos 7 dias anteriores uma grande parte de mim estava em processo ativo de morte, putrefação… O estresse estava sendo eliminado, a necessidade de controlar tudo se dissolvia, o medo era diluído no ar, o diálogo mental intenso se tornava cada vez menor, mais silencioso. Uma outra Lívia renascia, pois a minha visão de mundo e a visão sobre quem eu era se desintegrava mais a cada dia. Não tinha volta: o cadáver estava ali. Era hora de renascer. O renascimento veio com o silêncio: nesse dia fiquei muda o dia todo. Sim, eu – Lívia, a pessoa falante – calei.

Se você está assustada (o) com a possibilidade de matar parte de você, não tema! Suas principais características “positivas” e “negativas” (não existe certo ou errado, lembra??) permanecerão com você, só que você saberá que ambas são passageiras e poderá lidar bem melhor com elas. Por exemplo, eu segui me emocionando e tendo profunda empatia pelo sofrimento do(s) outro(s). Nesse dia, chorei pela mãe de uma grande amiga minha que está lutando contra o câncer faz um ano. Dessa vez ela foi para a mesa de cirurgia (enquanto eu estava prisioneira) e foi impossível não me emocionar ao lembrar o medo e a dor que toda a família devia estar passando.

Não só eu, como a maioria das minhas companheiras “prisioneiras” pareciam estar nesse estado de renascimento. A energia era muito mais harmoniosa. Todas começaram a ajudar na limpeza do Bangu, de forma orquestrada até. Eu segui fazendo minhas caminhadas até o último dia, mas elas eram mais leves, os passos muito mais conscientes, eu sentia a brisa tocar meu corpo, sentia meus músculos e ossos movendo-se, observava cada detalhe da trilha. Eu era uma com a trilha.

No sétimo dia também consegui burlar a regra do retiro (ok, ok, não sou perfeita, mas não atrapalhei ninguém, juro…) e fiz cerca de 15 minutos de yoga no meu quartinho apertado, no momento em que minha roomate estava fora. A experiência foi única. Senti a energia percorrer meu corpo tão claramente. Era mais uma prova (pra mim, que fui cética por muitos anos) que somos muito mais do que matéria. Como nunca antes, eu vivi e fui a descrição exata de Yoga – união entre corpo, mente e espírito. Nesse dia meu coração estava quieto. Equanimidade era meu sinônimo e eu era grata por isso.

A meditação foi bem mais fácil. Eu conseguia me concentrar em cada parte do corpo “pedaço por pedaço, parte por parte” como dizia o Goenka. O tempo livre passou a não apresentar mais grandes pensamentos ligados ao desejo. Eu estava agora, (na verdade comecei desde o quinto dia) mais concentrada em relembrar livros espirituais, a história de grandes gurus e personagens. Me peguei (não pela primeira vez) comparando Jesus e Buda. Pensei como eles podiam ser tão diferentes: Jesus pregava o amor como resposta para tudo e que Deus era nosso pai e um conosco. Buda não falava em Deus “nem a pau Juvenal” e dizia que a eliminação do desejo e a aceitação total da realidade eram as resposta para tudo. Achei um muito distante do outro, mas segui filosofando sobre o assunto e até perguntei sobre Buda e Deus em uma das conversas com meu professor, que me confirmou que Buda nunca falou em Deus e pra ele só existia a real natureza das coisas, da vida… Mais sobre o assunto virá no próximo post!

Ah! Esse dia também foi fantástico porque comecei a materializar comida!!! No dia anterior eu pensei, (pela milésima vez): “Poxa vida, eles bem que podiam fazer uma sobremesa básica vai… Nem precisa ser junk food, pode ser uma brownie vegan sem açúcar, sem leite…”. Mas logo deixei a idéia de lado e voltei ao contentamento do momento presente. Caros amigos, ao chegar no refeitório, lá estavam elas: brownies deliciosamente vegans, feitas de chocolate meio amargo e sem adição de leite ou manteiga. É a prova para o que falo: joga a intenção para o Universo e se desapega de recebê-la: na hora certa ela vem!! Não me contive: escrevi um bilhete no guardanapo de papel dizendo “Obrigada. Sobremesa delícia” e joguei por baixo da porta que dava para a cozinha. O agradecimento era não só para os cozinheiros, mas também para o Universo que escutou minhas “preces”!!

Dia 8 – Ócio criativo o caramba

O dia 8 começou como todos os outros 7 dias anteriores. Dessa vez eu consegui acordar às 4:30 e segui com a minha meditação. Bom, eu tentei seguir né… O dia foi caminhando e eu vi um sentimento que foi sempre meu companheiro (mas que nunca consegui definir tão claramente e acho que raras vezes eu o reconheci ao meu lado) crescendo e crescendo e crescendo: o tédio. Sim, porque para, aos 31 anos, eu já ter morado em 7 cidades, e estar mudando de profissão pela terceira vez o tédio tem de fazer parte da mistura de razões pela qual isso tudo acontece na minha vida… Não a principal, mas ele está lá. Pronto, a equanimidade de ontem foi pro ralo…

Mas gente, pensa comigo, todo dia a mesma rotina, todo o dia as mesmas pessoas, todo dia o mesmo tudo… !!! A mente voltou para comida: “Ahhhh, tudo o que vou comer assim que pisar em Miami”, ela pensava. Música foi outro escape usado pela minha criativa mente e eu acabei criando o slogan “Lívia FM: tocando tudo aquilo que toca você”. Teve de tudo, Maddonna, mantras, mas, principalmente, aquelas músicas de rádio que o refrão gruda na mente e não sai por nada…. Tipo, em um momento Black Eye Peas: “I got a feeling… Uhuuuuu”.  Observei tudo acontecendo, mas não consegui não me identificar com o tédio perverso.

Na hora do chá da tarde foi o limite: quase gritei: “Não aguento mais comer banana, maça e laranja todos os dias”. Eu estava muuuito indignada. E olha que eu ficava praticamente junto da porta de entrada perto da hora em que o sino tocava e nos permitia entrar no refeitório, só pra garantir que eu pegaria uma banana, pois não eram muitas na cesta não! Um absurdo! Eu me imaginava indo no Publix (supermercado perto de casa) e tendo a seguinte conversa com as frutas: “Uvas, cerejas, abacaxi, mamão, melão, peras, mangas, vocês todas virão comigo para casa”. “Agora vocês bananas, maças e laranjas vão apodrecer aí se depender de mim. Vocês não vão não!! Hahahahaha!!” – essa parte eu me imaginava com certa expressão maligna no rosto.

Também dei mais uma checada básica nos moçoilos do outro lado da sala. “Hum, o indiano gato segue lá…”. Chegou a noite e decidi falar com o professor depois da última meditação, às 21h, porque não dava mais… Lá fui eu. Sentei sorridente e soltei: “Olha, na verdade está indo tudo muito bem. A meditação está ótima, eu consigo sentir as sensações, mas, pra ser sincera, está tudo muito igual e eu estou sentindo um tremendo tédio”. Pronto, falei!

O professor, como sempre, dá o sorriso mais puro do ano e solta a terceiro tapa com luva de pelica dos meus 10 dias (que, na verdade, eu sabia que viria): “O tédio é uma impureza, como todas as outras da mente. E ele deixa claro que não estamos satisfeitos com a realidade, não estamos aceitando ela. O que é exatamente o oposto do que estamos aprendendo aqui”. Splash! Esse doeu! Mas acendeu aquela lâmpada em cima da cabeça (que nem em gibi, quando o personagem tem um ótimo insight): sim, sim, muito das minhas mudanças de vida e dos meus pensamentos obsessivos em comida vem do meu tédio. Ambas as coisas vem pra mudar minha realidade e me dar algo de novo, de diferente, pra minha mente se distrair. Tremenda Impureza meus caros!!!! Talvez, entre as minhas, seja uma das maiores.

E não somos todos assim? Fumamos pra lidar com a ansiedade ou com o tédio, bebemos pra lidar com a ansiedade social ou com o tédio, usamos drogas pra lidar com a ansiedade ou com o tédio, vamos ao shopping comprar coisas inúteis pra lidar com a ansiedade ou tédio, e por aí vai… Observe seus vícios e quando eles aparecem. Observe como eles tomam conta de você… Sem julgamentos, apenas observe e comece a tornar-se consciente do que os ativa e tente arrumar outras ferramentas, menos prejudiciais, pra lidar com suas ansiedades, medos e tédio!!! O dia oito foi um marco na minha vida. Uma das maiores lições que já tive! Espero que te ajude também! Pois é melhor aprender pelo conhecimento ou pela observação do que pela dor! Beijo no coração e Namastê!

Você nasceu pra quê?

5 nov

Você sabe qual é sua função aqui na Terra? Eu nasci para ajudar! Como posso ter certeza? Porque nada me oferece mais realização pessoal e conexão com algo superior (e divino) do que os momentos em que estou ajudando o próximo. Segundo a filosofia oriental, e entra aí Yoga e Ayurveda, todos nós nascemos com um objetivo de vida, com alguma (ou algumas) capacidade especial onde temos uma maneira única de expressá-la. Nos sentimos muito mais completos quando descobrimos nosso Dharma, ou, em Sânscrito, propósito de vida! Você sabe o seu?

Além de ser o seu propósito de vida, seu Dharma também é a maneira que você tem de ajudar a humanidade! Exagero? Claro que não! O Dharma da Ivete Sangalo é cantar e trazer alegria para seus fãs. O Dharma do Senna era correr e trazer o exemplo de disciplina, determinação e esperança para os brasileiros. O Dharma de um garçom é servir seus clientes com amor e receber respeito e consideração de volta. O Dharma de uma decoradora é trazer beleza e harmonia para as casas. O Dharma de um profissional de TI é criar ferramentas que facilitem a vida dos trabalhadores… Eles todos  encontraram seus propósitos de vida e por isso sentem-se (ou sentiam-se) realizados. 

Seu Dharma também pode ser um hobby e não sua principal profissão. Exemplo: você adora pintar quadros e dar suas pinturas de presente (embelezando casas); ou você ama cozinhar e reunir amigos e família (criando tardes ou noites especiais). O importante é descobrir o que te oferece um intenso prazer e satisfação. Tipo, aquilo que você simplesmente perde a noção do tempo quando está fazendo! Pode ser uma ou várias coisas, mas esteja certo que só você sabe fazer essa coisa de forma tão especial e ela é, de alguma forma, um serviço para a humanidade (no sentido micro e macro).

Quer saber como descobrir seu Dharma? Comece observando quais são as atividades que você mais gosta de fazer! As que você esquece do tempo! Atividades onde você produz algo ou divide seu tempo com alguém e sempre tem como resultado satisfação para você e para o outro! Por mais boba que ela possa parecer, estou certa de que é benéfica a você e a mais alguém e isso basta!! O mais interessante é observar que, quando estamos cumprindo nosso Dharma, a vida se torna mais leve, mais fluída e gostosa de viver! (Como nesse exato momento, onde estou escrevendo esse texto e expressando outro Dharma que se une ao principal de ajudar)Mas não se pressione! Estamos todos aqui em busca do nosso Dharma e muitos levam décadas (ou outras reencarnações) para descobrir!

Eu recebi a benção de saber que adoro ajudar! Não importa como, mas principalmente servindo como uma boa ouvinte e como uma espécie de guia onde, munida com meus conhecimentos, ajudo a pessoa a se reconectar com sua inteligência maior, aquela que vem do coração, da alma, e lhe traz de volta o equilíbrio e a alegria genuína! Sei que posso ajudar usando diversas ferramentas, como Yoga, meditação, Ayurveda, os florais que faço tanta propaganda, ou com muita conversa! Sei também que cada um tem seu tempo (inclusive eu!) pra crescer e florescer! Estamos todos no mesmo processo de auto-conhecimento e crescimento! E essa é a mágica e beleza da vida! 

Seguir meu Dharma me dá energia, curiosidade, alegria e paz interna! Peço diariamente para que minha vida seja guiada por meio dele e sei que ela é! A dica está dada então! Observe o que te dá muito prazer e contentamento e observe como nesses momentos você é muito mais que um ser humano: você sente-se (e é) um ser espiritual vivendo uma experiência humana! Essa é outra dica MEGA importante: somos, na verdade, seres espirituais tendo uma experiência humana e não humanos em busca de experiências espirituais! Te confundi? Ótimo! Pense a respeito! E siga seu Dharma! Beijo no coração e Namastê!!

7 dias sem comer: o diário de uma sobrevivente!

4 out

7 dias, mais de 160 horas e muitos milhares de minutos sem comer, mastigar ou ingerir nada sólido! Esse foi o meu desafio e, com força de vontade, eu consegui caro amigo! E, se eu sobrevivi, você também sobrevive!! Com o objetivo principal de domar, literalmente, minha mente, passei esses dias todos sem mastigar, sem sentir o crocante na boca, sem me deliciar com um pedaço de chocolate derretendo entre meus dentes e língua… Fiz o que chamam aqui nos “Estates” de jejum líquido, ou seja, ingeri apenas alimentos líquidos durante todo esse tempo. Foi difícil? Foi! Desesperador? Quase. Recompensador? Demais!! Vamos a jornada:

Quem circula pelo meio da yoga e meditação sabe muito bem os benefícios do jejum: limpar seu corpo da toxinas, dar um tempo para o seu corpo se auto-curar e relaxar sem ter de digerir toda a comilança, emagrecer, dar uma limpada no intestino, melhorar todas as funções do sistema digestivo e excretor, etc. Mas, para mim, o benefício maior foi o de comandar minha mente, o de reprogramar a maneira como ela lida e reage a comida e o de observar como eu reagiria sem minhas comidas preferidas!

 Eu escolhi seguir o programa de um restaurante Vegan onde confio no dono e onde ele seguiu recomendações minhas do tipo “preciso de bastante ferros e minerais na composição”. Escolhi também entre Smoothies (ou shakes) e sopas que usam ervas indianas, frutas e vegetais orgânicos. Eram de 3 a 4 por dia, cada um com cerca de 450 ml. Recomendo que, sempre que você embarque em algo tão desafiador, você esteja muito informado sobre o processo e contando com profissionais da área pra te ajudar!

 O primeiro dia foi tranquilo. Trabalhei o dia todo e me senti cheia de energia. Foi lá pelas 9 da noite que me senti totalmente cansada, sem força para nada! O segundo dia foi um dos piores. Percebi o quanto a falta de comida limita nossa capacidade de raciocinar corretamente! Eu estava impaciente, ansiosa, com raiva mesmo minha gente (e olha que isso é raro). No terceiro dia optei por passar a tomar 4 líquidos por dia e o processo se tornou mais fácil. No quarto dia foi tudo mais tranquilo e até fui forte o bastante para resistir à tentação de um jantar em um restaurante italiano no qual participei ingerindo apenas um chá de laranja!

 Os últimos três dias foram os mais desafiadores. Me sentia avoada, sem concentração, faminta e cansada, mas não mais irritada. Adicionei um pouco de água de coco e sucos naturais de melancia e maça com beterraba para ter mais energia. Durante todo esse tempo minha coluna doía (coisa que sempre acontece quando estou com fome) e optei por não praticar muita yoga para manter minha energia para as aulas que dou. No sétimo dia comemorei a vitória à noite! Estava muito feliz e contente com a missão cumprida! Fui em um show lindo com amigas e fomos todas jantar depois! A felicidade ao mastigar foi intensa e a gratidão pelo alimento também!

 Claro que emagreci um pouquinho e que a digestão e eliminação foram perfeitas durantes esses dias, mas isso foram brindes, pois o melhor foi perceber a relação que tenho com comida e como posso sim domar minha mente e não sucumbir às tentações! Uma das maiores lições que aprendi foi a da compaixão: hoje entendo totalmente alguém que rouba para comer ou colocar comida na mesa da família. Quando estamos famintos o cérebro não funciona no seu estado normal de consciência, a ansiedade aumenta drasticamente, assim como o cansaço, e você é capaz de qualquer coisa para cessar a angústia mental e física que tomam conta de você… É o seu instinto básico funcionando e ele não parece estar unido à razão.

Percebi também que me conectei muito mais com as pessoas! No fundo, eu uso a comida como solução para evitar conflitos, mascarar solidão ou timidez. A comida funciona como ferramenta reconfortante, que me nutre emocionalmente e faz com que eu não precise arriscar falar aquilo que quero (mas que pode ofender ou parecer estranho) ou então faz com que eu não ligue para aquela amiga que adoro (mas que pode estar ocupada para falar comigo e não quero atrapalhar) e por aí vai… Sem minha “chupeta” em forma de comidinhas eu me senti segura e com coragem para me comunicar e conectar com mais facilidade e honestidade! Comida te limita! Grande insight!

 Consegui me comunicar melhor também com minha mente e fazer com que ela entenda que não preciso comer loucamente só porque a fartura é grande, ou apelar para o sorvete quando a ansiedade bate, nem comprar um delicioso brownie quando não tenho nada para fazer na sexta à noite. Apesar de todas as limitações e dificuldades, segui íntegra, consciente e feliz e provei para mim mesma que não sou escrava da comida e ela não é solução para nada. Isso significa que nunca mais vou me entregar à gula ou comer além do necessário? Provavelmente não, pois não sou Buddha nem Santa! Mas significa que hoje tenho muito mais consciência da função da comida na minha vida e como eu posso usá-la como aliada, e não como muleta, medicina ou entorpecente!

 E você? Qual é a sua relação com a comida e, o mais importante ainda: essa relação está te trazendo benefícios??

 Como disse antes, se resolver jejuar seja consciente e nada de extremismos! Tenha sempre a ajuda de um profissional e, acima de tudo, respeite seu corpo e seu coração! Beijo no coração e Namastê!

Prana: energia vital para o corpo e a mente

5 jul

O que é o que é? A primeira coisa que você faz ao nascer e a última coisa que você fará antes de morrer?? Pense bem… E a resposta é… Respirar!! Sim caros amigos, nosso primeiro ato como seres independentes de nossas mães e nosso último ato antes de entregar nossa alma a seja lá o que for que você acredite é respirar. No entanto, entre o momento em que nascemos até o momento em que partiremos, praticamente nos esquecemos de dar atenção ao ato da respiração.

Deixe-me te contar algo extremamente interessante: cientistas descobriram que podemos viver sem comer e sem beber água, no entanto, não podemos viver sem respirar, por mais sutil que a respiração seja. Como eles descobriram isso? Depois de pesquisar gurus e iogues da Índia que conseguem passar meses somente meditando, sem nada para comer ou beber, apenas respirando tão sutilmente que fica quase impossível detectar o ar entrando e saindo do corpo. Livros afirmam que Buda passou anos sem se mexer, apenas meditando e respirando, antes de atingir o Nirvana. Aliás, a meditação de Buda consiste em apenas focar toda a sua atenção no inalar e exalar.

Yoga é uma ciência que vai muito além do exercício físico e um dos pilares fundamentais dela é o Pranaiama (ou Pranayama), exercícios respiratórios. Prana pode ser traduzido como energia vital e essa energia está presente no ar, em todos os lugares, principalmente na natureza. Por meio de exercícios respiratórios nós trazemos essa energia pra dentro do nosso organismo, ampliando nossa própria energia e melhorando nossos sistemas fisiológico e psicológico.

Então, como anda sua respiração? Um bom pranayama pra acalmar a mente e o corpo, controlando emoções negativas como raiva, medo e estresse, consiste em inspirar profundamente por oito segundos, mandando o ar lá pra barriga (respirar usando o diafragma) e não só para o torax. Reter a inspiração por quatro segundos. Durante a retenção, tente se concentrar no espaço entre suas sobrancelhas, também conhecido como terceiro olho, local onde temos nossa intuição e sabedoria desenvolvidas. Após quatro segundos, expire vagarosamente por oito segundos, eliminando todo o ar do corpo. Durante a inspiração e expiração mantenha sua atenção na no ar entrando e saindo das narinas e pulmões.

Repita o exercício por 15 vezes. Esse pranayama não tem contra-indicações. Eu garanto que, se você realmente se concentrou, você estará se sentindo muito mais calmo, equilibrado e concentrado ao final. Essa técnica ajuda em casos de pressão alta e estresse. Também é ótima pra ser usada antes de você responder aquele e-mail mal-criado do seu chefe, ou responder aquela pergunta cabeluda do seu filho. Respirar é um ato sagrado, é trazer para dentro de si a energia necessária pra manter sua saúde mental e física. Depois de fazer o teste me conte os resultados! Namastê.

Namastê

16 jun
Namastê é provavelmente a saudação mundialmente mais famosa em Sânscrito, uma das línguas mais antigas que existem no continente asiático. Hoje em dia ninguém mais fala Sânscrito, no entanto, é a lingua original dos principais livros espirituais da Ásia, principalmente da Índia, como o Baghava Gita, Sutras de Patanjali e Upanishads.

Namastê tem várias traduções. Minha favorita é: “O Divino em mim reconhece e ama o Divino em você”. Mas também pode ser traduzido como “A Luz Divina dentro de mim reconhece a Luz Divina dentro de você” ou “Eu honro o espírito em você que também está em mim”. No Wikipédia brasileiro você encontra traduções como “Curvo-me peranti a ti” ou “Sou o seu humilde criado”, que eu, pessoalmente, não gosto muito, porque não refletem a relação de igualdade entre quem cumprimenta e quem está sendo cumprimentado.

Namastê é usado na Índia e países próximos como saudação pra iniciar ou encerrar um encontro, uma conversa ou uma cerimônia religiosa. A palavra ficou famosa mesmo no Ocidente nos estúdios de Yoga, pois o professor ou professora sempre acaba a aula falando Namastê para seus alunos. Tão importante quanto falar Namastê é ter as palmas das mãos juntas, no centro do peito, e curvar a cabeça em direção ao peito ou ao tórax, em um gesto de humildade e respeito pelo outro. É um reconhecer da conexão divina que existe entre ambos (ou no grupo). Acima de tudo, falar e fazer (já que é também um gesto físico) Namastê é lembrar que somos todos seres divinos e especiais. Temos todos a mesma capacidade infinita de melhorar não só a nossa existência, mas a existência dos que estão ao nosso redor.

 E essas duas capacidades são meu Norte nos últimos dois anos: me desenvolver como ser humano e ajudar outras pessoas e comunidades a se desenvolver. Com esses objetivos em minha mente e coração, há dois anos comecei uma jornada espiritual longa e extremamente prazerosa. É claro que o prazer muitas vezes dá lugar à dor e, é claro, que muitas vezes eu dou alguns passos para trás, afinal, sou humana! Mas minha coragem é sempre maior e é ela que me fortalece e me abastece de energia pra continuar buscando me aprimorar sempre que possível, a cada dia, a cada hora, em cada gesto e pensamento.

Assim como eu acredito em mim, eu acredito em você. Isso mesmo! Eu acredito em você, leitor, que tirou esses preciosos minutos do seu dia pra ler cada palavra que eu, em uma noite quente de verão, resolvi enfim começar a escrever. Acredito no seu potencial e na sua capacidade de tornar realidade qualquer que seja seu desejo! Acredito e agradeço sua atenção. Obrigada! Por meio desse blog espero poder descrever algumas das técnicas que me ajudam, no dia a dia, a manter minha mente e minha alma mais alinhadas.

Também espero contar minhas experiências, e experiências de gente que sabe muito mais do que eu, sempre buscando dividir com vocês algo que possa tornar a nossa vida mais leve e prazerosa. Se por um dia ou por uma linha escrita, eu puder fazer alguma diferença na sua vida, minha missão estará cumprida! Pra saber se eu consegui atingir essa meta? Só lendo os próximos posts!! Então, seja bem-vindo, obrigada pela presença e… Namastê!

%d blogueiros gostam disto: